Preto & Branco

Mambas e Outros

Na semana passada fizemos uma retrospectiva sobre a qualificação e participação dos ‘Mambas?” em competições internacionais com particular destaque para o CAN. Igualmente, fizemos uma antevisão do que seria a jornada contra os Camarões.

Mas, os espíritos de Mataka, Farelahi, Rainha Achinvila, os espíritos dos Macombes, de Manicusse, Ngungunhana, Mondlane, Machel e de tantos outros anónimos desta ‘Pátria Amada’ Pátria de Heróis’, estão revoltados connosco. Nada vai bem no meu Moçambique! Como é que a nossa selecção pode singrar ou almejar resultados que ‘dignifiquem-nos’ se o coração desta nação está sangrando incessantemente? Como augurar voos altos se o ‘povo’ desta pátria está a ser martirizado por gente(s) com apetites vorazes pelo poder e acesso e controlo de recurso?

Como pode haver um ‘Mamba’ num contexto em que come-se capim seco? Um ‘Mamba’ onde a corrupção, nepotismo, clientelismo, compra de favores a todos os níveis e estratos sociais são práticas normalizadas por todos nós? Porquê crucificar os “Mambas’ se essas ‘serpentes’ saem da mesma sociedade à qual todos pertencemos? Duma sociedade, como dizia Crowford Young, onde pulula a percepção de que tudo vende-se e tudo compra-se? Deixemos as nossas ‘serpentes’ em paz! Porém, lembrai-vos ‘hoje e sempre’ que estas ‘serpentes’ estão a ser criadas em cativeiro. São ‘serpentes’ de circo; perderam as suas habilidades de predadoras; estão desdentadas; não têm toxina alguma que até sorriem para nós!  Lembrai-vos, estas ‘serpentes’ saem desta sociedade, portanto, TODOS NÓS, sem excepção, somos iguais a elas.

Os “Mambas’ aqui retratados são apenas uma amostra bizarra e atroz das múltiplas patologias que enfermam esta pátria. Colectivamente estamos quase a entrar em paragem cardio-respiratória e não haverá manobra nenhuma de ressuscitação e reanimação e, não tardará, como nação estaremos ‘clinicamente mortos’ embora possamos continuar a respirar.

P.S.

Na semana passadas as redes sociais andaram inundadas por vídeos e notícias de um bandido, fora-da-lei, gangster, brutamontes cognominado ‘Parte Côco’. Deu dó, entristeceu-me este país, quando vi gente de quase todos os estratos sociais a ‘promoverem’ a imagem de uma marginal. Profissionais de saúde pousaram com o dito cujo. Fala-se que violava mulheres. Mas até elas lá estavam em poses com o sujeito, não sei se na esperança de que ‘partisse-lhes’ as…sei lá o quê! País que normaliza o anormal, glorifica e canoniza os gangsters, marginais e demoniza, ultraja, humilha os verdadeiros patriotas!

 

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