Preto & Branco

‘Situação Sombria’ no seio dos Camaradas

É inquestionável que Moçambique esta a viver momentos ‘quentes’ ao nível da gestão ‘do político’ e uma ‘crise’ intestinal no seio do partidão.

Pela primeira vez desde a independência nacional, um antigo Presidente da República (PR), Armando Guebuza, é intimado pela justiça, no caso vertente, pela Procuradoria-Geral da República (PGR), para prestar esclarecimentos sobre alguns actos ligados aos dez anos da sua governação. Guebuza quer ser ouvido no quadro do ‘cambalacho’ da contratação das infames dívidas sem a autorização do parlamento que ficaram conhecidas como a saga das ‘Dívidas Ocultas’.

Hoje, aquele que ontem que, com vozes esganiçadas a perderem o fôlego em pleno Parlamento, era considerado o ‘filho mais querido’, o ‘visionário’; aquele que dizia que a ‘pobreza dos moçambicanos estava na cabeça, que não de devia ‘ter medo de ser rico’, etc., hoje esta a ser acossado pela ‘justiça’ que ajudou a criar.

Ao sentir-se visado, Guebuza emitiu um comunicado público colérico, fazendo ‘chacota’ da PGR. Indirectamente, depois do seu intróito em que afirmava ter lutado e dado o seu melhor pela independência nacional (que não se questione e se retire mérito disso), Guebuza partiu ao ataque.

Um olhar um pouco atento revela que a Frelimo está a atravessar um momento fracturante e, pela primeira vez, publicamente um antigo PR questiona a acção governativa do seu sucessor. Não pretende-se afirmar que nunca tenha havido diferenças em outros ciclos de governação. Aliás, quando o antigo PR Armando Guebuza tomou posse para o seu primeiro mandato afirmou que tinha chegado o momento de acabar com o ‘deixa-andar’, que caracterizou o consulado Chissanista. Mas nada se assemelha com que esta a assistir-se actualmente, senão veja-se:

O Nyussismo apregoa, dentre outros, o combate à corrupção. É justamente nesta cruzada onde Guebuza é encurralado. A reacção Gubuziana suscita algumas questões, que o tempo vai encarregar-se de responder:

  1. Quando ridiculariza a actuação da PGR, ao solicitar a sua audição ao Conselho de Estado, que mensagem estará a transmitir?
  2. De que Guebuza receia? Sempre falou-se da consolidação do Estado de direito democrático e da separação de poderes. Porque questionar um desses pilares quanto pretende aferir/ouvir/investigar as causas que levaram-nos a grave situação económica em que nos encontramos?
  3. Não confia na justiça que ajudou a edificar?
  4. Estará a considerar-se vítima de uma cabala política? De quem? Com que interesse?

 

Aguardemos os próximos passos para ter mais elementos para tentar responder às questões acima indicadas e completar o puzzle.

 

P.S. Não deixa de causar revolta a matança de inocentes e destruição de propriedade pública e privada na região centro de Moçambique. ‘Ontem’ a imprensa pública chegou até a dar espaço privilegiado em pleno telejornal e noticiário radiofónico nacional a esse facínora chamado Nyongo. Ia-se inclusivamente ao seu encontro nas matas para entrevistá-lo.  Hoje, esse bicho que foi ’acarinhado’ pelos detractores de estimação da Renamo sofreu mutações e tem mais cabeças e tentáculos, aparentemente difícil de controlar. O povo Moçambicano vive em ciclos permanentes de martirização. Não merecemos isso!

 

 

 

 

 

Adicionar comentário

Leave a Reply