Preto & Branco

Nos transporte públicos

Sistema “Famba” frustra passageiros

 Parte da população que aderiu e usa o sistema de bilhética eletrónica, vulgo “Famba”, a nível da cidade e província de Maputo, manifesta-se frustrada pelas falhas frequentes do sistema, que além de originar atrasos sistemáticos, efectua cobranças excessivas e caso não funciona e o passageiro não tenha dinheiro em mão é obrigado a abandonar o autocarro.

 Iniciado na primeira semana de Fevereiro último o Sistema de Bilhética Electrónica, introduzido pela Agência Metropolitana de Transportes de Maputo (AMTM), corporizado pelo cartão “Famba”, que tem em vista modernizar o processo de cobrança nos transportes urbanos de passageiros está sofrendo um revés, com utentes a reclamaram o mau serviço a ser prestado, ao ponto de alguns o abandonarem precocemente. Este sistema que está sendo implementado de forma faseada é avaliado em mais de 1 bilião de meticais e em uso por transportadores públicos de passageiros em mais de 40 rotas.

Mesmo antes de completar dois meses já ouvia-se lamentações e arrependimentos, pois, vezes sem conta os passageiros aglomeram-se na porta para que cada um passe o cartão na máquina instalada na entrada e posteriormente repassá-lo na saída, o que mostra-se difícil se se considerar que os autocarros andam muito cheios. Então, se esta modernidade, por parte visava ganhar tempo, neste capítulo regista-se retrocesso, pelo menos, nas rotas onde verifica-se muitas enchentes, que são a maioria.

João Cossa, que vive na Ponta de Ouro e logo nas manhãs desloca-se ao centro da cidade de Maputo para fazer compras para revenda, refere que “ vezes sem conta atraso na bicha do autocarro porque os que tem o cartão, como eu, temos que passá-lo antes de subir, acontecendo o mesmo em todas, perdendo-se muito tempo onde há muita gente. Várias vezes tive que tentar por 10minutos passar o cartão a dar falha, este sistema deve ter problemas sérios”, desabafou.

Se Cossa reclama pelos tempo, Maria Quimisse, residente na KaTembe, reclama ter sido subtraída valores elevados do seu cartão em relação a rota e distância percorridas.” Eu acabei abandonando o uso do cartão, porque por três vezes, por o machibombo estar muito cheio não consegui chegar a porta de saída antes da minha paragem, tendo usado a porta de entrada. Na viagem seguinte constatei que o dobro do valor que devia pagar foi cortado no cartão”, explicou, acrescentando que mesmas situações acontecem com familiares e conhecidos, “acabei abandonando e preferi voltar a pagar com dinheiro vivo”, esclarece.

Paulo Langa, outro utente com cartão “Famba” explicou que logo que iniciou o projecto, junto com colegas de escola e vizinhos aderiu ao sistema eletrónico para facilitar a gestão do dinheiro de transporte, mas cedo ficou decepcionado.

“Em Março estava na baixa e pretendia ir até a Malanga, mas como estava atrasado subi um autocarro, com o autocarro em andamento o sistema começou com falhas e o cobrador exigiu-me dinheiro vivo e eu como não tinha, mandou-me descer. Quer dizer, tive que continuar a pé e cheguei atrasado, então qual é a vantagem deste sistema?”, desabafou contrariado.

Pedro langa, ajuntou ainda que tem familiares que reclamam que várias vezes atrasam ao serviço devido as demoras dos autocarros, porque fica-se a espera do sistema funcionar ou porque as enchentes são demais e o autocarro de paragens longas,

Na verdade, estes depoimentos constituem a ponta do iceberg sobre as reclamações e frustrações deste novo sistema de bilheteira, cuja operacionalidade e eficiência funcional deve ser aprimorado e de forma que não prejudique o utente que , pretendendo poupar seu  dinheiro no uso de transporte preferiu aderir à bilhética electrónica.

Não conseguimos chegar à fala com a gestão da Agência Metropolitana de Transportes de Maputo (AMTM), pois, no contacto encetado, via telefone, explicaram-nos que a única pessoa que podia falar sobre o assunto é o coordenador do projecto, José Nhavotso, mas que encontrava-se indisponível.

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