Preto & Branco

Membros do “galo” abalam para a “perdiz”

A sangria de quadros no partido Movimento Democrático de Moçambique (MDM) ainda está em marcha e Geraldo Carvalho e Maria Moreno que pareciam grandes “pivots” desta que é a terceira maior força politica do país “rasgaram”, definitivamente, cartão de membro que os ligava ao “galo” e procuram um lugar ao sol na Renamo, o partido cujo símbolo é a perdiz.

 O movimento de abandono das alas do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) remota há dois anos com a saída de figuras mediáticas como Venâncio Mondlane, Manuel de Araújo e António Frangules sob o pretexto de falta de transparência e democracia interna na concorrência a cargos de relevo neste partido liderado pela família Simango, o Daviz Simando é o presidente do partido e o Lutero Simango é o chefe da bancada parlamentar deste partido e outro familiar, é o sande Carmona que é o porta-voz do partido.

No acto de regresso à RENAMO, que é maior partido da oposição em Moçambique, o grupo de dissidentes do MDM não poupou críticas ao partido de Daviz Simango, vincando a alegada falta de democracia interna e nepotismo no partido. Na última semana, dois antigos integrantes da Comissão Política Nacional do MDM e outros membros e simpatizantes bateram com a porta.

Uma das caras visíveis é Geraldo Carvalho, que foi deputado da Assembleia da República, porta-voz do partido e membro da Comissão Política Nacional do MDM. Há alguns dias apresentou-se à delegação da RENAMO na cidade da Beira, dizendo que deixa o MDM com a consciência tranquila, mas com rancor dum partido que se deixou desviar dos interesses públicos.  “Chegou um momento em que decidi que devia regressar para casa. Melhor assim porque estava num ambiente em que não me deixava confortável, um ambiente de pessoas a quem combater a RENAMO era o seu dia-a-dia”, justifica.

Carvalho recorda ainda que houve interesse de o envolver no assunto da morte do antigo edil de Nampula Mahamud Amurane, que era membro do MDM. “Aí entornou o caldo porque não tem nada que se pareça com uma possível tentativa de me aproximar à morte de Amurane, mas houve essa tentativa. Então, não havia mais nada senão cumprir com o que Dhlakama me pediu, disse-me: meu filho aqui é a sua casa, é aqui onde você nasceu politicamente, é aqui onde deve vir acabar politicamente”, contou.

É de ressalvar que Geraldo Carvalho foi guerrilheiro da RENAMO, no qual militou por muitos anos, pelo que este acto trata-se de um regresso à casa.” Eu não me sinto mal, voltei para a casa de onde nós todos saímos, de cabeça erguida consciência tranquila e, até certo ponto, com uma dívida no coração que eu devo daqui para frente correr com os irmãos daqui do lado da casa da RENAMO para que este sonho de Dhlakama e André Matsangaisse seja concretizado”, apelou.

Na semana passada em Nampula, Maria Moreno – também antiga integrante da Comissão Política Nacional do MDM – filiou-se à RENAMO, também sua antiga “casa”. Estas saídas, que acontecem já há mais de dois anos, parecem não abalar o partido, cujos dirigentes preferem não se pronunciar sobre os dissidentes.

O líder do MDM, Daviz Simango, no início de Outubro – no decurso duma reunião nacional de quadros do “partido do galo”- reafirmou a coesão e o desenvolvimento rápido que se verifica no partido em tão pouco tempo de existência, tendo dito que  todos que abandonaram o MDM são aventureiros que lá iam fazer papel individual e não da colectividade.

“Isto é a juventude. Homens e mulheres agarram-se hoje ao MDM porque lhes dá garantias. Daí termos de decidir se temos de optar por protagonismos individuais ou pelo trabalho coletivo e de equipa no processo de consolidação de grandes sucessos alcançados na luta por um Moçambique para todos”, interpretou Simango.

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