Preto & Branco

Grande inovação para o mercado local

Jovem empreendedor apresenta sabão ecológico

“Kaia”, que nas línguas do sul do país significa casa, constitui a marca da iniciativa de produção cosmética, concretamente de sabão, do jovem empreendedor Moisés Azarias Manhice, que nascido em Inhambane está a cursar o quarto ano de Engenharia e Processos Industriais na Universidade Uni Zambeze, na província de Sofala, onde reside.  Já com o aval técnico científico da universidade já produziu algumas amostras, de sabão em bingo e líquido, gabando-se de ter como diferencial tratar-se de um produto ecológico e biodegradável e com cor azul que remete-nos as águas do mar,… mas falta-lhe financiamento para viabilizar a projecto cabalmente.

 Da conversa travada com este jovem de 22 anos de idade, apuramos que chama-se Moisés Azarias Manhice e que é oriundo da província de Inhambane, concretamente do distrito de Vilankulos, mas que sua mãe [já falecida] é natural da Beira, tendo passado a viver em Vilankulos, em virtude de casamento como o progenitor do Moisés.

Explica-nos que sua mãe era camponesa praticava a agricultura e também o comercio, enquanto o pai era potencialmente um comerciante que vende vestuário e calçado, de quem se inspira a sua veia empreendedora.

“Nasci numa família que tem lá um empreendedor que é o meu pai, inspiro-me nele. O meu pai faz conta própria a vários anos, dos seus ganhos consegue sustentar a família e esta habilidade foi uma luz para mim. Acredito que se meu pai tivesse uma formação académica faria muito mais. Por isso, que eu já na formação superior pensei, porquê não em fazer algo próprio, determinei que um dia eu também seria empreendedor”, conta o nosso entrevistado.

Questionado sobre a sua iniciativa e o nome “kaia” para o seu projecto, Moisés preferiu esclarecer primeiro acerca do nome, que além de estar ligado à utilidade caseira do produto, “associo este nome também ao facto de tratar-se de uma produção caseira e cuja matéria-prima é também caseira, estamos a falar do óleo residual.

Sobre a sua iniciativa empreendedora referiu que “o empreendimento tem como ramo a produção de sabão, neste caso cosmético, sabão em barras, bingos e detergentes, estando numa fase inicial diria que estamos diante de uma pequena empresa, porque ainda não comecei a produzir em massa e tenho vários desafios pela frente para expor o meu produto no mercado”, reconheceu.

Questionado sobre a opção do sabão e não de outro produto, o nosso entrevistado explicou que as características principais do seu produto foram motivadas pela actual situação do mundo e do pais, em particular, assolado pela pandemia da Covid-19. “ Na base da minha formação parei e pense: o que podia fazer para a sociedade, logo surgiu-me o sabão e que tem matéria-prima acessível no mercado”, fundamentou.

Posto à questão da validade científica da sua iniciativa, explicou que a ideia surgiu numa das visitas a Vilankulos, quando regressou à Beira abordou o seu docente e desvendou o mistério da sua iniciativa, que prontamente foi apoiada pelo docente, sendo que se seguia o projecto foi apresentado junto à reitoria da Uni Zambeze que deu-lhe luz verde para elaborar um plano de negócio.

Sobre o diferencial deste produto em relação a outros sabões que proliferam pelo mercado, o nosso entrevistado explicou-se; “O produto tem como finalidade a limpeza de superfícies, remoção de gorduras, limpeza corporal e também a limpeza de alumínio. Uma das características a destacar neste produto é que é de fabrico artesanal e comporta um detergente biodegradável, não está para poluir, mas sim para minimizar o impacto ambiental. Pois, a matéria-prima para a produção deste produto é um poluente ao meio ambiente, pelo que estou a beneficiar pela facilidade de aquisição, mas também poupando a poluição por um produto acabado. Por outro lado, o sabão tem a cor azul que me faz lembrar a cor da água da praia”, caracterizou Moisés.

Contudo ajuntou que “estou consciente que há vários concorrentes no mercado, mas lá está, o meu produto é biodegradável e ecológico, localmente não existe um igual essa já é uma vantagem para ampliar o meu mercado, mas para tal preciso de apoio para a concretização da empresa, financiamento e outras formas de parceria para poder produzir em quantidade e com a qualidade desejada”.

Na finalização da nossa conversa perguntamos o que era necessário para ser empreendedor, ao que respondeu: “Para ser empreendedor basta detectar um problema na sociedade e trazer uma solução, daí desperta o espirito empreendedor. A minha mensagem vai para quem quer ser empreendedor, primeiro, deve amar o que quer fazer, não olhar para si primeiro, mais sim para a sociedade, segundo, deve saber fazer para poder proporcionar um bom resultado a sociedade”, considerou.

Adicionar comentário

Leave a Reply