Preto & Branco

Ex-guerrilheiros da Renamo em Inhambane

Entre exclusão e oportunismo no DDR

Numa altura em que declara-se que os ex-guerrilheiros da Renamo que estavam estacionados em base na província de Inhambane foram todos desmobilizados, surge um grupo que reclama exclusão e reivindica estar sedeada em outra base. Mas, a RENAMO, a nível central, assevera que já não tem nenhuma base na zona sul do país e que trata-se de oportunistas devido as benesses do processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR).

Segundo veiculado pela DW Africa, os antigos guerrilheiros da RENAMO que alegam terem sido excluídos do processo de Desarmamento, Desmobilizaçao e Reintegração Social (DDR) na província de Inhambane, encontram-se na base de Catine, no distrito de Homoine.

Depois de terem saído da base de Makauleza, no mesmo distrito, na segunda fase do conflito da guerra civil movida pela RENAMO, dizem ter recebido a promessa do falecido líder deste partido, Afonso Dhamaka, de que deviam esperar pelo aguardado processo de desmobilização.

Citado pela fonte retromencionada, José Atanásio Macamo, que se assume responsável por mais de dois mil guerrilheiros em Homoine, explica:. “Nós estávamos lá em Makauleza. O nosso presidente, Afonso Dhakama, disse para ficarmos à espera da desmobilização. Até agora, não apanhamos a desmobilização. Disseram que talvez no próximo ano vamos desmobilizar. Já esqueceram de nós”, considera.

Adiante, José Atanásio Macamo acusa o actual líder da RENAMO, Ossufo Momade, de não fazer cumprir o que foi prometido por Afonso Dhakama, deixando de fora milhares de guerrilheiros. “Tinha que nos recolher, enquadrar e desmobilizar. Talvez, estão a levar seus familiares a serem desmobilizados, mas muitas pessoas estão lá”, vinca.

Outro que se considera também ex-guerrilheiro da RENAMO à espera de enquadramento no “processo DDR”, responde pelo nome de André Arnaldo Savanguane que aponta que chegou a deslocar-se ao centro de desmobilização de Vilankulo juntamente com outros colegas para saber se os seus nomes estavam nas listas. Mas foram informados que deviam ainda aguardar, situação que se arrasta e consigo o cansaço de viver no mato. “Fui a Pambara e disseram: ‘vocês devem esperar na lista, aqui não tem a vossa lista’. Fizemos tantos registos, mas ainda o resultado não saiu. Queremos estar em casa com a nossa família”, manifestou-se agastado.

Não estando claro se ainda existem ex-guerrilheiros da Renamo por integrar no DDR ou o anúncio do encerramento do processo naquela província, refere-se simplesmente ao processo de registo, trata-se de uma situação por aclarar para futuramente não eclodirem nichos de conflitos.

Pois, ainda segundo a DW Africa, um outro  antigo guerrilheiro  da RENAMO, conhecido por Duzentas Chango, diz que foi deixado por Afonso Dhakama na base de Pembe, no distrito de Homoine, e nunca saiu para outro lugar à espera da desmobilização. Mas agora, precisa de uma explicação sobre as listas e o fim das bases no âmbito do processo de DDR.

“Agora, quero ser desmobilizado também como os outros. O falecido Dhlakama deixou-me aqui e não vou a nenhum sítio, estou aqui. Por isso, nós temos essa preocupação de saber: Essas listas, como é que terminou?”, questiona.

No entanto, o Chefe Nacional-adjunto de desmobilização dos guerrilheiros da RENAMO, Domingos Gundana, disse à DW África que ficaram apenas por integrar pouco mais de 100 guerrilheiros ao nível nacional, facto que ainda deixa dúvida sobre o real número a desmobilizar neste processo. “As pessoas estão a ser oportunistas. Eu entendo que muita gente pensa nesse DDR como uma oportunidade. Não temos base no sul. Mesmo em Sofala, só ficou a Gorongosa que vai entrar para a desmobilização”, vincou.

Até ao momento, já foram desmobilizados 1.490 homens armados da RENAMO no âmbito do DDR em todo território nacional, como anunciado pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, de uma lista com nomes de 5.221 guerrilheiros que teria sido entregue pelo falecido Afonso Dhakama à equipa de contato no processo de paz e particularmente no referente ao DDR.

 

 

 

 

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