Preto & Branco

Em quatro províncias do país

Governo privatiza gestão da água por 30 anos!

  • Trata-se de um negócio de 23 milhões de dólares e envolve uma empresa norte-americana, estranhamente, sem fins lucrativos e na base de empréstimo financeiro.

O Governo de Moçambique celebrou, em Abril último, um contracto de concessão para a gestão privada da água com uma empresa americana, sem fins lucrativos, denominada a Operation Water (OW), para desenvolver oito sistemas de abastecimento de “água em quatro províncias do país, avaliados em 23 milhões de dólares e para um horizonte de 30 anos, algo inédito a nível do sector.

Concretamente, a 22 de Abril, a Operation Water, ou seja, em português, “Operação Água” assinou um contrato de concessão com o Governo para desenvolver oito(8) sistemas de abastecimento de água em quatro (4) províncias que atenderão a mais de 300 mil pessoas. Esta Parceria Público-Privada é a primeira Concessão de recursos hídricos em Moçambique, e a duração de 30 anos é a mais longa concedida na história moçambicana.

Segundo apuramos do site desta empresa norte-americana, http://www.operationwater.org  “o modelo de suporte financeiro privado da Operação Água está estabelecendo novos benchmarks. Nosso contrato de concessão com o Governo de Moçambique é o mais longo da história – 30 anos!

Explicando-se sobre esta iniciativa milionária e histórica, a Operation Water defende: “os projetos que desenvolvemos eliminam a necessidade de as mulheres dedicarem suas vidas à busca e transporte de baldes pesados de água para garantir água para suas famílias e capacitar as crianças a frequentarem a escola. A água limpa que entregamos também reduzirá a desnutrição, permitindo que as crianças percebam todo o seu potencial.”

Esta mesma organização, no entanto, refere que embora este projecto seja um marco fundamental que alcançamos para fornecer acesso à água, é o primeiro passo em uma jornada de 10 anos para fornecer a todos em Moçambique acesso sustentável à água limpa.

Projecto social alicerçado em dívidas!

Do que apuramos, na base de um artigo na Global Water Intelligence (GWI, 22 de Abril, publicado na página Linkedin da Operação Água http: / /bit.ly/Moz-GWI-OW dos 23 milhões de dólares que se espera investir cerca de 80% serão emprestados. O que não deixa de chamar atenção  sobre os contornos equacionados para pagar esta dívida, considerando que projectos de fornecimento de água potável às populações pobres [que parece ser o foco da Operation Water], geralmente, não são rentáveis.

 

Aliás, no site desta organização [http://www.operationwater.org], criada em 2006, consta como missão da mesma “ entregar soluções de água limpa para o maior número de pessoas necessitadas, com o menor custo por pessoa, desenvolvendo projectos de infraestruturas sustentáveis e escaláveis. O acesso à água limpa ajuda a garantir um caminho para mitigar a mortalidade e a morbidade, aliviando a desnutrição, a desigualdade de gênero e as disparidades nas oportunidades econômicas.”

 

A pergunta que impõe: será deste grupo alvo que virá o desembolso dos pouco mais de 18 milhões e 400 mil dólares, o correspondente a pouco mais de 1 bilião de meticais?1

 

Todavia, os donos do projecto  explicam que “a dívida virá de uma combinação de financiamento do desenvolvimento e agências de crédito à exportação, com ênfase em comprometer o mínimo de capital possível”.

No site retromencionado, esta organização americana, sedeada em New York e que se assume filantrópica, movimentando de 51 a 200 funcionários, agradece às partes envolvidas. “Obrigado à AIAS, ao Ministério das Obras Públicas e ao governo de Moçambique pela oportunidade de desempenhar um papel de liderança no desenvolvimento do setor hídrico. Também gostaríamos de agradecer especialmente aos nossos parceiros, somos eternamente gratos pelo apoio deles. Agora vamos levantar 23 milhões de dólares e construir esses projectos!”, finalizam na sua comunicação sobre a “Operação Água”.

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