Preto & Branco

Recordando Stélio Craveirinha

Calou-se a voz que incomodava os gestores, dirigentes e fazedores do desporto que, habituados a dar palmadinhas nas costas e fingir que está tudo bem, indignavam-se com a frontalidade, franqueza, fidelidade com a verdade e verticalidade de Stélio. Muitos não o engoliam, porque dizia-lhes as verdades de cara! Stélio não tolerava falsidade, desmascarava sem papas na língua quaisquer intrusos e lesa-desporto que pululam por aí. Hoje as parangonas dos jornais e noticiários televisivos e radiofónicos exaltam os feitos de Stélio e a ‘grande falta e vazio’ que deixa na família do atletismo nacional! Honestamente, que hipocrisia! Nós somos TODOS uns hipócritas.

Foi pensando em Stélio Craveirinha que decidi recordar os leitores, de forma breve, sobre o percurso do atletismo em Moçambique. Com efeito, a prática do Atletismo em Moçambique começou a registar algum desenvolvimento na década de 1950, sendo praticado maioritariamente nas missões e nas escolas rudimentares. Durante esta fase, o principal palco das competições era o Parque José Cabral, o actual Parque dos Continuadores. Foi igualmente durante o período colonial que despontaram algumas das maiores referências nacionais da modalidade, tais como António Repinga, recordista de meia maratona e Victor Magalhães, recordista dos 200 metros. Todavia, a partir da década de 1960 regista-se um enfraquecimento desta modalidade devido, por causa do avanço da Luta de Libertação Nacional.

Com a conquista da Independência Nacional, a prática desta modalidade ganhou um novo ímpeto e dada a importância que a modalidade ia adquirindo, criou-se em 1978 a Federação Moçambicana de Atletismo que no mesmo ano filiou-se à IAAF (Federação Internacional de Atletismo). A nível provincial, a Federação Moçambicana de Atletismo está representada pelas Associações Provinciais que organizam as provas a nível local e apuram os representantes provinciais para os campeonatos nacionais que são organizados pela Federação.

Em termos individuais, durante a primeira metade da década de 1980, alguns atletas, que vinham do período anterior a independência, destacaram-se nesta modalidade com recordes nacionais, tal como foi atrás referido. António Repinga (recordista nacional dos 10 mil metros), José Magalhães (recordista dos 200 e 400 metros) e Cândido Coelho (recordista de decatlo), Constantino Reis e Pedro Mulomo, Ludovina Oliveira, Stélio Craveirinha são os atletas que mais se destacaram em Moçambique.

A primeira competição internacional em que Moçambique tomou parte como país independente, foram as Espartaquíadas de Moscovo de 1979, nas quais participaram dois atletas do clube Ferroviário e da Selecção Nacional, Pedro Mulomo e Constantino Reis.

Em 1980, Moçambique participou pela primeira vez nos XXII Jogos Olímpicos realizados em Moscovo. No certame, o país fez-se representar por catorze atletas, sendo doze homens e duas mulheres. Nenhum atleta conseguiu passar para as meias-finais. A tabela que se segue, mostra os tempos e classificações obtidas:

Homens

Eduardo Costa (100 metros): 11,02 na Eliminatória

Constantino Reis (200 metros) – Desclassificado

Vicente Santos (1.500 metros): 3.58.07 na Eliminatória

Pedro Mulomo (5.000 metros): 15.11.9  na Eliminatória

Dias Alface (10.000 metros) – Desistiu

Abdul Ismail (110 metros barreiras):  15.18 na Eliminatória

Stélio Craveirinha (Salto em Comprimento):  6,94 na Eliminatória

 

Mulheres

Acácia Mate (800 metros):  2.19.07 na Eliminatória

Ludovina Oliveira (Disco) – Desclassificada.

 

Por hoje, chega!

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