Preto & Branco

Acusado de apoiar insurgentes

Bispo de Pemba sente-se caluniado

O missionário da diocese de Pemba, Latifo Fonseca, veio a público, a despeito das acusações sobre o Bispo Dom Luíz Lisboa de estar a apoiar os insurgentes em Cabo Delgado, para esclarecer que o clérigo está tranquilo, apesar das calúnias.

Citado pela Voz da América (VOA), na edição de terça-feira, 18 de Agosto, o missionário da diocese de Pemba, Latifo Fonseca, disse que bispo Dom Luiz Fernando Lisboa “está tranquilo”, apesar da acusação de ser apoiante do grupo de insurgentes, que desde 2017, aterrorizam a população de Cabo Delgado.

Fonseca considerou que “diante de qualquer calúnia, ele pode sofrer como humano, mas pela missão ele está tranquilo. Ele sabe que ao querer defender os pequenos pode sofrer isso”, ressalvou.

Este ”mensageiro” do bispo Lisboa sublinhou que o bispo tem “a consciência limpa, tranquila, sofrendo somente, porque a situação nossa (Cabo Delgado) não está boa, por causa da guerra, Covid e deslocados”.

Esta reação do missionário Fonseca através da VOA vem a propósito de taques verbais perpetrados por alguns analistas da praça, alinhados com o partido no poder, a Frelimo.

Num artigo publicado no seu Facebook, Gustavo Mavie, ex-director da Agência de Informação de Moçambique, disse que “um dos estrangeiros que têm estado na vanguarda dos que injustamente criticam o Governo de Nyusi e as Forças de Defesa e Segurança que dia e noite arriscam as suas vidas para combater os terroristas em Cabo Delgado é, sem dúvida, o actual Bispo de Pemba, Luiz Fernando Lisboa.

O artigo de Mavie, membro da Comissão Central de Ética Pública, teve o apoio de Egídio Vaz, um comentarista que é visto como “conselheiro“ informal de Nyusi.

“Acabo de ler o longo texto de Gustavo Mavie sobre o bispo católico de Pemba. Concluo que ele é de facto, um dos logísticos dos terroristas. É ele quem dá comida aos insurgentes,” escreveu Vaz, também no seu Facebook.

Vaz escreveu ainda que “ele (bispo) é um criminoso” e que não sabe por quê o “Estado moçambicano ainda mantém o DIRE”. O DIRE é o documento de identificação de estrangeiros residentes em Moçambique.

Estes textos foram publicados após o presidente Nyusi ter afirmado, em Cabo Delgado, na semana passada, que “lamentamos por aqueles moçambicanos, que bem protegidos, levam de ânimo leve o sofrimento de quem os protege, incluindo alguns estrangeiros que livremente escolheram viver em Moçambique mas que, em nome camuflado dos direitos humanos, não respeitam o sacrifício dos que mantém erguida esta jovem pátria, e garantir a sua estadia em Cabo Delgado e em Moçambique em geral”.

O padre Fonseca disse à VOA que o bispo Lisboa mantém boas relações com as autoridades em Pemba e quanto à acusação, esta fonte disse que “ainda não tivemos uma posição oficial do Estado”.

 

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