Preto & Branco

Ao diálogo sem pré-condições para fim do conflito na zona centro do país

General Nhongo fragilizado “rende-se”

O líder da autoproclamada Junta Militar da Renamo, Mariano Nhongo, depois de cerca de um ano de arrogância e inflexibilidade para um diálogo franco para pôr fim aos ataques que fomenta na zona centro do país e, mais recentemente, ao desrespeito a uma trégua avançada pelo Presidente da Republica, Filipe Nyusi, as Forças de Defesa e Segurança (FDS) apertam-lhe o cerco, e neutralizam alguns seus colaboradores directos, que Nhongo os considera sequestrados. Perante esta situação, agravada com a fuga de certos “quadros” seus para o processo de Desmilitarização, Desmobilização e Reintegração (DDR), vem a público aceitar dialogar, inclusive, aceitou a mediação do representante do Secretário Geral das Nações Unidas em Moçambique, que outrora desprezara, para interceder junto ao Governo, avançando já ter uma equipa disponível o almejada diálogo.

O dissidente general da Renamo, Mariano Nhongo, que através da autoproclamada Junta Militar fomenta saques e incursões militares contra civis na zona centro do país, nomeadamente em Manica e Sofala, a pretexto de o acordo de paz e reconciliação assinado, em Agosto de 2019, pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, e pelo presidente da Renamo, Ossufo Momade, não respeitar a vontade do falecido líder daquele partido, Afonso Dlhakama, mostra-se fragilizado.

Numa abordagem já sem contemplações, o Presidente da República, Filipe Nyusi, no seu informe sobre o Estado da Nação, prestado na quarta-feira da semana transacta, dia 16 de Dezembro, na Assembleia da República, o repositório dos representantes do povo, anunciou um combate cerrado à Junta Militar da Renamo, depois de falhas todas as possibilidades e oportunidades abertas para um diálogo franco, incluindo a declaração de uma trégua por iniciativa presidencial mas que foi ignorada por Nhongo e seu séquito.

Nesta sua alocução solene para a nação moçambicana e para o mundo, o estadista Filipe Nyusi informou que este grupo dissidente do principal partido da oposição, a Renamo, se recusava a aceitar o diálogo para o fim do conflito armado nas províncias de Manica e Sofala, no centro de Moçambique, tendo, de seguida, defendido e anunciado que o Governo que dirige não tinha outra solução “senão desencadear operações rigorosas contra o inimigo e é o que está a acontecer neste momento”, revelou.

Esta declaração pública do também Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança, clarificava a pressão militar e sem contemplações contra o grupo de Mariano Nhongo no teatro operacional Centro, daí que, no dia seguinte (quinta-feira passada), veio a público manifestar a sua retardada disponibilidade para iniciar o diálogo com o Governo, avançando, inclusive, que dentro de uma semana teria seus mandatários prontos, com a ressalva de que exigia garantais para seus “homens” não fossem sequestrados.

“Na próxima segunda-feira [em alusão ao dia 21 de Dezembro] vou nomear pessoas que vão à mesa das negociações com o Governo”, disse Nhongo, exigindo que a Assembleia da República [que já encerrou a sessão deste ano} aprove uma emenda que proteja os seus mandatários. “Fico à espera da Assembleia aprovar uma resolução para garantir que os meus homens não serão sequestrados”, reiterou Nhongo, extemporâneo.

Todavia, o Governo que não reconhece e nem assume estar a prender muito menos sequestrar apoiantes de Mariano Nhongo ou seus familiares, que ele e seus colaboradores reclamam estarem a ser sequestrados  à luz do dia, já não dá ouvidos às pré-condições de Nhongo.

Aliás, o Presidente da República vincou que o acordo assinado em Agosto de 2019 com Ossufo Momade, expressam cabalmente o que já se havia acordado do fonado líder da Renamo, Afonso Dlhakama, tanto no que tange ao dossier político, mormente a Descentralização, assim como ao dossier militar, o DDR, daí não poder ser renegociado.

Por outro lado, Nyusi foi irredutível quanto a ceder a chantagens com fins alheios aos interesses globais da população moçambicana acordados nas negociações com Afonso Dlhakama, o arauto da guerra civil que se alastrou por quase duas décadas, considerando os devidos intervalos, alegadamente em nome da democracia multipartidária.

Percebendo  o aperto das FDS  às investidas da Junta Militar e ao enfraquecimento da sua alegada reivindicação politica em nome de lealdade às  posições  de Dlhakama sobre os acordos de paz, pronta e cabalmente partilhadas pelo Presidente Nyusi, Mariano Nhongo vê-se a nora e recorreu ao enviado especial do Secretário-Geral das Nações Unidas para Moçambique, Mirko Manzon, para interceder junto ao Governo a sua vontade de negociar, sem exigências “descabidas”.

Neste contexto, o diplomata  Mirko Manzoni, que mostrara-se revoltado no primeiro contactado que intento para convencer Nhongo a parar os ataques e negociar e este tenha o ignorado, em comunicação pública nesta semana, revelou que Mariano Nhongo,  mostra-se reconsiderado e manifestou disponibilidade em dialogar com o Chefe do Estado, Filipe Nyusi, para o restabelecimento da paz e tranquilidade nas províncias de Manica e Sofala.

Este pronunciamento segue a um contacto havido na sexta-feira transacta, entre Mirko Manzoni e Mariano Nhongo, reiterando estar disposto a enviar os seus representantes para iniciar o referido diálogo.

“Com o objectivo de buscar a paz na região centro de Moçambique, viajei para me encontrar com o general Mariano Nhongo da Junta Militar da Renamo. Apesar das dificuldades para uma reunião física, posso confirmar o contacto com ele e agradeço a sua disponibilidade para o diálogo e a sua proposta em enviar os seus representantes para iniciar o referido diálogo”, lê-se em comunicado a que tivemos acesso.

 

Neste documento, Mirko Manzoni afirma que a auto-proclamada Junta Militar da Renamo vai suspender todos os ataques antes de qualquer diálogo e todos os actores precisam agir no interesse exclusivo da paz, sendo que no entender deste diplomata, que também é embaixador da Suíça em Maputo, o diálogo é o único caminho a seguir e por isso  encorajou todas as partes a evitarem o uso de violência para expressar as suas reivindicações.

“As armas não são a solução e não podem ser a língua oficial de uma nação que merece a paz”, vincou Manzoni, referindo que o acordo de paz de Maputo foi uma conquista marcante para o país e deve-se manter.

Considerando a explicação clara e pormenorizada sobre a base das negociações com Afonso Dlhakama e os entendimentos acordados, mormente sobre a descentralização, na qual Dlhakama exigia que a Renamo governasse nas províncias em que ganhar e a imposição do desarmamento, através do DDR, exigido pelo Presidente Nyusi, não existem muito espaço de manobras para exigências de fundo por parte de Nhongo e sua Junta Militar.

Pelo que, o único ponto que poderá estar em aberto é no contexto do DDR, pois, sendo Nhongo um general da Renamo e um dos braços directos do finado Dhlakama pode, eventualmente, ter dossiers que importa analisar e considerar

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