Preto & Branco

Compulsando Sobre os Primórdios da Agricultura Estatal em Moçambique

Na senda das iniciativas governamentais em curso de revigorar a agricultura no país, é importante recordar as primeiras iniciativas estatais de Moçambique independente para alavancar o sector. Embora no contexto actual não se trate se machambas estatais, o facto de o Estado injectar fundos públicos e de parceiros de cooperação merece este destaque.

Foi neste quadro que foram criadas as machambas estatais a partir de farmas abandonadas pelos colonos portugueses e concebidas para servirem como modelos duma agricultura tecnologicamente avançada e como fontes de inspiração para os cooperativistas bem como oferecer oportunidades de emprego para os habitantes das aldeias comunais. Por conseguinte, foram dotadas de enormes fundos públicos, modernas alfaias agrícolas e pessoal qualificado. As primeiras machambas estatais foram criadas em 1976. Nos princípios da década de 1980 estimavam-se entre 100 e 110 machambas estatais. No total, as machambas ocupavam uma área estimada em 600 000 hectares. A ênfase na criação de machambas estatais introduzida durante o III Congresso da Frelimo em 1977 (lembrar que foi no decurso deste Congresso que a FRELIMO transformou-se em partido com uma orientação Marxista-Leninista) levou ao gasto de 50 milhões de libras com a importação de 3000 tractores e 300 auto-combinadas entre 1977 e 1981. Em consequência disso, em 1980 as machambas estatais eram as principais produtoras de culturas alimentares e de culturas de exportação, deixando para atrás os sectores familiar e privado. As cooperativas também beneficiavam do apoio financeiro e técnico fornecido pelo MINAG através do GODCA. Em 1977 havia 180 cooperativas em todo o País, as quais tinham 25000 membros. Quatro anos depois, o número de cooperativas tinha duplicado, mas o número de cooperativistas tinha crescido apenas para 37000. Tal como as machambas estatais, as cooperativas agrícolas geralmente ocupavam os campos abandonados pelos colonos portugueses. A maior parte delas dedicava-se à produção de culturas alimentares, que serviam para abastecer as zonas urbanas.

Do ponto de vista de distribuição, destacava-se na região norte do país o Complexo Agro-Industrial de Montepuez em Cabo Delgado e Nova Madeira em Niassa. Na região centro emergia o Complexo Agro-Industrial de Angónia-CAIA, que incluía as regiões de Angónia, Lupata, Cahora Bassa, Tsangano, Metengobalame e Dómuè na provincia de Tete. A Sociedade Algodeira do Zambeze-SAZA, Unidade de Produção de Megaza-UPM, Empresa Comercial de Megaza. Todos esses complexos faziam parte dos distritos de Quelimane, Nauela, Milange, Gurué, Murrumbala e Maganja da Costa na Província da Zambézia. A criação da Empresa Estatal Agrícola de Manica-EEAM que foi instalada nos distritos de Chimoio, Gondola, Sussudenga, e Manica. No sul, emergia o Complexo Agro-Industrial de Limpopo-CAIL baseado em Chówkè na província de Gaza mas com ramificações nas províncias de Inhambane e Maputo.

 

 

 

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