Preto & Branco

Manifestações civis reforçam Junta Militar da Renamo

Rebelião contra Ossufo Momade alarga-se

 Em jeito de apoio tácito às reivindicações políticas da auto proclamada Junta Militar da Renamo, que contesta a liderança do Ossufo Momade, eleito presidente da Renamo em substituição do falecido Afonso Dhlakama, um grupo de membros da Renamo, na província de Tete, liderado por um membro da Assembleia Municipal representando este partido politico, Hernani da Silva, saiu à rua em marcha contestatária contra Ossufo Momade, exigindo a sua renuncia incondicional para alegadamente salvar-se a “honra” da Renamo. Cola-se a esta revolta, a contestação de um Coronel da Renamo que estacionado em Inhambane, reivindicando um controlo militar, exige, também, a renúncia do actual líder renamista.

 Um grupo de membros da Renamo saiu, na manhã de segunda-feira, às ruas da cidade de Tete, para exigir o afastamento de Ossufo Momade da liderança da Renamo, cujo rescaldo foi agressões entre estes e os leiais a Ossufo Momade.

Nesta contestação pública, Ossufo Momade é acusado pelos manifestantes, principalmente, pela alegada má gestão e clientelismo dentro da Renamo, que  constitui a segunda maior força política do país.

Em conferência de imprensa, que marcou o início da manifestação nesta segunda-feira, Hernani da Silva, porta-voz do grupo e membro da assembleia municipal de Tete pela Renamo acusou o Ossufo Momade de “divisionismo, clientelismo e exclusão ao nível do partido”.

Adiante o porta-voz dos manifestantes e novos contestatários do líder da Renamo, referiu: “Estamos convictos de que o caminho mais seguro e rápido para o reforço da união interna do partido Renamo seria, com todo o respeito à figura do general Ossufo Momade, a resignação voluntária e incondicional da presidência do partido”, avançou.

Ajuntou ainda, corroborado por seguidores, uma possível saída para as crises internas dentro da Renamo seria a convocação de uma reunião extraordinária do Conselho Nacional do partido para que, segundo ele, “os quadros possam debater de forma aberta e franca, para o bem do partido e dos moçambicanos”, argumentou.

Os contestatários de Ossufo Momade em Tete vão longe ainda, ao apontarem que as crises internas dentro da Renamo não estão apenas a ter consequências dentro do partido, mas também para o país. Como exemplo, citam os ataques armados nas províncias de Manica e Sofala – perpetrados pela Junta Militar da Renamo, outro grupo de dissidentes, que nas províncias de Manica e Sofala, envereda pelo recurso às armas, que se torna famigerado por atacar alvos civis e bens públicos.

Dirigindo-se ao Estado moçambicano, Hernani da Silva, o porta-voz e  “cara” dos contestatários de Tete diz: “Pedíamos que o Conselho de Estado que convocasse o Presidente Ossufo Momade para se explicar sobre o papel que pensa desempenhar para pôr fim ao conflito político militar na zona centro do país”, apelou Hernani.

Entretanto, o delegado político provincial da Renamo em Tete, Evaristo Tatamo, chamou os mentores das contestações públicas contra Ossufo Momade de “palhaços” e nega divisionismo. Defendendo que Ossufo Momade é “um presidente legítimo segundo os estatutos do partido”.

“Se alguns se intitulam membros da Renamo e contestam a liderança do partido e do presidente Ossufo Momade; para nós, esses são palhaços. E até podemos dizer que [isso] é um produto do nosso adversário, a Frelimo”, acusou..

Segundo apuramos, as manifestações desta segunda-feira (23 de Novembro) terminaram com uma confrontação entre o grupo liderado por Hernani da Silva e o liderado pelo delegado político provincial, Evaristo Tatamo.

Citado pela DW África, quando questionado sobre as razões da confrontação, Tatamo respondeu: “nós, como Renamo ao nível provincial, não podemos ficar alegres quando aparece um outro grupo que se diz ser da Renamo [mas que está] a tirar mérito ao presidente. É por isso que os membros e simpatizantes ficaram furiosos, e tomaram aquelas medidas”, argumentou.

Há indicações da existência de feridos em ambas as partes. Hernani da Silva acusou, também na mesma segunda-feira, o delegado político provincial e chefe nacional da mobilização da Renamo de ameaças de morte.

Evaristo Tatamo negou as acusações, mas alerta que “se ele continuar a insultar e espalhar o presidente, acredito que os membros não poderão ficar alheios”. E acrescentou, “paciência tem limite, não é a nossa vontade, mas o senhor Hernani, que se diz ser membro da Renamo deve recuar”.

Por sua vez, Hernani da Silva nega que vá recuar, e justifica que este comportamento “mostra estarem no caminho certo”.

O eco da contestação em Inhambane…

É de recordar que além da Junta Militar que faz desmandos militares em Manica e Sofala, ex-guerrilheiros da Renamo estacionados em Inhambane, em Setembro de ano passado, teriam se recusado a desmilitarizar-se, por alegadamente Ossufo Momade ter traído os ideais e conteúdos dos acordos de paz e do DDR deixados pelo falecido Afonso Dhlakama

Na altura os guerrilheiros da Renamo, acantonados na base de Matokose, na localidade de Tsenane, no distrito de Funhalouro, na voz do chamado Coronel João Machava, que afirmara estar a liderar um grupo de 300 homens armados e estar na posse de muito armamento, teria dito à imprensa: “Não estamos a gostar do trabalho desenvolvido pelo presidente Ossufo Momade. Queremos que ele se retire e demita-se da liderança do partido. Com a sua entrada na liderança, ele destruiu o partido e, pelo facto, exigimos um novo presidente que deve respeitar as cláusulas do dossier que o presidente Dhlakama deixou”.

Na altura os revoltados afirmaram que luta que levavam era justa e não tinha nada a ver com o passado – quando Momade se encontrava em Maputo com a família, enquanto eles estavam a sofrer, lutando pela paz. Este coronel acusava Ossufo Momade de pretender quer levar a desgraça às pessoas que sofreram no mato com o presidente Dhlakama.  “É isso que não aceitamos. Se ele não se demitir da liderança do partido, ele deverá assumir as consequências”, advertiu.

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