Preto & Branco

Mais uma investida da Junta Militar da Renamo

Domingo sangrento no interior de Manica

 Homens impunhando AKMs metralharam uma coluna de viaturas, no entrar da noite,  Domingo último, numa estrada rural no interior da província central de Manica., ceifando a vida de duas pessoas e ferindo outras quatro, algumas em estado crítico, incluindo-se duas crianças menores de 15 anos de idade

Enquanto para uns, o Domingo é dia sagrado para louvares nas suas religiões, para um grupo armado, supostamente da autoproclamada Junta Militar da Renamo, foi para derramar sangue de inocentes, ao ponto de alguns perderem a vida pela investida das balas assassinas.

Segundo apuramos, este ataque armado contra viaturas no centro do país, matou no Domingo (27 de Setembro) duas pessoas e feriu com gravidade outras quatro, incluindo duas crianças.

Confirmando a ocorrência, a Polícia da República de Moçambique (PRM) em Manica, disse que o ataque foi protagonizado pela autoproclamada Junta Militar, um grupo dissidente da Renamo. “Das emboscadas que incidiram contra viaturas particulares e semi-colectivos de passageiros, ao longo da estrada número regional 260, que liga Chimoio a Mossurize, resultaram dois mortos e quatro feridos”, confirmou Mateus Mindu, porta-voz da Policia em Manica.

Este  novo ataque ocorreu a sudoeste de Mutunduri, uma zona junto à Estrada Nacional 1 (EN1), principal estrada de Moçambique, com um histórico de ataques armados, e não distante do local onde foi decapitado um cidadão de nacionalidade vietnamita em Abril.

Os ataques surgem na sequência de outros em estradas e povoações das províncias de Manica e Sofala, por onde deambulam guerrilheiros dissidentes da Renamo, liderados por Mariano Nhongo, da autoproclamada Junta Militar.

Testemunho dos sobreviventes

Segundo sobreviventes, o incidente aconteceu junto à estrada regional 260, que liga os distritos a sul da região à capital, Chimoio. O grupo armado entrou na estrada em que circulavam os veículos e mandou-os parar. Entre os automóveis estava um ligeiro de passageiros e uma carrinha de caixa aberta usada também para transporte de pessoas, vulgo “my love”.

Uns sobreviventes, cujos depoimentos foram colhidos pela Voz da Ámerica, relataram que o grupo, que empunhava armas de assalto do tipo AK-47, apareceu ao cair da noite, na referida estrada regional , onde circulavam quatro viaturas, ordenou que parassem e abriu fogo quando os condutores desobedeceram.

“Não era possível identificar claramente as pessoas que ordenavam a paragem. Quando abriram fogo, percebemos que era um ataque e todos os carros foram atingidos, mas algumas pessoas não sofreram”, contou o sobrevivente Rondinho Lucas. Este  e outros passageiros seguiam na carroçaria de uma viatura de caixa aberta, conhecida por “my love”.

Charles Mussimua, um dos feridos, motorista do transporte ligeiro de passageiros que liderava a coluna, citado pela agência Lusa, explicou que “faltavam oito quilómetros para chegar a Dombe, e fomos atacados cerca das 18 horas locais. Outros morreram ai mesmo, outros era normal (com ferimentos)”, disse Mussimua, que foi atingido por uma bala, ajuntando que “a intenção era mandar parar o carro, mas eu tentei de tudo para sair do local”.

Por seu turno, Adelino Fernandes, médico cirurgião do Hospital Provincial de Chimoio, quando abordado pela imprensa disse que das quatro vítimas com ferimentos de balas que deram entrada naquela unidade de saúde, duas crianças continuavam com um quadro clínico grave, tendo esclarecido que  todas as vítimas apresentavam ferimentos por armas de fogo, entre elas duas crianças de 10 e 14 anos em estado grave.

”Devido à gravidade dos ferimentos, uma menor foi transferida hoje (referência ao dia 28 de Setembro) para o Hospital Central da Beira, e outra continua sob cuidados intensivos no Hospital Provincial de Chimoio”, disse o médico, adiantando que um dos dois pacientes adultos teve alta.

A autoproclamada Junta Militar da Renamo foi formada em Julho de 2019, e contesta a liderança de Ossufo Momade e quer renegociar os acordos de paz definitiva de Agosto de 2019.

As autoridades policiais atribuíram vários ataques, em Sofala e Manica, à Junta Militar da Renamo, que por seu turno têm reivindicado parte deles e ameaçado realizar outros e enquanto isso dezenas de pessoas, civis, estão sendo mortas  e milhares deslocadas na sequência destas ondas de ataques.

 

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