Preto & Branco

Sobre a Infame Yaba Buluku

Não há consenso sobre a definição de valores. Eles podem diferir de pessoa para pessoa, de cultura para cultura. Especificamente, os valores fazem a conexão entre indivíduos e sociedades. Os valores também ajudam os seres humanos a gerar ethos para orientar suas vidas. Os valores representam o que é importante para os indivíduos enquanto sujeitos sociais. Os valores morais são, na verdade, um princípio de julgamento ou comportamento que se aplica aos outros e à sociedade, que avalia as pessoas certas ou erradas.

O intróito acima vem a propósito de um assunto que preocupa-me resultante do que assisti ao longo do final de semana. Esta semana vou dizer algumas coisas que irão incomodar a alguns. Os incomodados dirão que sou invejoso, que digo isso porque, se calhar, o ‘meu não bate o buluku.’

Há semanas que um novo hit está a bater cá no burgo: yaba buluku[1]. O que leva-me a escrever sobre este assunto não é necessariamente para publicitar o autor de tal cantarolice, mas sim a febre e aceitação massiva com que as pessoas receberam o tal som. Longe de querer fazer uma análise de conteúdo, parece-me que já nos degradamos totalmente! Crianças, jovens e idosos, cantam, deliram, vociferam o linguarejar obsceno vulgar veiculada por tal ‘músicas?’ As redes sociais estão inundadas de vídeos de homens e mulheres que exaltam o órgão da virilidade masculina, exaltando/apelando a sua grandeza e vigor.

Mas não sejamos ingénuos: em todo o mundo, há ‘música’ assim! O que cria-me alguma confusão é o facto de gente desta terra que gosta de criticar a imoralidade da sociedade, parece-me rendida ao ritmo de Lúcifer!

Ao longo do pretérito final de semana presenciei cenários inebriantes e arrepiantes de erotismo, melhor de soft porn. Vi homens e mulheres de todas as idades que, em movimentos erótico-libidinosos, que abanavam os quadris, contorciam-se, e batiam-se vigorosamente na zona púbica ao som alto da infame ‘música’. Algumas mulheres acompanhadas de filhos de tenra idade que acompanhavam o espetáculo ‘macabro’ das progenitoras ou pelo menos de quem as devia cuidar e proteger. As pessoas gritavam que este será o hit da transição do ano de 2020! Cá por mim pensei: se na transição de 2019 para 2020, o hit foi Jerusalema, um ritmo envangélico, então este ano será o oposto…um ritmo mundano inspirado por Lúcifer? Alguns dirão, epah, tanto faz: gritamos Jerusalema e Deus brindou-nos com Corona. Melhor gritarmos yaba buluku, talvez 2021 seja melhor que este Jerusalema porque que passamos em 2020. Vamos ‘bater o buluku’ em 2021.

 

[1] Bate nas cuecas/calças, etc.

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