Preto & Branco

Sobre as Tréguas com a Junta Militar de Nyongo

O presidente da República anunciou no pretérito sábado que iria instruir as Forças de Defesa e Segurança (FDS) para observarem tréguas de uma semana na ‘perseguição’ à Junta Militar do bandido Mariano Nhongo. Chamo de bandido, pois aquele que tira a vida a população indefesa, destrói bens públicos e privados seja porque motivo for é BANDIDO, FACÍNORA. A justificação do PR Nyusi para tal decisão prende-se com a necessidade de abrir corredores para dialogar.

O que não ficou claro na alocução do PR é se houve uma aproximação do grupo Nyongo ou é uma iniciativa calculada do PR. A ter havido uma aproximação Nhongoista pode significar um desgaste e estar a ver goradas as suas expectativas e do seu grupo de alcançar seja lá o que for que tivessem desenhado. O contrário também pode estar a acontecer. Se tiver sido o PR a sinalizar este gesto pode significar algum desgaste no terreno e a possível necessidade de reforçar o Teatro Operacional Norte com os meios humanos e materiais que estão dispersos na região central de Moçambique.

Seja como for, se abrirem-se as linhas do ‘diálogo’ como alvitra-se será necessário um envolvimento de outros sectores da sociedade incluindo os partidos políticos para que afastem-se os secretismos que normalmente caracterizam as negociações bilaterais secretas que, regra geral, envolvem promessas de mordomias e contas chorudas para determinados indivíduos directamente envolvidos e, a maioria fica a ‘ver navios’. A participação de uma base alargada pode trazer um maior comprometimento das partes. Porém, há o risco de arrastar o processo por muito tempo, o que não interessa a ninguém.

Definitivamente é preciso que saiamos deste ciclo vicioso de negociações de paz. Desde 1975 contam os seguintes acordos para a paz em Moçambique:

  1. 1984 – Acordo de Nkomati, também conhecido como Acordo de Boa-Vizinhança com República da África do Sul do Apartheid com vista a acabar com a agressão ao nosso território e apoio ao então movimento rebelde – Renamo;
  2. 1992 – Acordos de Roma – que após dois anos de negociações puseram fim à guerra para uns guerra civil e para outros de desestabilização (dependendo das escolas de pensamento e posicionamento ideológico);
  3. Acordo de Setembro de 2014 – entre o governo e a Renamo na véspera das eleições presidenciais, legislativas e das assembleias provinciais de 2015;
  4. Acordos Cessação das Hostilidades Militares entre o governo e a Renamo a 1 de Agosto de 2019 na Gorongosa;
  5. Acordo de Paz Definitiva de 6 de Agosto de 2019 – novamente entre o governo e a Renamo.

 

Agora perspectiva-se mais um com a Junta do facínora!

 

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