Preto & Branco

Em Moçambique e Tanzânia

Terroristas planeiam ataque duplo

  • Revela a agência Pangeas-Risk e prevê uma nova evasão à vila de Palma

O grupo de terroristas que perpetra atrocidades em Cabo Delgado desde 2017 e a partir de 2020 com intervenções mais bélicas, poderá atacar as cidades de Pemba (em Cabo Delgado) e a cidade de Mtwara, no país vizinho Tanzânia, nos próximos tempos, se trabalho de inversão estratégica e contraofensiva não ganhar forma e intensidade. Por outro lado, este mesmo grupo de malfeitores, fortemente armado, planeia reeditar o assalto a vila de Palma, da qual foram escorraçados pelas FDS após tentativa de fixação no mês passado.

Uma investigação da agência de consultoria Pangeas-Risk divulgada por vários canais internacionais aponta que com a evacuação das multinacionais das zonas de conflito em Cabo Delgado, particularmente em Palma onde ocorre um dos maiores projectos de gás natural a nível mundial e consequentemente o desanuviamento da “segurança na região deixa a capital provincial, Pemba, e a cidade costeira da Tanzânia Mtwara expostos a mais ataques dos militantes nos próximos meses”, avança-se.

Com foco em Moçambique e Cabo delgado em particular, a consultora Pangeas-Risk considera que os terroristas, [que prefere os tratar por insurgentes], estão a preparar um ataque a Pemba e deverão, nas próximas semanas, insistir no controlo de Palma, por alegadamente estar vulnerável a novos ataques.

“Vai haver um vazio de segurança em Cabo Delgado no próximo mês, senão nos próximos, o que deixa quer Palma, quer outras localidades na província, expostas a mais ataques dos militantes”, prognostica consultora em nota informativa divulgada nesta semana.

Entrando em pormenores, refere a consultora: “As nossas fontes locais esperam um ataque à localidade de Quitunda, perto do local do projeto de Afungi, nas próximas semanas; um ataque destes colocaria pressão para que a guarnição de Afungi saísse da zona de segurança à volta do local da construção do projeto de gás natural liquefeito e mobilizasse para proteger as comunidades deslocadas e vulneráveis em Quintunda, talvez violando o acordo de segurança entre o Governo e a petrolífera Total”.

Os investigadores e analistas desta agência vincam que “mais ataques a Palma devem ser esperados nas próximas semanas, já que os insurgentes procuram recuperar o controlo do território e estender o seu controlo a norte de Mocímboa da Praia”.

 Avisos ignorados sobre ataque a Palma

Na análise em apreço, os analistas recordam que em Outubro de 2020 e em Março último, juntamente com outras consultoras de risco, alertaram para a probabilidade de um ataque a Palma e dizem que não foram ouvidos.

“A Pangeas-Risk escreveu dois avisos detalhados antes da ‘Batalha de Palma’ no norte de Moçambique, um em Outubro e outro 12 dias antes do ataque, mas os alertas foram ignorados nas vésperas de um dos piores actos de militância islâmica na África Austral”, refere-se na nota informativa retro mencionada.

Em meados do mês passado [Março], recordam os analistas, a cidade “enfrentava fome e via ataques diários aos postos de defesa, com infiltrações de militantes e sabotagem das provisões das forças militares”.

Nesta altura, concluem, “variados analistas de segurança dentro e fora de Moçambique já tinham emitido alertas de um ataque iminente à cidade de Palma, isolada e cercada, apesar de não haver nenhuma indicação de que as evacuações tenham sido lançadas pelo governo, embaixadas estrangeiras e empresas que operam na região”. As autoridades moçambicanas retomaram o controlo da vila de Palma, atacada a 24 de Março por grupos rebeldes, provocando dezenas de mortos e feridos, num balanço ainda em curso.

No entanto, os analistas desta agência esclarecem que o ataque de 24 de Março a Palma não teve a ver com o recomeço das actividades da Total, “foi sim o resultado de meses de preparação durante os quais houve amplos avisos sobre os ataques iminentes”, frisam.

Mocímboa da Praia ainda refém…

Num dos seus relatos, focalizados ao recrudescer dos ataques no ano passado, a agência anota que “em agosto de 2020, os militantes capturaram a cidade de Mocímboa da Praia e controlam-na até hoje; de uma perspectiva estratégica, o controlo de Mocímboa da Praia deu aos insurgentes uma base para lançar ataques a outras cidades” e a 7 de Março capturaram Nonje, o posto fronteiro com a Tanzânia, “isolando efectivamente Palma a norte e a sul, e a leste e oeste, passando o barco de Pemba a ser o único caminho possível”.

Os grupos armados aterrorizam Cabo Delgado desde 2017, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo ‘jihadista ‘ Estado Islâmico, numa onda de violência que já provocou mais de 2.500 mortes e 700 mil deslocados.

O ataque a Palma levou a petrolífera Total a abandonar por tempo indeterminado o recinto do projecto de gás em construção na península de Afungi, com início de produção previsto para 2024 e no qual estão concentradas as grandes expectativas de crescimento económico e desenvolvimento de Moçambique nos próximos tempos.

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