Preto & Branco

Para fazer face aos terroristas em Cabo delgado

Militares portugueses em apoio às FDS

O parlamento português exige esclarecimentos sobre a situação de conflito em Cabo delgado, província nortenha de Moçambique, por razões histórico-políticas e militares, visto Portugal ter anunciado o envio de 60 militares para formar membros das Forças de Defesa e Segurança (FDS) e optimizar a sua acção contra os terroristas que já ceifaram a vida de mais de 2 mil pessoas e deslocado mais de 700 mil.

O parlamento português aprovou, na sexta-feira última, o requerimento do partido CDS para a audição do ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, sobre os ataques terroristas na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, e a presença portuguesa na região.

“Nos últimos dias a situação agravou-se de forma substancial, evoluindo para um verdadeiro clima de guerra civil, com todas as consequências daí decorrentes”, lê-se no texto dos centristas, lembrando também que “recentemente o Governo anunciou o envio de 60 militares portugueses para formar congéneres moçambicanos”, consta do documento apresentado e analisado pela Comissão de Defesa do parlamento luso.

Segundo publicado pela agência Lusa, no documento, entregue a 30 de Março, o CDS recordou que os sucessivos ataques que ocorreram na província moçambicana de Cabo Delgado, “por parte do grupo o Al-Shabab” – que tem filiação ao ‘braço’ em África do autodenominado Estado Islâmico do Iraque e da Síria – já causaram “milhares de mortes e mais de 700.000 deslocados”.

O CDS-PP considerou que o parlamento “não se pode alhear deste grave problema humanitário”, ideia vincada, na retromencionada sexta-feira Comissão de Defesa, pelo deputado centrista Pedro Morais Soares.

Na opinião do deputado socialista Diogo Leão faz sentido que se possa fazer um acompanhamento da situação “também do ponto de vista político”, através da audição do ministro, “em particular quando estarão em causa o empenhamento de militares portugueses além-fronteiras” no âmbito da cooperação entre os países.

Pelo PSD, o deputado Pedro Roque considerou o requerimento do CDS “absolutamente pertinente”, salientando a situação “particularmente grave” vivida na região “à qual a comunidade internacional deve dar a devida atenção, nomeadamente Portugal, até porque Moçambique é um país lusófono”.

João Vasconcelos, do Bloco de Esquerda, apontou que “é preciso não esquecer que Portugal foi uma potência ocupante daquela região e, portanto, impõe-se com certeza que haja ajuda, auxílio humanitário, tendo em conta a dimensão” do conflito na região.

A violência armada em Cabo Delgado começou há mais de três anos, mas ganhou uma nova escalada há mais de duas semanas, quando grupos armados atacaram pela primeira vez a vila de Palma, que está a cerca de seis quilómetros de multimilionários projectos de gás natural.

Os ataques provocaram dezenas de mortos e obrigaram à fuga de milhares de residentes de Palma, agravando uma crise humanitária em que já morreram mais de 2.500 pessoas e 700 mil pessoas estão deslocadas desde o início do conflito.

Vários países têm oferecido apoio militar ao Governo moçambicano para combater os terroristas, mas, até ao momento, ainda não existiu abertura para isso, embora haja relatos e testemunhos que apontam para a existência de empresas de segurança e de mercenários no teatro operacional norte.

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