Preto & Branco

Na zona centro do país

Lider da Renamo mobiliza entrega de armas

O líder da RENAMO, Ossufo Momade, está em campanha na zona cento do país, para a entrega voluntária das armas na posse dos guerrilheiros do seu partido e encoraja os dissidentes aglomerados na Junta Militar, liderada por Mariano Nhongo, a aderirem  ao DDR.

A cidade de Quelimane foi segunda-feira última (07.09) o epicentro do périplo presidência de Ossufo Momade, que arrancou na cidade de Maputo.

Logo ao chegar à província central da Zambézia, em declaração a imprensa, Ossufo Momade explicou que está muito feliz e sem razões de queixas sobre o processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) em curso no pais.

Para Ossufo Momade, o membro da RENAMO que não quer entregar a sua arma está a perder boas oportunidades. “No sábado estávamos em Santungira. Viram o número de pessoas que foram [des]mobilizadas? Elas estão satisfeitas e já chegou às suas aldeias a mensagem que nós deixamos e vou repetir aqui hoje: todo aquele que é da RENAMO aproveite esta oportunidade, porque não há razões de alguém pegar em armas porque tem uma diferença dentro de partido, qualquer membro que tenha um problema no partido que traga dentro de partido.

Ossufo Momade disse também que estaria disposto a contribuir para o combate ao conflito armado e terrorismo na província nortenha de Cabo Delegado.

“A situação de Cabo Delegado é também de Moçambique, até “meu irmão” poderá também fazer parte para que possamos acabar com a insurgência no país e em Cabo Delgado”.

O líder da RENAMO foi à província da Zambézia reunir-se com os seus ex-guerrilheiros e outros quadros do partido, durante 3 dias. Todos os encontros vão decorrer à porta fechada nas cidades de Quelimane, Mocuba e Gurué.

PR reconhece vontade da RENAMO

Entretanto, o Presidente da República, Filipe Nyusi,  vincou na mesma segunda-feira, também em Quelimane, por ocasião da celebração de 7 de Setembro, Dia da Vitória, que Ossufo Momade e os seus ex-guerrilheiros que se encontravam aquartelados estão dispostos a cooperar para o fim das hostilidades e o fim do terrorismo no norte de Moçambique, mas o desafio agora é Mariano Nhongo e a sua Junta Militar.

“Antes de ontem, chegaram grandes combates na zona de Mocímboa da Praia no entroncamento de Auase. Estive agora e estou a vir de lá da Gorongosa, em Vanduzi dialoguei com aqueles guerrilheiros da RENAMO. Perguntei ao grupo das guerrilheiras, das combatentes da RENAMO, se estavam disponíveis para apoiar as forcas que estão a combater nas zonas centro e norte [os conflitos]. Colocaram-se à disposição e pediram-me primeiro para irem reconstruir as suas vidas, depois de muito tempo. Por isso, quero afirmar àqueles combatentes da RENAMO: é melhor saírem. Nós não queremos andar a caçar as pessoas como animais, queremos as pessoas em casa”, disse o Presidente.

Depois de um arranque simbólico no ano passado, o DDR esteve paralisado durante vários meses, tendo sido retomado em 04 de Junho.

De um total de cinco mil membros do braço armado do maior partido da oposição que deverão ser abrangidos, 1.075 já entregaram as armas no âmbito dos entendimentos.

Apesar de progressos registados no processo, a autoproclamada Junta Militar da Renamo continua uma preocupação para as duas partes, sendo acusada de protagonizar ataques visando forças de segurança e civis em aldeias e nalguns troços de estradas da região centro do país.

Balanço da visita inaugual de Ossufo Momade

Segundo nota de balanço da visita inaugural de Ossufo Momade, no prosseguimento de visitas às províncias, depois da Cidade de Maputo, escalou Sábado  (29 de Agosto) a provincia de Maputo.

Onde manteve encontro com o Partido, representado pelas Estruturas de Base, isto é, os Delegados Políticos Distritais, da Cidade da Matola e dos Postos Administrativos, Comissão Política Provincial, Mesa do Conselho, Associação dos Combatentes da Luta pela Democracia, Deputados da AR, Chefias das Bancadas Municipais, Provínciais e Quadros influentes do Partido naquela parceira do País.

Na sua Viagem a Maputo-província, Ossufo Momade fez-se acompanhar pelos Chefes de departamentos e assessores.

Porém, na agenda e programa, contava-se com a Presidente da Liga  Nacional da Juventude, Ivone Soares, tida nalguns círculos políticos como apoiante, pelo menos moralmente, de Mariano Nhongo, com quem já teve alguns encontros na tentativa de reunificação da família Renamo.

Aliás, Ivone Soares, a par com outros quadros seniores da Renamo, estão visados num processo de investigação por alegado patrocínio à Junta Militar, tendo a sua residência sido alvo de buscas por agentes do SERNIC (Serviço Nacional de Investigação Criminal) na base de mandado judicial.

Todavia, na nota informativa em apreço, oriunda da Renamo, explica-se, somente, que a Presidente da Liga Nacional da Juventude, “por motivos de força maior de última hora não conseguiu se juntar à comitiva”.

De resto, neste encontro provincial, no contexto da agenda temática supracitada, Ossufo Momade deixou orientações sobre a sua visão para os próximos tempos, as soluções que tem sobre os problemas levantados, ressalvando a necessidade de união, trabalho e foco para os processos que se avizinham, em especial para as eleições autárquicas de 2023.

Referiu que está em vista a restruturação e revitalização, a colocação de Quadros nos lugares certos para o melhor desempenho destes, sem nunca olhar para a amizade, familiaridade, “pois a RENAMO é só uma, e todos somos Renamo”, teria aludido.

Após seis horas de interação, Ossufo Momade deixou a província de Maputo “satisfeito, pois tinha a certeza que os objectivos da visita tinham sido alcançados e a mensagem que leva encontrou um terreno fértil para florir”, frisa-se na nota em alusão.

 

Ossufo nega fragilização …

Ossufo Momade, que é o líder do maior partido da oposição no país, desde que ganhou as eleições internas, realizadas em Janeiro de 2019, com 410 votos, deixando atrás Elias Dhlakama, irmão do falecido presidente (238 votos) e Manuel Bissopo, antigo Secretário-geral (7 votos),  tidos como potenciais candidatos, sobretudo o irmão do finado Afonso Dhlakama, que esteve na segunda posição, uma onda de contestação interna emergiu. Foi crescendo, sobretudo, quando iniciou remodelações de fundo e, posteriormente, quando a 6 de Agosto de 2019 assinou o acordo de paz e reconciliação nacional com o Presidente da República, Filipe Nyusi, antes da realização das eleições gerais de 15 Outubro de 2019, que deram vitória retubante a Frelimo e seu candidato, Filipe Nyusi, e, também a nível das Assembleias provinciais.

 

Outro elemento crítico contra Osuufo foi a sua tranferência logo ao acordo do dia 6 de Agosto,  da Gorongosa (onde foi residir após a morte de Afonso Dhlakama, em Maio de 2018),  para a capital do país, instalando-se numa estância turística com gastos milionários.

A revolta agudizou-se, sendo catalogado de traidor e de ter sido “comprado” pelo governo da Frelimo, debalde as tentativas de explicação de que suas despesas eram pagas pela comunidade internacional.

Afinal, Ossufo Momade, contrário ao seu antecessor (Afonso Dhlakama), acabara de assumir os estatuto de líder da oposição, ou seja, o de segundo candidato mais votado nas eleições gerais, com as benesses milionárias e regalias de Estado, como direito a residência oficial, viaturas, seguranças, etc.

Sobre a reacção de Ossufo Momade à virtual fragilização do partido que dirige, e sua visão interpretativa dos factos, mostra-se oportuno a transcrição de excertos da entrevista que concedeu à publicação digital alemã, em língua portuguesa, DW África, no dia 1 de Setembro corrente.

 

DW África: Há politólogos que acreditam que a RENAMO esteja dividida, falam em cisão e fragilização do partido. Isso leva-nos a questionar: como vai o partido RENAMO?

 

Ossufo Momade (OM): Não estamos contra a observação ou a análise das pessoas. Mas dentro [do partido] não temos o sentimento de que a RENAMO esteja dividida, ou fragilizada. Isso porque sentimos que tudo o que nós planeamos está a acontecer. As nossas actividades estão a acontecer. E ainda temos o impacto popular. Se não fosse a situação de pandemia [da Covid-19] eu poderia sair daqui e ir até Sofala, e teria uma boa recepção. Poderia ir à Zambézia, e teria uma participação maior da população. Onde é que as pessoas buscam esta informação de que a RENAMO está dividida? O partido não está dividido e há uma coesão dentro dele. Nós continuamos a trabalhar e vamos surpreender em 2023.

 

DW África: O país também lida com outro problema preocupante: a Junta Militar, liderada pelo senhor Mariano Nhongo. Houve algum avanço, um diálogo, entre a RENAMO e a Junta Militar?

 

OM: Não houve. E não há um problema comigo. Só pode ter problema com o partido. Nhongo não foi expulso dentro do partido. Ele abandou a base onde estava por livre e espontânea vontade. Fez várias acusações mas essas são inúteis. Se recordarmos, logo que ele abandonou a base, terá dito que eu havia morto”Josefa” [Josefa Isaías de Sousa, militar da RENAMO]. Mas nós criamos condições para que o Josefa pudesse aparecer e depois todos viram, acompanharam, o mesmo foi preso. Mais tarde, Nhongo disse que eu não tinha guarda-costas, porque já tinha sido retirado. Em outra ocasião, quando entrevistou-me, eu havia dito que estava satisfeito e livre com os meus guarda-costas. Ele também apareceu afirmou que o “Ossufo era um traidor e que não tinha por que votar no Ossufo” – isso foi no dia 14 de Outubro de 2019. E também disse que eu “estava a vender votos”. Ou seja, há contradições no que o senhor Nhongo aparece a dizer: hoje ele diz uma coisa, amanhã outra. Eu não posso seguir alguém que mantém um comportamento assim. Pergunto: alguma vez acompanhou Nhongo atacar um alvo militar? Em nenhum momento. Os alvos dele são civis – autocarros, camiões. Isso significa criar problemas para a população moçambicana. E já tentamos todas as maneiras mas nunca tivemos solução razoável. Não estamos contra o Nhongo e não o expulsamos [do partido]. Ele saiu. Abandonou a base por livre e espontânea vontade. Por isso, dizíamos que ele era desertor. Não temos outro nome para [designar] um militar que sai de uma base. É um desertor, apesar das opiniões de que ele não o seja. Mas, peguemos um dicionário de língua portuguesa: aquele que sai ilegalmente, ou seja, que abandona a base, é um desertor. Eu não tenho outra forma para chamá-lo. Já esquecemos dessa parte. Então, gostaríamos que ele voltasse à razão.

 

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