Preto & Branco

Na cidade da Beira

Artesãos “choram” por melhores dias

 Os artistas artesanais residentes da Beira, mas de varias origens nacionais estão empenhados de melhorar a sua organização e estabelecer sinergias para melhorara os seus negócios, de neste momento a sua única montra é a rua. Um dos grandes passos foi constituir-se em associação, mas que ainda precisa de pés para andar.

Num breve contacto com o presidente da embrionária Associação Artesanato MBingué, Julião José De Sousa, soubemos que a mesma é fundada por artistas artesanais que, diariamente, concentram-se na terminal de barcos turísticos, vulgo Náutica, para expor e vender suas obras.

Considerando que a principal reclamação desta c\asse artística é o fraco mercado, que se reflecte na venda cada vez reduzida de suas obras, questionamos sobre as eventuais soluções.

“Penso que devíamos ter um ou vários empresários que a nível nacional recolhessem as obras de arte a nível provincial para comercializar no estrangeiro. Os estrangeiros são os principais clientes, por exemplo, aquando do “Idai” vendemos muito e bem, porque vários estrangeiros andaram por aqui e compravam”, referiu.

Questionado se o empresariado não está interessado na comercialização da arte, respondeu: ”Eu sempre pensei assim, se a madeira é comercializável porque não a arte? Veja por exemplo a falta de escolas/centros de formação em arte localmente, podemos concluir que muitos não preferem por falta de mercado”, considerou.

Sobre apoios a nível das estruturas locais, Julião De Sousa disse que “no princípio o município organizava feiras, na muralha, e vendíamos bem, mas depois íamos só para ficar nem vendíamos sequer uma peça”, lamentou, para de seguida, em relação a apoios a esperar por parte do Governo apontou que “uma vez esteve cá a ministra da Cultura visitou Beira e falou do selo, mas até então não está a acontecer nada. Veja que no passado passávamos uma declaração para os turistas levar para fora as nossas obras de arte, então, com o selo ia facilitar o nosso trabalho”, considerou.

Que desafios a Covid-19 vos coloca, questionamos e em resposta o nosso entrevistado disse: “a Covid-19 trouxe uma crise total para fazedores da Cultura, toda gente que sabe o que é arte, sabe dizer que quem a consome são estrangeiros. Com esta situação a movimentação é reduzida. Mas, continuamos aqui [Náutica] porque acreditamos que a situação um dia pode melhorar, não podemos desistir agora, estamos a vir de muito longe”, esclareceu, esperançoso.

 

 

 

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