Preto & Branco

Sequestro do empresário Manish Cantilal

Manobras inviabilizam arranque de julgamento

Depois de fracassadas tentativas de transferência do processo sobre o sequestro do empresário Manish Cantilal para a província de Maputo, foi inviabilizado o arranque do julgamento no Tribunal Judicial da Cidade de Maputo (TJCM), nesta segunda-feira, 8 de Fevereiro, por abandono da sala de audiência dos advogados de defesa.

Foi adiado nesta segunda-feira, por sete dias, o arranque do julgamento sobre o rapto do empresário Manish Cantilal, uma decisão tomada pelo juiz do caso, Efigénio Baptista, devido a ausência dos advogados dos três arguidos, dentre eles duas mulheres. Alegação: atraso da chegada dos arguidos!

A sétima secção do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo (TJCM) tinha agendado para segunda-feira desta semana o arranque do julgamento de três arguidos acusados de participação no rapto de Manish Cantilal, em Fevereiro do ano passado. A decisão de Efigénio Baptista, juiz que julga o caso, foi tomada devido à ausência da defesa dos arguidos.

“O julgamento foi marcado para às 10 horas e não para as 8 . E os advogados dos réus permaneceram nas instalações do tribunal, das 10 até as 11h30, conforme o requerimento. Depois disso abandonaram o tribunal. Foram-se embora. Eu entendo que isso não é normal, para os advogados, todos em conjunto, fazerem o requerimento, justificando que a viatura que leva os arguidos demorou”, lamentou o juiz Baptista.

Pretendo denunciar, nas entrelinhas, haver manobras para inviabilizar-se o julgamento na sua jurisdição, o juiz, falando à imprensa, revelou que a defesa dos três arguidos, por três vezes, pediu a transferência do caso para um outro tribunal [em alusão ao Tribunal Judicial da Província de Maputo] que parece terreno fácil para os causídicos dos réus.

“Mas é aqui na cidade de Maputo onde o rapto ocorreu. Na avenida Ho-Chi-Min. E o caso foi depositado nesta secção [7ª]”, justificou o juiz Baptista, que revelou ter sido considerada improcedente a pretensão dos defensores.

O empresário tinha sido raptado em Fevereiro do ano passado, sendo que o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) resgatou Cantilal em Maio, 92 dias depois de ter estado no cativeiro.

No dia do resgate, Cantilal narrou os maus-tratos que sofreu, apontando que foi “amarrado na boca, pescoço e membros, depois mergulhado por várias vezes num recipiente contendo água”, sofrimento que se alastrou por três meses.

Mesmo perante as manobras evidentes de transferir este processo para fora da alçada da cidade de Maputo, por razoes pouco claras, o juiz remarcou o arranque do julgamento para a próxima segunda-feira. Este julgamento é esperado com muita expectativa, na esperança de que esclarece-se como actuam estas redes e os respectivos mandantes, pois, remotam de 2013, com incidências altas e baixas, o que vislumbram tratar-se de uma rede de criem organizado, que tem como grupo alvo-principal empresários de origem asiática. (Redacção)

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