Preto & Branco

O Ano em Retrospectiva

Fazendo uma retrospectiva do ano prestes a findar, importa destacar, do meu ponto de vista, alguns aspectos que marcaram a actualidade nacional:

  1. Janeiro de 2020: Tomada de posse do Presidente da República para o segundo mandato. Na ocasião, Nyusi prometera uma equipa governamental jovem e preparada para ‘correr’ com vista a materialização do seu manifesto eleitoral.

 

  1. 11 de Fevereiro de 2020: Durante um comício na cidade de Pemba, aquando da realização da sessão do Conselho de Ministros naquela cidade, o Presidente da República anunciava a morte de Kalungano, Lilinho Micaia – Marcelino dos Santos. Nacionalista de primeira água e veterano da Luta de Libertação Nacional, dos Santos representava a nata intelectual do ideário libertário do espaço português em África. Tinha conhecido e privado com Cabral, Neto, o Rei Hassan II de Marrocos, etc.

 

  1. 17 de Fevereiro de 2020: Morria em Lisboa vítima de doença, Mário da Graça Machungo. Para além de diversas pastas de ministeriais, foi o primeiro Primeiro-Ministro de Moçambique durante a administração Chissano.

 

  1. Março de 2020: Como resultado do alastramento da Covid-19 pelo mundo e do número de óbitos cada vez mais crescente e respondendo aos apelos emitidos pela OMS, pela primeira vez da História de Moçambique, o Presidente da República decretou o Estado de Emergência que foi renovado por três ocasiões. Na altura, os moçambicanos, num cômputo geral, acataram as medidas restritivas impostas pelo decreto presidencial. Vivia-se um medo generalizado pelo número de óbitos que registavam no mundo dito desenvolvido. A meio havia projecções catastróficas para a África devido aos problemas sobejamente conhecidos, tais como a ausência duma infra-estrutura sanitária fiável, pessoal qualificado e medicamentos. Na verdade, antevia-se um apocalipse no continente. Ainda bem que pelo menos, até ao momento, tais vaticínios não se concretizaram apesar do crescente desprezo pelas medidas de prevenção de teorias infundadas de que os africanos são resistentes à Covid-19 inclusivamente vindas de pessoas com alguma instrução.

 

  1. A partir de Abril de 2020: A ousadia e capacidade de incursão dos terroristas nos distritos do norte de Cabo Delgado intensificam-se. Em acções aparentemente coordenadas, atacam simultaneamente vários distritos, sendo que nalguns chegam a ocupar as vilas-sede por dias consecutivos. As migrações forçadas de centenas de milhares de pessoas assumem proporções de grave crise humanitária. A resposta das agências humanitárias não parece coordenada numa primeira fase e bastante incipiente. O número de mortos pela acção bárbara dos criminosos é bastante disputado, dependendo das fontes. Mas o facto é que ascende a mais de dois milhares. Há uma clara fragilidade táctico-operativa das Forças de Defesa e Segurança que, apesar do apoio de mercenários (nunca aceite publicamente pelo governo), parecem estar a perder campo para os terroristas.

 

(Continua)

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