Preto & Branco

Augusto Real:

Um artesão oriundo de Cabo Delgado

Um dos membros Associação Artesanato MBingué, em formação na cidade Beira,  com o qual chegamos à falar para saber um pouco do seu perfil , através de breves perguntas, chama-se Augusto Real e é natural de Cabo Delgado, pessoas de idade avançada, mas carrega consigo sonhos e tem visões claras sobre o que pode-se fazer para apoiar a classe artística e artesãos, em particular. Siga a entrevista.

Quem é Augusto Real?

Augusto Real sou eu, sou artista, oriundo de Cabo Delgado, distrito de Namula, casado e com quatro filhos.

Quando iniciou a sua carreira artística?

Comecei a carreira artística em 1987.

O que podemos encontrar nas suas obras?

Nas minhas obras podem encontrar barcos, colares, girafas, brincos, anéis feitos de forma artesanal, além de quadros de madeira e vasos.

Para fazer estes tipos de figuras, qual tem sido a inspiração?

A minha inspiração vem de Cabo Delgado, onde aprendi dos mais próximos na altura. A minha fonte de inspiração é Antonio Ernesto, um grande escultor de Cabo Delgado.

Já participou em alguma exposição de arte?

Nunca como tal. Tenho participado apenas a nível provincial, na Beira, e quando for nacional a província tem enviado um artista com amostra de peças de cada um de nós

Das peças desenvolvidas quais delas chamou a sua atenção?

O Barco de Vasco da Gama. Porque o barco de Vasco da Gama remota à expansão europeia, a fase de descobrimentos, principalmente de Moçambique. Ė um barco sem motor por isso é chamado Caravela.

No seu dia-a-dia, quais são os desafios?

Para ser artista precisa de espaço para idealizar uma dada obra, não basta acordar e construir. Então, durante a noite tem sido uma oportunidade para pensar o que irei esculpir no dia seguinte, o trabalho do artista não é fácil.

Olhando para as suas vendas correspondem às expectativas?

Sim. Temos preços variados e dos poucos que visitam nesta altura pelo menos dá para comprar alguma coisa.

Qual é o seu  grande sonho?

O meu sonho é mandar os meus filhos à escola, ensinar a arte. Veja que a minha idade já foi-se embora. Gostava que os meus filhos aprendessem a arte para dar continuidade, localmente não há escolas/ ou centros de formação em arte basta nós morrermos será o fim, não devia ser assim.

Estão filiados numa Associação?

Não, mas como vê estamos agrupados e antes andávamos espalhados e neste momento está em processo a legalização da nossa Associação.

Como tem sido a vida da associação no âmbito da Covid-19?

Ficamos muito afectados mas antes conseguíamos alguma coisa.

Conta com apoio do governo?

Não, se o governo fizesse algo no mínimo podia minimizar o sofrimento, estamos completamente esquecidos. Aparentemente não contribuímos em nada na vida social, as nossas obras são a identidade de um país, passamos a mensagem pela arte.

O que gostava que o governo fizesse pela cultura?

No mínimo devia haver um fundo dedicado para os artistas, fornecimento do material (madeira), há falta de madeira para esculpir, por falta de dinheiro, consequentemente ficamos parado.

Últimas considerações?

Precisamos de apoio na compra de material e instrumentos utilizados no processo de produção de arte, seria vital sermos reconhecidos pós a maioria não sabe como tem sido feito o trabalho.

Seria importante haver centros de formação em artes para abrir a mente dos mais novos para garantir a continuidade sob risco de um dia partirmos com a nossa arte.

 

 

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