Preto & Branco

Sobre recentes ataques no centro do país

Nhongo sacode o capote e ameaça…

  • FDS isolam Matsagaissa Junior da Família

 Depois de a Polícia da República de Moçambique (PRM) confirmar a ocorrência de um ataque armado entre a Gorongosa e Nhamatanda, em Sofala, domingo último (20 de Setembro), cujo balanço preliminar indica uma vítima mortal e nove feridos, responsabilizando a Junta Militar da Renamo pelo mesmo, esta, na voz do seu líder, Mariano Nhongo, nega a autoria e devolve a acusação ao Governo.

“Temos registado um caso de ataque protagonizado por bandidos pertencentes à autoproclamada junta militar da RENAMO, estes que posicionados na N1 empenhados de armas de tipo AKM teriam efectuado vários disparos contra viaturas”, disse Daniel Macuácua, porta-voz local da Polícia da República de Moçambique (PRM) falando à imprensa sobre o assunto.

Assim, o governo confirmava a ocorrência do ataque armado entre a Gorongosa e Nhamatanda, no último domingo  e avançou,    em balanço provisório, que houve uma vítima mortal e nove feridos.

Este ataque atribuído à Junta Militar da RENAMO é, no entanto, refutado pelo líder do grupo Mariano Nhongo, que endossa ao Governo a obrigação de investigar a autoria dos ataques.

“Não me pergunte sobre esses ataques, porque eu também não sei. Pergunte ao Governo quem está a realizar esses ataques, o que está acontecer nesses ataques… “, refutou, devolvendo a questão ao Governo, quando questionado pela DW Africa.

Contudo, a autoproclamada Junta Militar tem sido autora dos ataques desde Junho de 2019, aquando da sua fundação, contestando a liderança da RENAMO, liderada por Ossufo Momade.

Por seu turno, Ossufo Momade que esteve de visita de trabalho à província de Sofala desde o último domingo e voltou a apelar a Nhongo que se alinhe com o partido e adira ao processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) dos antigos guerrilheiros da RENAMO.

“Temos feito vários apelos para que o Nhongo pudesse voltar à razão. Em nenhum momento deixámos de convidar para que eles pudessem regressar. Neste momento está a decorrer o DDR e nós queríamos que esses irmãos não pudessem perder esta oportunidade, porque é uma e única oportunidade que podem aproveitar”, vincou, advertindo que “se perderem a oportunidade, teremos problemas”.

Também no domingo, populares deram conta de mais um ataque no troço Muxungue-Save contra dois camiões de carga, incidente que ainda não havia sido confirmado pela polícia. É o segundo dia de incidentes no centro do país em menos de uma semana, depois de um ataque armado contra três autocarros de passageiros em Pungué, na quinta-feira (17 de Setembro).

Esta situação acontece quando a poucos dias Mariano Nhongo disse que a família estava a ser vítima de perseguição e que as Forças de Defesa e Segurança tentaram matar-lhe os filhos, tendo ameaçado fazer sabotagem: “Vou paralisar aquela açucareira [de Mafambisse]!”.

Ameaças de Nhongp e isolamento de Matsagaissa Junior

Em entrevista à DW, Mariano Nhongo disse que, na quarta-feira (16.09), um dos seus filhos foi alvo de cinco tiros, sendo que a sua motorizada lhe foi logo depois retirada por supostos membros das Forças de Defesa e Segurança (FDS) na aldeia de Chiadeia, no distrito de Nhamatanda, província central de Sofala.

Segundo o líder da auto-proclamada Junta Militar da RENAMO, o maior partido da oposição, no mesmo dia, também dois dos seus filhos mais novos foram capturados, torturados e obrigados a mostrar o esconderijo do pai, que é um antigo general da RENAMO.

“O meu filho foi alvejado, levaram a mota dele. Foram disparados cinco tiros, mas ele escapou, mas esta manhã ligou-me a dizer que estava a ser levado”, contou Mariano Nhongo.

“Tenho informação de que estão na zona membros das Força de Intervenção Rápida, polícias com armas, a procurar a população, a procurar crianças, a procurar crianças de 7, 10, 15 anos. Para fazer o quê?”, questionou.

Mariano Nhongo ameaça criar uma revolta popular que poderá resultar na destruição da fábrica de açúcar de Mafambisse, que se localiza na aldeia próxima de Nhamatanda. “Vou paralisar aquela açucareira”, advertiu.

As ameaças de Mariano Nhongo acontecem num dia em que dois autocarros de transporte de passageiros foram atacados na região fronteiriça de Pungué, entre os distritos de Nhamatanda e Gorongosa. O ataque resultou em sete feridos, dos quais três com gravidade, segundo Dércio Chacate, porta-voz da Polícia na província de Sofala.

Outro integrante da auto-proclamada Junta Militar, André Matsangaisse Júnior, perdeu contacto com quatro membros da sua família, incluindo a esposa grávida, que acredita terem sido raptados pelas FDS na cidade de Chimoio, província central de Manica.

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