Preto & Branco

Entre África do Sul e Moçambique

“Muralha” na veda ao crime transfronteiriço

Mais um muro é erguido no mundo para separar países, nem que seja parcialmente, contudo as razões são díspares, umas legítimas outras nem tanto. Trata-se da vedação que separa África do Sul de Moçambique, particularmente numa região fronteiriça chamada Josini, em troços tidos como porosos para a imigração ilegal e, sobretudo, para o crime transfroteiriço, este último o “let motiv”   para a empreitada das autoridades governamentais sul africana, que se dizem deveras lesadas.

Iniciado como um processo “secreto” e inicialmente desmentida pelas autoridades sul-africanas, afinal teve início há três anos e, segundo, a apologia visa travar o contrabando para Moçambique de carros e bens furtados na África do Sul.

Segundo apuramos da imprensa internacional e sul africana, em particular, a primeira fase do projecto estimado em mais de 5 milhões de euros é a colocação de cerca de 8 quilómetros das chamadas barreiras de Nova Jersey – de betão armado – entre o limite do Parque das Terras Húmidas de Isimangaliso e o limite oeste do Parque dos Elefantes de Tembe, do lado da província sul-africana de KwaZulu-Natal.

O director provincial dos Transportes e Segurança Comunitária de KwaZulu-Natal, Bheki Ntuli, em citação, confirmou que, de facto, “estão em curso diversas iniciativas a serem implementadas com o Governo, e em coordenação com as Forças Armadas e a Polícia”, explicou, esclarecendo que “estamos também a abrir trincheiras ao longo da fronteira e a levar a cabo a edificação de um murro naquela área”.

 

O troço fronteiriço mais preocupante para as autoridades sul africanas é a região de Josini, que faz fronteira com Moçambique, e que tem registado, nos últimos tempos, um aumento da criminalidade, desde furtos de viaturas a assaltos a casas por parte de sindicatos do crime. É de assinalar que num passado recente a insegurança nestas paragens desencadeou manifestações que forçaram as visitas dos Presidentes Jacob Zuma, no seu mandato, e Cyril Ramaphosa nos últimos anos.

 

Para além de assaltos, a região é usada como corredor de bens furtados na cidade de Durban e outros pontos do país e posteriormente enviados para Moçambique.  Sobre esta situação, o Presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Josini, Donald Hadebe, avalia que a criminalidade “tem um grande impacto, ao ponto de muita gente não estar interessada e motivada em emergir como empresários, isto porque ninguém quer tornar-se vitima destes sindicatos”, aflorou.

Por seu turno, o director provincial dos Transportes e Segurança Comunitária de KwaZulu-Natal, Bheki Ntuli, defende que a infraestrutura implementada por cerca de 40 trabalhadores locais também irá estancar a entrada ilegal de estrangeiros no país, outro mal a ser combatido na região.

 

Cerca 22 mil viaturas roubadas por ano

Dados da polícia sul-africana indicam que cerca de 22 mil carros são roubados anualmente e que grande parte é contrabandeada para países vizinhos através das fronteiras terrestres, com Moçambique, eSwatini e Zimbabué a liderarem a lista de destinos.

Para além do muro fronteiriço em construção, as autoridades sul-africanas enviaram um grande contingente militar e policial para a patrulha da fronteira e requalificaram a esquadra de Josini, como medidas de combate ao crime transfronteiriço.

O governador da província de KwaZulu-Natal, Sihle Zikalala, admitiu recentemente que o projeto será estendido a outras áreas da província, “apesar da redução de veículos roubados e contrabandeados para Moçambique”.

“Como Governo provincial, tomámos a decisão de vedar outras regiões que têm sido usadas como pontos de travessia de carros para fora da África do Sul”, afirmou.

O Ministério sul-africano enviou funcionários sénior ao terreno que, de forma contínua, monitorizam o progresso do projeto de barreiras modificadas de Nova Jersey.

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