Preto & Branco

Com a morte de Bang

Perde-se um ícone do showBiz

Por: Guêzy Tembe

Com a perda da vida, na madrugada desta segunda-feira, de Adelson Mourinho, conhecido por Bang no meandro musical e do entretenimento, perde-se, sem dúvidas, o mais referencial ícone no que a produção, promoção e divulgação da actual vaga de músicos moçambicanos diz respeito.

Adelson Mourinho (Bang), de 41 anos de idade – fundador da Bang Entretenimento e do canal televisivo Strong Live, além de progenitor e patrono do projecto de promoção de talentos musicais, Âncora –  perdeu a vida quando encontrava-se internado num hospital de Joanesburgo, África do Sul, padecendo de um tumor no estômago fazia meses.

Os cuidados médicos intensivos nos quais estava sujeito eram delicados e onerosos o que levou a esposa do malogrado (a cantora Lizha James), amigos e familiares iniciaram uma campanha de angariação de fundos para conseguir a solicitada quantia de um milhão de randes (cerca de 5.100.000 milhões de meticais) para custear as despesas do tratamento da doença.

Em Dezembro, quando o quadro clínico do produtor e promotor musical se agravou, a Bang Entretenimento e a televisão Strong Live, suas empresas, emitiram um comunicado a indicar que a situação era delicada e que Bang já se encontrava internado desde Agosto, mas que o tormento da doença se arrastava havia um ano.

A fatídica notícia, da sua perda, chegou-nos publicamente na manhã desta segunda-feira, enchendo de consternação à sociedade moçambicana, no geral, e particularmente o segmento cultural e musical.

Parte do legado

Nascido em Quelimane, capital da província da Zambézia, o malogrado destacou-se na produção de talentos juvenis na área musical e na promoção de espetáculos de cantores na primeira década deste século XXI, cujos artistas produzidos e promovidos marcam estas duas últimas décadas.

Um dos mais activos produtores e promotores musicais do país, na primeira década e segunda década do seculo XXI, sobretudo para a camada jovem, Bang criou a Bang Entretenimento, que se dedica ao ShowBiz, com a organização e promoção de eventos culturais, com destaque para a música moçambicana feita por artistas da nova geração.

Basta referenciar que músicos então emergentes, agora consolidados, tais como Valdimiro José, Dama do Bling, Doopaz, Zico, Denny OG, Marlenne, a própria esposa Lizha Jamese dos nova vaga, com sucesso visível, tais como Valter Artístico, Celso Notiço, Loyd K, Simone Silva,  fazem parte das “obras” do Bang.

 

Este há-de ser uma pequena amostra, pois, com o projecto Ancora, mais artistas foram produzidos e promovidos, além de grupos de dança de musicais.

Com um longo percurso no campo do entretenimento, o também empresário, Bang organizou também espectáculos de cantores angolanos no país e promoveu muitos músicos moçambicanos além-fronteiras. Somente para citar o que o radialista seu contemporâneo Dino Cross disse: “Ele investiu muito na exportação dos artistas com quem trabalhou e com que as músicas dos seus artistas pudesse passar no maior canal da altura, o Channel O. A partir dessa altura, a música moçambicana passou a ter visibilidade internacional”.

Um dos seus últimos investimentos foi a criação da televisão Strong Live e sua entrada na produção de vídeos e pequenas curtas-metragens, caminho que apostara seguir, não fosse esta interrupção brusca da sua caminhada pela vida.

Fica nos anais da história da música e do entretenimento nacional que Bang, junto com a sua esposa, a viúva Lizha James,contribuiu para o fortalecimento da indústria musical e do enriquecimento das produções musicais no país.

Lizha James, sua esposa, cantora referencial no país, com que casou em 2010, criou com seu auxílio e patrocínio a Lizha Só Festas, empresa vocacionada em proporcionar música e entretenimento a crianças.

As nossas condolências à esposa e filha, extensivas a todos membros da família enlutada. Descanse em paz Bang!

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