Preto & Branco

Um Olhar Sobre o Desporto na “Pérola do Índico”

Esta semana inicio uma série de artigos sobre o desporto em Moçambique. Não pretende-se aqui fazer uma abordagem aprofundada do assunto, mas sim recordar dos principais momentos que marcaram o desporto nacional nas diferentes modalidades, num momento em o desporto nacional, com algumas excepções, atravessa um profunda crise existencial. Esta semana, o foco é o Atletismo.

A prática do Atletismo em Moçambique começou a registar algum desenvolvimento na década de 1950, sendo praticado maioritariamente nas missões e nas escolas rudimentares. Durante esta fase, o principal palco das competições era o Parque José Cabral, o actual Parque dos Continuadores. Foi igualmente durante o período colonial que despontaram algumas das maiores referências nacionais da modalidade, tais como António Repinga, recordista de meia maratona e Victor Magalhães, recordista dos 200 metros. Todavia, a partir da década de 1960 regista-se um enfraquecimento desta modalidade devido, tal como alguns estudos apontam, ao avanço da Luta de Libertação Nacional.

Com a conquista da Independência Nacional, a prática desta modalidade ganhou um novo ímpeto e dada a importância que a modalidade ia adquirindo, criou-se em 1978 a Federação Moçambicana de Atletismo que no mesmo ano filiou-se à IAAF (Federação Internacional de Atletismo). A nível provincial, a Federação Moçambicana de Atletismo está representada pelas Associações Provinciais que organizam as provas a nível local e apuram os representantes provinciais para os campeonatos nacionais que são organizados pela Federação.

Por outro lado, no âmbito da massificação da modalidade, foram criadas várias provas sob os lemas “Correr é Saúde” e “Corrida Contra a Pobreza” em que envolviam igualmente os dirigentes do estado.

Em termos individuais, durante a primeira metade da década de 1980, alguns atletas, que vinham do período anterior a independência, destacaram-se nesta modalidade com recordes nacionais, tal como foi atrás referido. António Repinga (recordista nacional dos 10 mil metros), José Magalhães (recordista dos 200 e 400 metros) e Cândido Coelho (recordista de decatlo), Constantino Reis e Pedro Mulomo, Ludovina Oliveira, Stélio Craveirinha são os atletas que mais se destacaram.

A primeira competição internacional em que Moçambique tomou parte como país independente, foram as Espartaquíadas de Moscovo de 1979, nas quais participaram dois atletas do clube Ferroviário e da Selecção Nacional, Pedro Mulomo e Constantino Reis.

Em 1980, Moçambique participou pela primeira vez nos XXII Jogos Olímpicos realizados em Moscovo. No certame, o país fez-se representar por catorze atletas, sendo doze homens e duas mulheres. Nenhum atleta conseguiu passar para as meias-finais. A tabela que se segue, mostra os tempos e classificações obtidas:

JOGOS OLÍMPICOS DE MOSCOVO, 1980
Homens

Eduardo Costa (100 metros): 11,02 na Eliminatória

Constantino Reis (200 metros) – Desclassificado

Vicente Santos (1.500 metros): 3.58.07 na Eliminatória

Pedro Mulomo (5000 metros): 15.11.9  na Eliminatória

Dias Alface (10000 metros) – Desistiu

Abdul Ismail (110 metros Barreiras):  15.18 na Eliminatória

Stélio Craveirinha (Salto em Comprimento):  6.94 na Eliminatória

 

Mulheres

Acácia Mate (800 metros):  2.19.07 na Eliminatória

Ludovina Oliveira (Disco) – Desclassificada.

(Fonte: Victor Pinho. Atletas de Moçambique nos Jogos Olímpicos – “Nambauane”. In: bigslam.pt.)

Em 1984, o país participou pela segunda vez nos Jogos Olímpicos de Los Angeles nos Estados Unidos da América. No evento, Moçambique foi representado por quatro atletas. O destaque foi para Leonardo Loforte que ficou ainda nas eliminatórias dos 400 metros com o tempo de 47.07 s.

 

 

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