Preto & Branco

Dumbanenguização de Testes de Covid-19  

Desde a reabertura da fronteira com a África do Sul no início do corrente mês que assiste-se a uma azáfama na procura de testes para poder fazer o movimento fronteiriço. Mas a maioria esbarra-se com um obstáculo: o Ministério da Saúde já veio a público informar que no Sistema Nacional de Saúde não estão disponíveis testes para viagens de turismo etc. A solução? Sector privado onde os testes da Covid-19 estão estimados em valores acima de 6000 meticais que a maioria não comporta.

Não tardou que surgissem dumba-nengues especializados na venda de testes negativos da Covid-19. Apesar da gravidade do problema, a mim não espanta que tal esteja a acontecer. Num país como o nosso, isso era expectável. Em Moz (como a malta jovem chama ao que os libertadores também chamam de pátria de heróis, pérola do Índico, etc), tudo vende-se na ‘candonga’. Aqui vende-se certidão de óbito, nascimento, de casamento, atestados médicos, etc.

O circuito da venda de testes parte de gente de ‘dentro’ do Sistema Nacional de Saúde que tem o ‘expertise’ da matéria (linguagem, blá, blá,blá). Não é um nabo qualquer que um dia dormiu, acordou e decidiu ‘bolar’ testes. O interessante, há os que até compram testes positivos para poder ficar uns 15 dias a ‘relaxar’ em casa, a ‘bater um boa beer’ com o calor que faz. Com a dumbanenguização destes ‘documentos’ lança-se um amplo campo de suspeição sobre quem ‘do nada’ diz que tem Covid: será verdade?

Na verdade, a Covidização desta ‘pátria de heróis’ é uma grande ‘bolada’ para alguns. Gente há que durante os informes de actualização diária do Ministério da Saúde fica atenta na expectativa de ver um aumento exponencial de casos. Nos dias em que o número de casos é relativamente baixo, ficam ‘putos da vida’. Querem números apocalípticos para continuam a encher os bolsos.

Enfim, a insofismável verdade é a seguinte: neste país estupra-se a verdade, a integridade, transparência, a moral, os costumes, a tradição, a nossa africanidade. Colectivamente não indignamo-nos diante de tanta malvadez, ignomínia, gula, ambição sem escrúpulos, ganância e do nosso retorno ao estado da ‘natureza’.

P.S. Esta semana celebrou-se 34 anos do desaparecimento físico do Marechal da República e primeiro presidente de Moçambique independente, Samora Moisés Machel ocorrido num Domingo a 19 de Outubro de 1986. Na maior parte da imprensa e de vastos sectores da nossa sociedade, tal data passou despercebida. A busca da verdade sobre as circunstâncias do acidente de Mbuzine parece não constituir prioridade dos sucessivos governos desde então. A já carcomida narrativa que atribui a culpabilidade ao regime racista e minoritário do Apartheid tem que ser desconstruída. É preciso dar espaço a novas narrativas em face das novas evidências que timidamente vão emergindo.

 

Adicionar comentário

Leave a Reply