Preto & Branco

“A lei de igualdade de género deve ser traduzida em línguas locais” adverte Isabel Sofia

Como forma melhor percepção a sociedade moçambicana em toda esfera, a nossa interlocutora considera fundamental a tradução da lei de igualdade de género e outras leis de protecção a mulher para que todos cidadãos tenham melhor entendimento e interpretação das mesmas, porque essas leis estão em língua portuguesa e a maior parte dos cidadãos, poucos sabem interpretar. A fonte acrescenta sugerindo que, da mesma forma que fazem na campanha sobre o novo coronavirus deve o fazer para que os moçambicanos consumam esses instrumentos e que trazem bons resultados a mesma sociedade.

Tal que para compreender o cenário no país, o Jornal Preto e Branco conversou com a Assistente Social de Formação e por sinal membro da Fórum Mulher Isabel Sofia  para nos debruçar dessa temática tão preocupante e tem se feito confusão entre os tipos de violência como violência baseada no género e doméstica. Porém, existe um cenário em que a mulher já é vulnerável a este tipo de violência. Tem se notado igualmente que, na sociedade poucos sabem da diferença entre violência baseada no género e violência doméstica. Aqui, a nossa entrevistada conceitualiza nos as diferenças existentes entre os dois termos que tem criado confusão no seio de entendimento de certas pessoas. A fonte falava no espelho da temática Violência baseada no género, direitos sexuais e reprodutiva.

A

fonte, violência doméstica, não depende da violência baseada no género da pessoa, é uma violência que ocorre dentro da família, a sociedade e assim como concretamente nos bairros ou local que a pessoa está inserida trazendo neste caso sofrimento para a família ou para a vítima. E, a violência baseada no género, é compreendida como aquela que é perpetrada contra a pessoa de sexo oposto onde o indivíduo é violentada por ser um género que praticamente está fragilizado e ela afecta muito para as mulheres, por ela ser olhada como fragil, mas, a violência baseada no género não fala apenas da mulher mas também do homem. A violência baseada no género pode ocorrer também nas crianças duma determinada família, e pessoas e todos os sexos.

P&B: Quem é o protagonista da violência baseada no género?

IS: O homem é quem tem sido o acionador da violência dentro duma família, porque, a educação sexista, já traz a criança em particular o rapaz com o espírito de superioridade e esta violência já vem sendo reproduzida desde a antiguidade. Não digo que são as mulheres que incita a violência, mas, incita de certo modo porque é a mulher que educa a criança. E o que dói mais contra a mulher, a violência é normalizada e sempre se procura justificação o que teria feito para seu marido até chegar a fase de levar purada. As pessoas não olham pela parte do homem… e o homem é tido como uma pessoa que nunca erra. Sempre que o homem morre no seio da família dizem que a mulher o matou e aí, sempre vai sofrer discriminação.

P&B: De que forma podemos combater esses fenómenos?

IS: A culturação do ser humano traz mais violência e se a sociedade começar a moldar as nossas culturas marxistas que transportamos de um lugar incerto, a relegião também é um factores que cria submissão, que conselho dá a relegião? Da mulher ter que se submeter ao marido e o marido pensa que o facto da mulher ser submissa, quer dizer que ela tem que aceitar o sofrimento do marido o que Deus uniu ninguém o separa…automaticamente se a mulher está sofrer ou tem que aceitar que te façam sofrer. A modo de viver de um povo as mulheres são divididas em duas mulheres: a mulher Santa e mulher (Puta) não prestável. Enquanto não se parar de olhar essas divisões de duas mulheres, não será tão facil acabar com violência baseada no género e a mulher santa é classificada como boa mãe, mulher boa que se ajoelha quando vê o marido que pode ir onde que quer que vai, ela submissa. E mulher (puta) não prestável na conversa do dia-a-dia dos homens essa mulher é considerada a boa mulher aquela que gosta de ficar bonita para seu marido e quando a mulher briga com seu marido e ela reivindica seus direitos é dita não presta e outras coisas fundamentadas. Entretanto, para mudar o cenário é importante reciclar as nossas culturas como está acontecer na zona norte por exemplo, os ritos de iniciação são feitas dentro duma igreja. E nós como Fórum Mulher trabalhamos muitos nos distritos dando formações as matriarcas, líderes comunitários e chefes dos quarterões e a população em geral porque, eles são as pessoas mais influenciadoras.

P&B: E a dependência económica?

IS: A dependência económica é uma das formas de submissão feminina que o homem diz que tem que sustentar a minha família, mas, se formos a ver o tal sustento referido, não é visivel o dito sustento. A forma de ficar em casa fazer todas tarefas são formas de violência e o insulto constitui violência. Por exemplo quando a mulher pede capulana para certos homens é uma confusão, mas não deixou ela trabalhar e outros dizem que a mulher é preguiçosa, mas não é. O homem desenha uma barreira não ter tempo da esposa voltar a escola e nem trabalhar, ocupa-te e a mulher sofre e quando pensa em voltar começar do zero ela já se sente redicularizada.

P&B: Que resultados negativos da violência baseada no género da briga dos pais em frente dos filhos

IS: A briga dos pais em frente das crianças pode herdar mau carácter para os nossos filhos porque a criança tem como seu primeiro fã seu pai, sua mãe, e os pais é fácil nos moldar enquanto crianças. Ao homem cria uns efeitos psicológicos e pode transformar a criança numa anti-social e para se sentir mais jovens, homem na sua esposa vai querer bater e vai considerar normal o sofrimento da mulher mas, o lar não se constroi dessa forma, lar é para criar amor, paixão e tudo de bom.

P&B: Qual é a sua análise da violencia baseada no género na época da pandemia da covid-19

IS: Há muitos casos de violência e aqui na associação temos crianças que sofreram violência, muitos abusos sexuais e temos nestas nossas instalações uma menina que é mãe de um bebé de duas semana e a tomar anteretrovirais e quando ela toma tipo grossa e dormia e o marido estuprava-a e nós procuramos solução e as crianças são vistas como incomodo numa casa e muitas delas estão nos mercados praticar a venda informal com risco de ter o contágio da covid-19. A mesma criança sofre violência física e com estado de emergência veio para pôr as crianças com as suas famílias mas, essas estão ai nas ruas a vender produtos, uma exploração infantil e estão expostas ao coronavirus. Neste processo de venda outras crianças são assediadas pelos seus clientes. A pessoa violada tem três sofrimento: a 1º  é por ela sofrer aquela violência e dois a verganha e o medo de contar, o 3º são as ameaças do abusador, então ela tem todos esses sofrimentos e não conta a ninguém. Neste tempo do estado de emergência tem muitos caso e exemplo disso, uma criança de nove anos foi abusada sexualmente pelo vizinho e foram a avô disse que foram a esquadra onde disseram que tinha que ser resolvido de forma familiar e isso é correcto?

P&B: Outras brigas no casal parte do sexo, comenta

IS: A melhor forma de colmatar isso, é diálogo, porque enquanto os dois não se entender não haverá harmonia, e existe aquelas mulheres que tem aquele vírus feminista de decidir que isso não. O homem deve respeitar a sua esposa e assim como a mulher respeitar o seu marido, se amar e quando ama não precisa trair.

P&B: As consequências da violência baseada no género

IS: Tem muitas consequências…

A violência baseada no género ela oprime a mulher e isso traz consequências da pobreza feminina, a situação das mulheres estérica que não faz filhos, elas sofrem muito e ela é tida como alguém que não produz, muitas morrem e anda com sofrimento e ela não chora lagrima, chora dentro de si e ela se faz de forte e mortificar alguém é a pior coisa que existe porque depois a mulher é vista como mulher de fulano. Quando uma mulher está num atormento só pensam no que tem e não no sofrimento que ela tem, e nenhuma mãe pergunta se a filha está feliz com seu lar, ou ja ouviste alguma vez? Não. Não pergunta mesmo sofrendo e outra mulher se revolta e quando reage é daquela que sai na televisão e quando é homem não.

P&B: Quanto a lei dá defesa da mulher?

IS: Há um caminho um pouco andado na disputa pelo direito de género, pelo menos as pessoas já conhecem as leis embora não conhecem na íntigra mas cada pessoa sabe que existe esta lei que lhe proteje e sabe que tem seus direitos na casa. De realçar na altura a casa era tida como do homem mas agora graças a lei a mulher já sabe que a casa lhes pertence também. E gostaria que esta lei de igualdade género fosse anunciada a todo mundo e ter traduções em todas linguas, fazer a replica da campanha contra o coronavirus e quem lê é quem sabe ler e para quem não é letrada não lê. Falar das penalidades que esta lei traz que se não falar os homens vão continuar a violentar e outra coisa, deve haver protecção na parte das pessoas que denunciam os casos de violência porque muitos desses denunciadores não têm protecção, combater a estigmatização e como o caso de feitiçaria. Deve se trabalhar ardualmente nas leis que protegem a mulher.

P&B: Que tipo de violência predominante no circuito moçambicano

IS: A violência física agora os homens reduzem graças a aprovação das leis que protegem a mulher e violência verbal e económica é vista como normal. A mulher é barrada com os seus esposos até de tornar empresárias. Nas crianças não deve haver divisão de tarefas dentro de casa porque é isso depois traz conflitos entre rapazes e raparigas. Os filhos unicos tem sido filho de ouro e isso é errado porque todos devem ter o mesmo amor. Se até o pai que fica muito tempo não consegue educar o filho, o que pode acontecer com o professor que só tem quatro horas de aulas para ensinar…logicamente que não vai conseguir, pais devem dar educação e não esperar o governo. E mulher deve tornar independente economicamente.

P&B: O que quer dizer por independência económica?

IS: A mulher deve estar independente economicamente para desenvolver porque são estes casos em que ela maltratada quando ela precisa de algo para fazer e quando pede dinheiro ao seu marido são brigas. A falta de independência acontece no sector de trabalho, onde a mulher concorre a uma vaga de emprego e ela é assediada para ter garantia do emprego e outras acabam se inserindo neste acto porque em casa não lhe dá dinheiro e ela necessita, isso, deve se combater muito porque a mulher tem poder. Exemplo recente é o caso de Matalane. A mulher não precisa de ser emponderada porque ela já nasce com poder. O empoderamento tem uma coisa errada, é bom sim é uma forma de dar o poder a mulher mas, não precisamos de ser dados, a mulher precisa de conquistar e coisa dada não tem peso e coisa conquistada tem peso. A mulher precisa de ser emancipada e a mulher é uma máquina de acção e uns dez meticais a mulher é capaz de transformar em um almoço. E nós queremos igualdade de direito.

De recorda que após décadas de esforços e conquistas globais para melhorar a vida das mulheres, a União Europeia (UE) e as Nações Unidas (ONU) lançaram em 2017 uma parceria global para acabar com todas as formas de violência contra mulheres e raparigas – a Iniciativa Spotlight. Moçambique é um dos oito países em África selecionados para a implementação da Iniciativa. Sob a liderança do Governo de Moçambique, por meio do Ministério de Género, Criança e Acção Social, a Iniciativa foi lançada no país em 2019 para beneficiar seis milhões de pessoas nas províncias de Gaza, Manica e Nampula entre 2019 à 2022, nas áreas prioritárias de combate à violência sexual e baseada no género, eliminação dos casamentos prematuros e promoção da saúde e direitos sexuais e reprodutivos.

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