Preto & Branco

Acusações de espionagem contra polícia de Nova Iorque são “invenção”

A China classificou na passada terça-feira “pura invenção” a acusação contra um agente da polícia de Nova Iorque de ser um “ativo dos serviços secretos” de Pequim, acusando tratar-se de conspiração para difamar diplomatas chineses.

De acordo com uma queixa criminal apresentada no tribunal federal de Brooklyn, em Nova Iorque, Baimadajie Angwang, natural do Tibete e cidadão norte-americano naturalizado, concordou em espiar defensores do movimento pela independência do Tibete radicados nos Estados Unidos, a partir 2018, como um agente da China, parte do esforço chinês para reprimir o movimento.

A acusação diz que ele trabalhou secretamente para pessoal não identificado do consulado chinês em Nova Iorque.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Wenbin, disse hoje que a acusação contra Angwang está cheia de termos dúbios como “parece” e “possivelmente”, sugerindo que a acusação se esforçou para criar um caso.

“As acusações relevantes feitas pelos EUA são pura invenção”, disse Wang, em conferência de imprensa.

“O plano dos EUA para desacreditar o consulado chinês e o seu pessoal nos Estados Unidos não terá sucesso”, assegurou.

Angwang foi considerado “a definição de uma ameaça interna”, disse William Sweeney, chefe do escritório do FBI em Nova Iorque, em comunicado.

Documentos judiciais revelam que o trabalho de Angwang como espião para a China era “localizar fontes potenciais de inteligência” e “identificar ameaças potenciais para a [República Popular da China] na área metropolitana de Nova Iorque”.

“Dele também era esperado que facilitasse o acesso de pessoal do consulado chinês a quadros da polícia de Nova Iorque, através de convites para eventos oficiais”, afirmou a acusação.

A informação avançada pela LUSA, o grupo de defesa dos direitos humanos International Campaign for Tibet (Campanha Internacional pelo Tibete), disse em comunicado que a prisão revela que o “Partido Comunista Chinês está envolvido em operações malignas para reprimir a dissidência, não apenas no Tibete, mas em qualquer local do mundo onde os tibetanos são livres para se expressarem”.

Tropas enviadas pelo Partido Comunista Chinês ocuparam o Tibete, em 1950, e Pequim defende que a região dos Himalaias é território chinês há séculos.

Muitos tibetanos dizem que foram efetivamente independentes durante grande parte daquele período e acusam a China de tentar exterminar a cultura e a língua tibetanas.

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