Preto & Branco

Insurgentes podem infiltrarem-se nos refugiados!

Numa altura que somente cinco distritos de Cabo Delgado ainda não foram alvo de ataques de insurgentes, a onda desenfreada de refugiados que não tem tido o devido controlo pelo Governo pode facilitar a infiltração terrorista, em locais tidos como seguros, incluindo a cidade de Pemba. O desembarque de refugiados, em centenas de canoas, observado nos últimos dias à porta da capital de Cabo Delgado pode camuflar grupos de insurgentes que poderão preparar e armadilhar ataques generalizados nesta província, que no lugar os seus ricos recursos em uma bênção e os transformarão em pesadelo para esta província que constitui o berço da Nação moçambicana.

A província de Cabo de Delgado, no norte de Moçambique, repositório de uma das maiores reservas mundiais de gás natural, neste momento, está diante de quatro ameaças principais: Insurgentes, Covid-19, Cheias e Malária. Com um total de 16 distritos nesta altura apenas cinco estão livres dos ataques terroristas e destes dois são acessíveis via aérea, nomeadamente Palma Mueda, enquanto os restantes três por via rodoviária, Montepuez, Metuge e Mecufi.

Mas a ameaça mais premente agora são os ataques e sua propagação, que pode se aproveitarem do movimento descontrolado dos refugiados que a cada dia chegam e desembarcam em zonas ainda não alcançadas pelos insurgentes.

Diariamente, de várias vias, Nampula, Metuge, Pemba e Mecufi têm sido lugares privilegiados para acolher os refugiados de guerra numa altura em que considera-se haver um total que ascende a 265 mil refugiados devido aos ataques terroristas em Cabo Delgado.

A maioria da população em refúgio, na qual se destacam crianças, passa por várias dificuldades para chegar a lugares seguros e no meio deste processo tem havido mortes e nascimentos à deriva. A sociedade civil tem estendido a mão para fazer cobro à situação, mas o governo local não tem mostrado uma pujança para acolher e assistir à demanda das vítimas.

De acordo com lições tiradas nas anteriores guerras em Moçambique, à semelhança da dos 16 anos, os guerrilheiros da Renamo, no então, cognominados bandidos armados, entrevam em vários locais, principalmente em Maputo, Matola e Katembe com a capa de refugiados de guerra e ficavam acolhidos em diferentes famílias e ao entardecer atacavam diferentes locais o que deixava indignado as autoridades governamentais.

Nada contra quem procura de um lugar seguro porque a sua aldeia já não existe, em consequência dos ataques armados, mas sendo os insurgentes da mesma cor, língua e cultura, estes podem, deste modo, infiltrar-se em campos de refugiados. De lá, fornecer a melhor imagem aos comparsas da real situação e consequentemente engendrarem as melhores maneiras de alargar seus ataques e implantar uma desordem completa por toda a província de Cabo delgado.

No que toca às Forças de Defesa e Segurança (FDS) há uma grande discrepância salarial, as forças especiais em Mueda e Palma tem salários de elite, enquanto o grosso de militares e polícias nos outros centros operacionais, mais expostos, seus ordenamos deixam muito a desejar. Aliás, reina no seu seio falta de motivação para acabar com insurgentes em Cabo Delgado. Há quem diga que os insurgentes têm abordado altas patentes em troca de algum “refresco” para se informar de planos e estratégias em vista. O Governo de Moçambique devia mostrar mais do que vontade, atitude política para tomar a sério o combate aos insurgentes em Cabo Delgado, que estão cada vez mais engajados em dominar a zona costeira para alimentar o tráfico de madeira preciosa e droga e daí alimentar financeiramente os seus intentos.

É de anotar qua faltam apenas cinco distritos para que os ataques insurgentes completem a província de Cabo Delgado, que pode ser sitiada e ficar fora do controlo do Governo moçambicano. Para quem vive ou trabalha em Pemba, com a demanda descontrolada de refugiados que pode camuflar terroristas reina muito medo, receia-se ataques a qualquer dia!

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