Preto & Branco

Velejadoras qualificadas à Olimpíada de Tóquio clamam por melhores condições

Volvidos quase três meses desde que as velejadoras DeyseNhaquile, Denise Parruque e Maria Machava foram autorizadas a regressar aos treinos por estaremqualificadas aos Jogos Olímpicos de Tóquio de 2021,continuam a debater-se com muitas dificuldades para realizarem os treinos de forma a fazerem boa figura no Japão.

O LanceMZ foi ao Clube Marítimo, onde têm treinado as atletas, e testemunhou de perto as dificuldades que as trêsvelejadoras têm enfrentado na sua preparação rumo ao maior evento desportivo do planeta. Desde a falta de um barco adequado para a categoria que vão competir em Tóquio até a falta de transporte para chegar ao local de treinos passando pela ausência do treinador no país e a falta de competição a nível interno.

Em tempos que a cidade de Maputo está em estágio de transmissão comunitária da Covid-19, as atletas têm de recorrer ao transporte público para chegarem ao local de treinos, o que as preocupa.

“É muito difícil sim não ter transporte. No caminho não sabemos com quem podemos cruzar. Não sabemos se está ou não infectado. Isso é constrangedor para nós, por isso precisamos de um transporte para levar-nos de casa até ao clube” relatou Maria Machava.

Além do transporte, outra preocupação das atletas prende-se na falta do barco especifico que necessitam. A velejadora Denise Parruque acredita que já deviam, nesta fase, estar a usar o barco que terão na competição de Tóquio como uma forma habituar-se e sanar alguns erros.

“O barco que vamos usar nos Jogos Olímpicos é o 470 e não temos ainda. Agora estamos a treinar com um 420 (…)acho que já devíamos ter começado a treinar com o barco que vamos usar lá para conseguirmos superar aquelas que são as nossas dificuldades e nos adequarmos àquele ambiente” disse Parrque.

O Presidente da Federação Moçambicana de Vela e Canoagem (FMVC), Hélio da Rosa, confidenciou-nos que o barco específico que as atletas precisam para o treinamento encontra-se retido na vizinha África do Sul devido ao encerramento das fronteiras causado pela pandemia da Covid-19.

“O barco ainda não está cá porque as fronteiras estão fechadas e nós já tínhamos começado com os contactos com a África do Sul para adquirir dois barcos para a preparação das atletas e também para que pudessem ficar aqui para actividades futuras. Mas infelizmente por causa do fecho das fronteiras não pudemos dar continuidade a isso. Ainda estamos em negociação com a África do Sul, eles ainda estão disponíveis em facilitar a aquisição do barco” disse da Rosa.

Sobre o treinador que não se encontra no país, o líder máximo das modalidades aquáticas de vela e canoagem no país diz que mesmo a distância tem auxiliado com suporte dos treinadores que estão em Maputo.

“Relativamente ao treinador, ele tem trabalhado com os treinadores que nós temos. Que são os mesmos que treinaram as atletas quando se encontravam em classes anteriores às olímpicas e têm aprendido bastante” relatou Hélio da Rosa.

Falta de condições e competição pode comprometer prestação na Olimpíada de Tóquio

Para melhorarem o seu desempenho e, possivelmente, fazerem boa figura em Tóquio, as atletas apelam a que sejam respondidas as suas inquietações em forma de criação das mínimas condições.

“É muito a questão do ambiente. Primeiro é quando tu acordas e vens ao clube. Conta muito o que vai acontecer pelo caminho. Quando não se consegue transporte para cinco atletas que vão aos Jogos Olímpicos, pessoas que lutaram durante anos para qualificar, estar em meio a uma pandemia e não conseguem um transporte para cinco atletas que deram tudo para qualificarem aos jogos olímpicos” relatou Deyse Nhaquile.

Maria Machava acredita que se pode ter resultados mais satisfatórios no próximo ano no Japão com a retoma das competições a nível nacional, pois, só treinar, acaba não sendo abonatório para as atletas que não sentem nem uma melhoria na sua performance.

“Tinham que se preparar as soluções possíveis pois já estamos cansadas de só treinar. Treinamos quase todos os dias e não sabemos o que estamos a melhorar ou piorar. Deviam dar oportunidade aos outros colegas para poderem treinar connosco” frisou Machava.

Outro factor que leva a velejadora Maria Machava pensar que uma retoma às competições neste período seria benéfica é o vento característico desta época do ano que se equipara às condições climáticas que vão encontrar nas águas da capital japonesa.

Porque os Jogos Olímpicos são uma das principais montras para dar a conhecer a bandeira nacional nos quatro cantos do mundo, Denisse Parruque pede apoio quanto ao transporte e barco.

“Pedir que olhem mais para nós para que possamos treinar de forma a representar melhor. Estamos aqui para representar da melhor forma o nosso país. Pedimos para que possam ajudar de alguma forma com o transporte e o barco” apelou Parruque.

Hélio da Rosa concorda com as velejadoras e considera que neste momento é impossível analisar o desempenho delas e que “só depois de uma prova ou competição a nível nacional podemos avaliar e perceber o que vai ser preciso para elas melhorarem”.

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