Preto & Branco

Portugal pode ajudar no “resgate” da sequestrada

O rapto da cidadã portuguesa Jessica Pequeno, na manhã de segunda-feira (9 de Novembro), na cidade da Matola, constitui o décimo ocorrido no presente ano no país contra empresários ou seus familiares. No entanto, o presidente da Associação Portuguesa de Moçambique, Alexandre Ascenção, reconhecendo a responsabilidade as autoridades moçambicanas para o esclarecimento do caso, acredita que o apoio do Estado português pode ajudar na investigação do caso.

A mais recente vítima, Jessica Pequeno, de 27 anos de idade, é filha de um casal proprietário do restaurante Burako da Velha, onde trabalha, que foi raptada no período da manhã entre as 7 e 8 horas, momentos depois de sair de sua casa, não longe do seu local de trabalho. Interceptada na sua viatura, na qual vinha da companhia da filha e empregada, no entanto, somente ela foi raptada.

Citado pela agência Lusa, o presidente da Associação Portuguesa de Moçambique. Alexandre Ascenção, reconhecendo o papel a ser desempenhado pelas autoridades moçambicanas, considera que intervenção do Estado português pode ajudar na investigação deste caso, pois, já demostrou capacidade em ocasiões anteriores.

“Temos de deixar as autoridades moçambicanas trabalhar, identificar as pessoas que fazem este tipo de raptos e, se possível, que aceitem a ajuda do Estado português”, numa alusão à disponibilidade de apoio à investigação demonstrada noutras ocasiões pelas autoridades portuguesas.

Tal auxílio “ajudava muito a dar paz de espírito”, referiu. “Estas coisas têm de ser investigadas a fundo: há culpados, têm de ser encontrados”, acrescentou.

“Na realidade, todos os empresários em Moçambique estão preocupados, portugueses e de todas as nacionalidades: isto afeta o nosso dia-a-dia, a nossa paz de espírito e faz olhar para o país com mais cuidado”, referiu à Lusa Alexandre Ascenção, ele próprio empresário.

Alexandre Ascenção receia que o momento de dificuldades económicas que se vive à escala global, com impactos severos em Moçambique, devido à pandemia de Covid-19, aumente a probabilidade de pessoas perderem o “discernimento” e cometerem actos desesperados, no entanto, considera que A vida tem de continuar, “não podemos estar a pensar viver com medo, mas temos de ter cada vez mais cuidado”, defendeu.

Sobre o rapto em referência considera que “ninguém faria prever que seriam pessoas alvo, significa que ninguém está livre de ser colocado nesta situação”.

Antes do caso de Jessica Pequeno, um empresário português foi raptado em Agosto de 2019, sem que se conheçam outros detalhes além da detenção de dois suspeitos, anunciada em Abril deste ano pelas autoridades moçambicanas.

Noutro caso, em Novembro de 2018, o empresário português José Caetano, de 51 anos, foi raptado e assassinado nos arredores de Maputo. Na altura, a polícia moçambicana deteve três suspeitos que esclareceram ainda outros raptos entre 2016 e 2017, um dos quais envolvendo um outro empresário português, Aires Simões Alves.

Continua por esclarecer o rapto do empresário Américo Sebastião, levado de uma estação de abastecimento de combustíveis na manhã de 29 de Julho de 2016, em Nhamapadza, distrito de Maringwé, província de Sofala. Segundo a família do empresário, os raptores usaram os cartões de débito e crédito para levantarem “4.000 euros” e nunca mais se soube do paradeiro da vítima.

Segundo apuramos, desde o início de 2020, as autoridades moçambicanas registaram um total de 10 raptos, cujas vítimas são empresários ou seus familiares.

Apesar das ondas de protesto e reclamação de ações mais enérgicas a situação de raptos prevalece. Em Outubro, um grupo de empresários na cidade da Beira, província de Sofala, paralisou, por três dias, as suas actividades em protesto contra a onda de raptos no país.

A CTA – Confederação das Associações Económicas de Moçambique, maior agremiação patronal do país, também já exigiu por diversas ocasiões um combate severo a este tipo de crime e até o Presidente da República, Filipe Nyusi, já recomendou mais esforço pelas autoridades policiais.

 

Enquanto isso, Em Setembro último, o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) apresentou à Procuradora Geral da República (PGR), Beatriz Buchili, constrangimentos diversos que enfrenta para combater o crime violento, narcotráfico e raptos.

 

 

 

 

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