Preto & Branco

Pelo seu estranho discurso de inclusão

RENAMO confronta Guebuza

O ex-estadista moçambicano, antecessor de Filipe Nyusi na liderança dos destinos do país, Armando Guebuza, disse que se devia aproveitar os quadros experientes do país, incluindo os combatentes da guerrilha da RENAMO, no combate aos insurgentes em Cabo Delgado. A inclusão da RENAMO neste discurso encontra estranheza no seio deste partido, que considera que Guebuza sempre os combateu e excluiu de qualquer agenda nacional, porquê somente em tempos de conflito?

É que ex-estadista defende entre outras coisas o uso de quadros da RENAMO no combate ao terrorismo em Cabo Delgado. RENAMO reage as declarações de Guebuza e questiona se o partido só serve quando se trata de coisas más.

A RENAMO, maior partido da oposição em Moçambique, manifestou-se surpreendida e estranhou as declarações do antigo PR, Armado Guebuza, quando afirmou que se deve aproveitar os quadros experientes do país, incluindo os combatentes da luta pela independência nacional e da guerrilha da RENAMO, no combate aos insurgentes em Cabo Delgado, no norte do país.

Para o porta-voz da RENAMO, José Manteigas, durante o consulado de Armando Guebuza, como Chefe de Estado e Comandante em Chefe das Forças de Defesa e Segurança, sempre se combateu a RENAMO.

“Tanto é assim que no seu reinado vários oficiais generais foram sendo afastados das Forças Armadas e não foi possível integrar nenhum combatente da RENAMO na polícia, e no Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE), apesar de isso ter sido estabelecido no Acordo Geral de Paz”, confrontou.

“É fundamental a exploração das capacidades instaladas ao longo destes anos todos, mesmo as da RENAMO. Fizeram [a guerra civil] dos 16 anos, será que estamos a trabalhar com eles para encontrar soluções para este problema? Eu acho que não”, disse Armando Guebuza, num vídeo divulgado na sua página na rede social Facebook.

Para o antigo chefe de Estado, o país não deve “marginalizar aqueles que têm experiências” nas estratégias para travar as incursões de grupos armados naquela província do norte de Moçambique.

“Por exemplo, nós temos, no Governo, pessoas que participaram da luta de libertação e até chegaram a oficiais. Será que estão a ser devidamente utilizados? Eu penso que não”, opinou Armando Guebuza.

No entanto, a RENAMO está satisfeita porque Guebuza reconhece agora que os ex-combatentes do partido têm uma grande capacidade militar e uma grande experiência.

“A grande preocupação no meio de tudo isso é, afinal a RENAMO serve para quando se trata de coisas más como está a acontecer em Cabo Delgado, em que diariamente há mortes, há decapitações e mas não serve para outras situações tão úteis para o país?”, interroga José Manteigas.

Questionado pela DW África se a RENAMO estaria disponível para trabalhar com o Governo para pôr fim a insurgência armada em Cabo Delgado, José Manteigas disse que o partido está disponível a ajudar o país a ser melhor, e participar no processo de desenvolvimento “desde o momento que estejamos a construir um projecto nacional para o efeito e esse projecto nacional tem que ser envolvente, consensual entre os moçambicanos. ”

José Manteigas disse que desde o início, a RENAMO exortou ao Governo para que aprimorasse a capacidade combativa das Forças de Defesa e Segurança e encontrasse métodos modernos para debelar estes ataques que estão a surgir em Cabo Delgado, mas as autoridades não deram ouvidos.

“O princípio da inclusão de todos os moçambicanos deve ser uma maneira de ser e estar do Estado moçambicano, deve ser um princípio permanente. Não é só quando há focos de conflitos que achamos que os outros têm uma palavra a dizer”, considerou.

 

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