Preto & Branco

“Cem Anos de Solidão”

O livro “Cem Anos de Solidão”, do escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez, constitui um marco da literatura latino-americana. Retrata histórias entrelaçadas da família Buendía na mítica aldeia Macondo, onde o maravilhoso coabita o peculiar dia-a-dia da população local.

Neste que é um dos maiores clássicos da literatura, o prestigiado autor narra a incrível e triste história dos Buendía – a estirpe de solitários para a qual não será dada “uma segunda oportunidade sobre a terra” e apresenta o maravilhoso universo da fictícia Macondo, onde se passa o romance. É lá que acompanhamos diversas gerações dessa família, assim como a ascensão e a queda do vilarejo. Para além dos artifícios técnicos e das influências literárias que transbordam do livro, ainda vemos em suas páginas o que por muitos é considerado uma autêntica enciclopédia do imaginário, num estilo que consagrou o colombiano como um dos maiores autores do século XX.

O primeiro desafio da leitura deste livro é conseguir distinguir cada membro da família (até porque os nomes se repetem o tempo todo), recordar quem é quem e descobrir o que cada um representa. É quase obrigatório auxiliar-se de uma árvore genealógica; do contrário a leitura torna-se incrivelmente confusa e desgastante, mas é espectacular a capacidade de criação e a memorização da narrativa, como se tratasse uma abordagem bíblica

A narração é feita em terceira pessoa e acompanha cada familiar, geração após geração. A escrita de Gabriel Márquez é feita de forma tão intimista e desinibida que nos permite ter um olhar panorâmico sobre toda a família, nos apresentando as peculiaridades e as nuances de personalidade de cada um, suas motivações e ímpetos, seus medos e comportamentos repetidos.

Aliás, precisamos falar sobre Macondo. Baseada nas memórias de infância de Gabriel Garcia Márquez, Macondo reúne uma porção de curiosidades, mas a verdade é que ela não existe de facto. Sua trajectória marca, de forma crítica e politizada, a representação da Colômbia. As ditaduras e as guerras que arrasaram a América Latina, os regimes políticos, a vida militar, a repressão e a miséria causada por um governo ausente e abusado pelas grandes potências encontram ecos profundos nas palavras do autor em uma narrativa forte e muito comovente. Tudo isso permeia Macondo, muitas vezes através de símbolos requerendo certa sensibilidade para serem compreendidos, mas ali presentes e compondo toda a beleza de Cem Anos de Solidão.

 

É uma obra que vale a pena ler!

 

 

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