Preto & Branco

Província de Maputo

Regresso de ex-reclusos preocupa fiscais das reservas

Dezena de nacionais que estavam a cumprir penas nas celas da África do Sul beneficiaram este ano de indulto, em cumprimento das medidas de prevenção da propagação da covid-19. Trata-se de nacionais que foram detidos nos anos passados por causa do seu envolvimento na caça furtiva, naquele pais vizinho.

Entende-se que mesmo depois de terem beneficiado do processo de correção nas celas da África do Sul, podem voltar a praticar a caça furtiva, uma vez que conhecem os seus benefícios e o mercado, por um lado, podem ser chamados pelos mandantes para integrar noutra equipa, por outro.

Dados fornecidos, recentemente, pelo governo de Magude dão conta que todo o ano passado foram registados cinco casos de caça furtiva e recuperadas cinco armas naquele distrito da província de Maputo.

Este número poderá ser ultrapassado no presente ano, uma vez que até mês passado tinham sido registados cinco e recuperadas oito armas de fogo

Na ultima semana do mês passado, julho, houve uma perseguição entre os fiscais da fazenda Karingane Game Reserve e um grupo de caçadores furtivos.

Os furtivos foram vistos quando estavam a atravessar a Kruger Park pelos fiscais locais que prontamente comunicaram os seus colegas das fazendas moçambicanas.

Na província de Maputo, foram mobilizadas várias forças, de forma a encontrar e capturar os integrantes do grupo. Foi uma missão longa e difícil, durou mais de seis horas de perseguição, a contar a partir das primeiras da horas do dia. Até certo momento os bandidos desapareceram às vistas dos fiscais.

Um tempo depois foram vistos a atravessar de barco num rio que divide as províncias de Maputo e Gaza. Presume-se que estes deslocaram-se para província de Gaza.

Recentemente, a Policia de Protecção de Recursos Naturais e Meio Ambiente recuperou uma arma de fogo, numa das comunidades do Posto Administrativo de Panjane. A arma tinha sido escondida por caçadores furtivos durante uma perseguição.

O comandante da Polícia de Protecção de Recursos Naturais e Meio Ambiente, Manuel Façon, reconhece que nos últimos meses o número de casos tendem aumentar. No entanto, referiu que está em curso trabalhos de vários sentidos, com vista a conter os níveis.

Manuel Façon, acrescentou que finais de julho foi recuperada uma arma e uma sacola que continha diverso material de trabalho e comida, cujos donos puseram-se fuga.

 

 

Arma Recuperada

Os fiscais das áreas de conservação da província de Maputo, mostram-se preocupados pela falta de controlo do armamento recuperado durante a perseguição com os caçadores furtivos. Em consequência disso há vezes que a mesma arma é recuperada por mais de uma vez.

Em conversa com Aminosse Massuanganya, fiscal desde o ano de 2012 disse que registou, recentemente, com preocupação na fazenda Masintonto, a recuperação de uma arma que havia recuperado ano passado.

A mesma preocupação foi apresentada pela Procuradora provincial-chefe de Maputo, Evelina Gomane, que tem o registo de dois casos.

Mostra-se ainda preocupada porque acredita que podem existir mais casos que ainda não foram denunciados ou reportados. Ainda não foram encontrados os fornecedores das respectivas armas.

Segundo Evelina Gomane, no ano passado houve, igualmente, o registo de desaparecimento de uma arma de um caçador furtivo, numa das esquadras na vila distrital de Moamba. O caçador estava em investigação sobre o seu envolvimento no crime.

Estamos a trabalhar para travar essa questão das armas voltarem para os furtivos. É um calcanhar de Aquiles, pois temos que descobrir a fonte. As armas quando são recuperadas são entregues a Policia da República de Moçambique, referiu.

Contudo, o administrador de Magude, Lázaro Mbambamba, apresentou uma preocupação das fazendas que operam no distrito. Trata-se de roubo dos painéis solares colocados em diferentes pontos das fazendas por forma a garantir segurança tanto dos animais, bem como das comunidades circunvizinhas.

Os painéis solares transmitem corrente electrica que é usada para electrificar a rede de vedação das áreas de conservação, para repelir os animais que tentam sair da cerca.

Por causa da falta deste instrumento há relatos em algumas comunidades, por exemplo, captine, da destruição de diversas culturas agrícolas por elefante.

Mbambamba referiu que há um trabalho em curso junto das autoridades comunitárias, por forma a identificar os mentores desta acção criminal. Acredita-se que o equipamento depois de roubado é comercializado noutras comunidades, onde é usado para iluminação das casas.

 

 

 

 

 

 

 

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