Preto & Branco

Nos movimentos financeiros suspeitos

Banco de Moçambique combate falsas identidades

Para evitar branqueamento de capitais, financiamento de grupos armados e fraudes para acesso a empréstimos bancários, o Banco de Moçambique (BM) vai introduzir o número único de identificação bancária.

O governador do BM, Rogério Zandamela, revelou que o número de cidadãos que usam múltiplas identidades para cometer irregularidades é grande e reconheceu as dificuldades do banco central para lidar com a situação.

Zandamela ressaltou que Moçambique tem a particularidade de os cidadãos usarem várias identidades. Ou seja, uma pessoa apresenta uma identidade ou um bilhete de identidade e pede dinheiro emprestado. Depois, essa mesma pessoa vai para uma outra instituição com outra identidade.

“Acaba que os serviços bancários não sabem com quem estão a lidar. Precisamos de saber com clareza, sem dúvidas, quem opera no nosso sistema financeiro”, disse.

Moçambique vive dois conflitos armados, um na região Centro e outro na região Norte. As fontes de financiamento desses grupos armados até hoje não são conhecidas. O número único de identificação bancária deverá contribuir para limitar as operações bancárias que sustentam o crime no país.

Zandamela opina que há países que são vistos como “relaxados” na área de combate ao branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo. O governador do BM diz que Moçambique quer caminhar na direcção correta no que se refere à identificação das movimentações financeiras.

“Os aspectos militares das zonas Centro e Norte têm um elemento de financiamento. Essas coisas não acontecem sem dinheiro. E se nós não sabemos quem são as pessoas que movimentam dinheiro, fica difícil também ajudar as forças de segurança a operarem nesta matéria”, salienta Zandamela.

O governador do banco central disse que a instabilidade dificulta certos tipos de investimentos – que ficam mais caros e muitos investidores ficam amedrontados. Para Zandamela, em condições normais, haveria maior e melhor qualidade de investimentos.

“Em colaboração com todos os colegas que estão envolvidos [na Defesa], estamos a trabalhar para assegurar que todos os projectos que estão lá programados aconteçam com tranquilidade e que não haja atraso nos projectos que temos ai na província de Cabo Delgado. Por enquanto, as coisas estão acontecendo mais ou menos dentro do cronograma já definido”, disse.

 

 

 

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