Preto & Branco

Black Bulis: uma equipa se inspira na formação do FC Porto para arrasar no Moçambola

A curta história da Associação Black Bulls principiou há cerca de apenas uma década (2008) e com apenas escalões de formação. Em 2018, os Touros introduziram os seniores, tendo logo no primeiro ano se sagrado campeões do Campeonato da Cidade de Maputo. Um ano depois, ou seja, em 2019, a formação sediada na província de Maputo deu o salto para a alta-roda do futebol nacional. Todas estas conquistas tiveram um dedo português, ou seja, Hélder Duarte, treinador que coordenada todos escalões de formação da equipa presidida por Junaid Lalgy.

 

A associação Black Bulls vive um perfeito estado de graça neste arranque da temporada. A formação de Tchumene soma 10 pontos em quatro jornadas, fruto de três vitorias e um empate, e lidera de forma isolada o Moçambola. Apesar do sucesso imediato alcançado, Hélder Duarte, timoneiro dos Touros, nem nos sonhos acreditava que estaria neste momento na liderança da prova máxima do futebol nacional.

“Não esperávamos estar na quarta jornada isolados na primeira posição. Queremos fazer um bom campeonato cientes das nossas capacidades e pelo que temos vindo a desenvolver nos últimos três anos. Pretendemos ser competitivos e ganhar todos os jogos, mas sabemos que isso não será possível porque temos equipas com muito valor e com maiores investimentos em relação ao nosso e, por outro lado, com ambições acrescidas. Mesmo com as nossas limitações ninguém vai nos tirar a vontade de trabalhar e de querer ser melhores”

Liderar o Moçambola não muda os planos traçados pela direcção da Associação Black Bulls nesta primeira aparição no convívio dos grandes do futebol nacional. Entrar em campo para arrasar e fazer as contas no final do campeonato são os objectivos imediatos da ABB e de Hélder Duarte.

“Temos objectivos traçados e que passam por entrar em campo para vencer desde os iniciados até os seniores. Não é por sermos primeiros que vamos mudar o chip e objectivos. O nosso objectivo é jogo a jogo e depois no final faremos as contas. No nosso balneário a tabela esta invertida para os jogadores não entrarem em euforias com a posição que ocupamos. Estamos preocupados em devolver jogadores e potencia-los porque nunca ninguém foi campeão na quarta jornada.

Os maiores clubes do mundo têm a formação como alicerce. Em Moçambique, a ABB tem os seus pilares assentos na formação, tendo conseguido a médio prazo resultados imediatos.

“Não escolhemos o atleta por mero acaso. Identificamos o talento e os jogadores para aquilo que é a nossa ideia de jogo. Há processos contínuos que partem dos iniciados até aos seniores, uma vez que os jogadores já pensam na nossa forma de jogar. Só para se ter uma ideia, o nosso quarteto defensivo no jogo contra o Ferroviário está a três anos connosco. São jogadores que conhecem a nossa dinâmica de jogo e sabem o que queremos, ou seja, são atletas que conhecem a nossa metodologia de treino e princípios. Não formamos só atletas, queremos contribuir para a formação do homem. Para quem já prestou atenção nos nossos jogos nenhum jogador deixa papel e recipiente de água jogados no chão. Temos princípios e regras de conduta”.

Hélder Duarte não prometeu uma equipa capaz de arrasar os adversários e jogar ao triplo, mas nas primeiras quatro jornadas venceu as primeiras três jornadas com nota artística e jogou de peito aberto com sempre candidato Ferroviário graças a um futebol sustentado nas ideias das camadas bases do FC Porto.

“Trouxemos uma ideia de jogo usado nos escalões de formação do FC Porto e tentamos introduzir essas ideias aqui na ABB. Tivemos uma vantagem de chegarmos cá e iniciarmos o projecto e isso foi importante para implementamos as nossas ideias. O nosso trabalho é transversal, ou seja, ele começa nos sub-10 e vai até aos seniores. Eu sou treinador dos da equipa principal e dos sub-17. Os atletas da ABB que estiveram na Taça COSAFA trabalharam comigo. Temos ainda o Inácio que treina a equipa B e os sub-13. Ter uma boa formação na base é importante para os aspectos que queremos desenvolver nos seniores e pelos vistos está a dar resultados”.

Moçambique conquistou em Dezembro último a Taça COSAFA, por sinal pela primeira na história e o grosso dos jogadores faz parte da formação da ABB. Hélder Duarte, sem esquecer o selecionador nacional, divide os louros com outras equipas que, na sua opinião, trabalham seriamente na formação.

“O mérito não é só da ABB. Em Moçambique há clubes que apostam na formação. O Ferroviário de Maputo e o Ferroviário da Beira tem trabalhado muito na formação de jogadores. Esses dois clubes têm bons jogadores e até temos alguns jogadores que pescamos neles. Há muita qualidade na formação em Moçambique. A formação acarreta custos. Temos uma academia que nos permite ter 50 atletas de todas as províncias graças ao trabalho de caça de talentos que fizemos, mas são custos elevados, uma vez que a alimentação, hospedagem e escola e o clube quem paga. Os pais desses atletas confiaram-nos de formar o homem do amanhã. Quanto mais equipas apostarem na formação as nossas selecções terão sucesso”.

O grosso dos treinadores nacionais sempre reclamou da qualidade do jogador moçambicano, declarando que o mesmo chega aos seniores com viárias lacunas. Duarte comunga da mesma ideia, mas deixa um reparo. “ Temos que aceitar essa realidade e procurar os factores que contribuem para isso. Há que olhar a qualidade dos campos e a qualidade dos treinadores que trabalham na formação. Venho da formação do FC Porto e todos sonhávamos um dia chegar a equipa principal, mas os melhores devem trabalhar na formação e isso exige investimento. Trabalhamos em condições ímpares. Brevemente teremos quatro campos com relva natural e um sintético e isso obriga-nos a fazer melhor que os outros.

Ao cabo de quatro jornadas, o presidente da República suspendeu o Moçambola devido a curva ascendente dos números de infecções e óbitos. Esta interrupção vai, de certa forma, quebrar o ritmo das equipas no ponto de vista do treinador procura “beber” de muitos treinadores, para ser um treinador rico, não esquecendo os seus compatriotas José Mourinho, Sérgio Conceição, Luís Castro, Ruben Amorim e Jorge Jesus que são treinadores de classe mundial. “Ficamos quase um ano sem competições. Começamos a trinar para o Moçambola e agora a prova esta suspensa é obvio que esta paragem vai quebrar o ritmo das equipas. Agora os atletas treinam em casa e com isso não temos como desenvolver as suas capacidades”.

Se por um lado, reconhece as lacunas evidenciadas pelos jogadores moçambicanos, por outro, o técnico que considera o Ferroviário de Maputo e Costa do Sol como as equipas mais difíceis daquelas que já defrontou, defende que a selecção é quem sairia beneficiada com a qualidade e competitividade do Moçambola.

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