Preto & Branco

“Cantar o amor me faz flutuar”

– Considera a cantora Sizaquel

A conceituada diva da música moçambicana, Sizaquel Mathlombe, disse à nossa reportagem que para o seu impulso artístico só tem uma palavra mágica que é o amor. “O amor é que me oferece tanta energia, mas uma energia inexplicável, energia maravilhosa, cantar o amor me faz flutuar”.

Sizaquel Mathlombe, natural da cidade de Nampula, filha de pai ronga e mãe cena, vive na cidade de Maputo, depois de ter vivido também nas regiões Centro e Norte de Moçambique. Com traços de cantora gospel, assume: “sou de uma família religiosa dos Velhos Apóstolos, desde criança que canto nos corais e foi na igreja onde apurei o meu talento”, revela.

Explica, adiante que: “eu escuto muita música de vários estilos e sou versátil quando se trata de ouvir música, ao cantar não me limito, mas os estilos com os quais me identifico mesmo são estilos gospel, Jazz e, especialmente, o blues. Pois, eu cresci ouvindo esses estilos em casa dos meus pais e acho que ficou em mim, encarnei-me nesses ritmos musicais para sempre, mesmo quando componho as minhas melodias tradicionais, um pouco de blues, jazz e gospel não falta”.

Quando cantas a tua voz faz maravilhas…, consideramos, ao que a cantora depois de risos disse“, pois, só tenho uma palavra mágica que é o amor, o amor é que me oferece tanta energia, mas uma energia inexplicável, energia maravilhosa que quando canto me faz flutuar”, considerou.

Sobre a temática de suas músicas, a entrevistada disse que nos seus temas podem ser encontradas mensagens que versão o amor, violência contra a mulher, violência no mundo, “falo muito da ambição desmedida, falo de muitos aspectos críticos e morais”, arrola.

Questionada sobre o destaque da mulher nos seus temas, respondeu: “Se calhar porque sou mulher, eu como mulher já passei por tantas coisas e vejo outras passando pelas mesmas que passei e acabo desabafando pela música”, explica.

Sizaquel considera que ser músico é Moçambique é difícil, “não é para quem quer é para quem tem capacidade de assumir todas as dificuldades que nela existem e seguir em frente com toda a certeza. É possível viver da música para quem ama apaixonadamente a música”, emite sorrisos e acrescenta: “você quando ama nem as dificuldades consegui notar, mas para os que têm a música somente para ganhar dinheiro não é possível viver de música”, esclarece.

Nós não somos marginais…

Sobre o impacto da Covid-19, esta cantora considera que neste momento em que tudo parou está tudo muito difícil. “Nós que dependemos de shows para viver estamos à deriva, infelizmente a maioria passa, neste momento, sérias dificuldades, somos muitos e pelo que vejo poucos têm tido oportunidades de fazer shows online talvez por falta de capacidade de abranger a todos”, observa.

Porém, “no âmbito da Covid-19, graças a Deus tenho tido algumas aparições em shows online e tenho feito alguns lives a partir de casa para as redes sociais”.

Sobre a sua carreira, aponta que “o marco da minha vida foi o primeiro prémio ganho no concurso da TV intitulado novos talentos (fantástico), foi um momento brilhante ver e sentir o meu talento valorizado e com as portas abertas para singrar”, referencia.

Sobre o desafio de progressão dos artistas, aponta a necessidade de um apoio multiforme para a sua profissionalização e a criação de mecanismos para a promoção e exposição de seus trabalhos de modo que o artista não passe por necessidades básicas. “Nós não somos marginais como muita gente pode pensar, merecemos ser tratados com dignidade no nosso próprio país, alguém tem que zelar por nós, nos proteger e cuidar. Aos empresários eu peço que acreditem nos músicos moçambicanos e não sintam-se a perder quando se trata de pagar com dignidade ao artista pelos seus serviços prestados e, nesta altura da crise humanitária, seria de louvar a quem de direito se se pensasse em, pelo menos, a cesta básica para o artista”, avança.

Sobre perspectivas, Sizaquel diz: “sonhava um dia em expandir o meu trabalho pelo mundo e acredito que estou a caminho de conseguir isso, numa altura que sou membro da Associação Moçambicana dos Músicos e já tenho um disco intitulado Tivoneleni”.

Na sua carreira assinala que já conquistou vários prémios, de entre os quais, em 2007, no concurso da RM Ngoma Moçambique, o prémio de Melhor Canção; entre 2010 e 2011 ganhei o prémio de Melhor Canção e em 2015 conquistei, mas uma vez no Ngoma Moçambique o prémio de Melhor Canção.

Em manga tem em vista o lançamento do próximo disco e pede aos seus admiradores apoio continuado e agradece por estarem com ela na sua, ainda, longa caminhada.

Esta cantora arrola que inspira-se em vários artistas entre nacionais e internacionais. “Desde o início da minha carreira gosto da Whitney Houston, Aretha Franklin, Nina Simone, Michael Jackson, e a nível nacional Mingas, Elvira Viegas, Orquestra Marrabenta e Elsa Mangue”, destaca.

A nossa estrela nos tempos livres gosta de ler romances e a Bíblia e procura estar mais com a família, especialmente, as suas filhas, e assistir espetáculos de colegas quando existem e levar a vida normal como qualquer outra pessoa

Agradece o apoio incondicional da família e poe Deus no comando da vida de todos e apela a prevenção nesta altura da Covid-9.

 

 

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