Preto & Branco

Alegadamente torturado até a morte pelas FDS

Matequenha era “parceiro” de Nhongo

O ex-deputado e antigo delegado político da Renamo na província de Manica, Sofrimento Matequenha, cujo corpo foi encontrado sem vida, pode ter sido alvo da perseguição cerrada das FDS ao general Mariano Nhongo e seus aliados nas peripécias politicas e militares com a sua autoproclamada Junta Militar da Renamo.

Fontes próximas ao “dossier” Mariano Nhongo ligadas à secreta moçambicana garantem que Sofrimento Matequenha constava da lista nas mãos das Forças de Defesa e Segurança (FDS) como um dos aliados de Mariano Nhongo. Aliás, aponta-se que muitos dos que eram próximos e muito leais a Afonso Dlhakama e aparentemente isolados por Ossufo Momade apoiam as incursões de Mariano Nhongo e as paixões de Matequenha por Nhongo era deveras conhecida, inclusive dentro da Renamo.

Sequestrado passam duas semanas, em sua casa, seu corpo já sem vida e com sinais de tortura foi encontrado no interior das matas do distrito de Gondola, no interior da província de Manica.

Segundo relatos veiculados pela Voz da América (VOA), esta semana, o corpo do politico foi encontrado em Pindanganga, distrito de Gondola, numa zona que é palco de confrontos entre as Forças de Defesa e Segurança (FDS) e os dissidentes da Renamo, a autoproclamada Junta Militar.

E o local onde foi encontrado o corpo abandonado e sem vida fica a cerca de 60 quilómetros de onde foi reportado o sequestro.

Na verdade, o corpo de Matequenha foi descoberto na quinta-feira (24 de Dezembro), um dia antes do Natal ou Dia da Família, por camponeses, mas a informação só chegou aos familiares no dia 26 de Dezembro (Sábado), clarificando que o ex-deputado apresentava sinais de tortura.

“Recebemos informações que na quinta-feira [24 de Dezembro] foi descoberto um corpo, que estava de calcões, com os pés inchados – sofreu bastante, foi castigado, foi torturado – e as características que me deram coincidiam com as do meu pai”, é citado pela VOA, o filho do político ora morto, Almirante Matequenha,

Após a denúncia, a filha do antigo deputado foi enviada para o local com uma fotografia, o “que viria a se confirmar que era o corpo do meu pai”, disse Almirante.

Quando os camponeses encontraram o corpo procuraram por familiares e, não tendo encontrado, enterraram o corpo” num cemitério, acrescentou o filho do político.

Como o corpo de Matequenha foi encontrado numa zona com forte presença das Forças de Defesa e Segurança (FDS) a família prefere fazer a exumação perante a presença policial para o devido registo e testemunho do estado do finado.

Suspeitas sobre as FDS …

Aquando do rapto deste antigo deputado da Renamo e delegado político num Domingo, 13 de Dezembro, fontes familiares oculares revelaram que o mesmo foi raptado por homens com farda da Polícia, na sua residência, no bairro Nhamaonha, cidade de Chimoio, província de Manica.

Segundo apuramos e publicamos em edição anterior, o rapto deu-se no início da noite de Domingo (13 de Dezembro) por homens armados, em número de 10, vestidos com a farda da Policia moçambicana.

Citada pela agência Lusa, a esposa deste quadro sénior da Renamo e antigo deputado, Lurdes Inácio, revelou que um grupo armado e vestido com fardas policiais invadiu a casa da vítima, ao cair do sol, no bairro Nhamaonha, um subúrbio de Chimoio, na província central de Manica, tendo levado-o numa viatura de cor preta e com vidros fumados para parte incerta.

“Começaram por bater o portão e de repente vi polícias armados com AKM a saltar o muro para o quintal, e o meu marido estava na varanda, quando deram ordem para irem juntos e vedaram os seus olhos com um pano, voltaram a saltar o muro e o lançaram no carro”, explicou Lurdes Inácio, que suspeita que o caso possa ter motivações políticas.

“Eram cerca de 10 polícias armados e tinham cercado a casa. Eu perguntei ‘vocês são da Polícia, do SISE (secreta) ou do SERNIC’, mas eles negaram responder” acrescentou, adiantando que o marido vinha sofrendo perseguição política.

PRM ficou indiferente

Por sua vez, Silva Matequenha, irmão da vítima, também citado pela Lusa, que não descarta motivações políticas no rapto, disse que após o incidente contactou as duas esquadras mais próximas da residência da vítima, mas não obteve resposta do paradeiro do irmão.

“Fui à primeira esquadra e depois à segunda esquadra e diziam que não estava lá e que devia se dirigir à terceira e quarta esquadra, mas estas ficam fora da jurisdição do local do rapto, então percebi que é um jogo”, frisou Silva Matequenha, adiantando que desde o rapto “ninguém ainda encontrou em contacto”.

Entretanto, a Polícia da República de Moçambique (PRM), em Manica negou qualquer ligação com o rapto e aconselhou a família a apresentar queixa na esquadra mais próxima da residência.

“Até este momento a PRM em toda a província de Manica não recebeu nenhuma denúncia, dando conta do rapto de um quadro sénior da Renamo, e aconselhamos a família a apresentar queixa numa subunidade policial para se encetar diligências a fim de restituir a liberdade deste cidadão”, disse Mário Arnaça, porta-voz da Polícia de Manica quando abordado antes da descoberta do corpo sem vida.

Contudo, negou a participação de agentes, sustentando que os raptos não são “missão da Policia” porque a instituição existe para “garantir a ordem e tranquilidade pública de todo o cidadão independentemente da sua filiação política”.

No entanto, semanas antes, o líder da Junta Militar, Mariano Nhongo, denunciou o rapto do filho, nora e netos em Nhamatanda (Sofala) e Chimoio (Manica) por pessoas que usavam a farda da PRM, mas a corporação negou igualmente a autoria.

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