Preto & Branco

Nyusi assume liderança da SADC

O chefe do Estado moçambicano, Filipe Nyusi, lidera, a partir desta segunda-feira (17 de Agosto), a troika da Cimeira da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral(SADC).
Em sessão da 40ª Cimeira, a ter lugar hoje (17 de Agosto), Filipe Nyusi substituirá o presidente da Tanzânia  no comando da Presidência rotativa da SADC, para um mandato de um ano.
Apesar de o mandato ser anual, mostra-se uma oportunidade para Filipe Nyusi- como “todo poderoso” desta cúpula regional- mobilizar os países integrantes, sobretudo com os quais faz fronteira, para fazer face às incursões terroristas, que já levam três anos, na província nortenha de Cabo Delgado, onde está em marcha um investimento bilionário na exploração de uma maiores reservas mundiais de gás natural.
Aliás, o terrorismo em Cabo Delgado, que tem causado mortes, destruições, saques e mais de 250 mil deslocados, mostra-se com tentáculos internacionais e com o envolvimento do famigerado Estado Islâmico, que também patrocina insurgências com base no fundamentalismo islâmico em vários países africanos, incluindo nos da região austral.
Apesar de o Governo moçambicano se arrogar com alegadas soluções soberanas, ao ponto de preferir mercenários ao invés de apoio de outros países, sendo parte da temática desta cimeira da SADC em Maputo, Paz e Segurança, deve capitalizar os pontos de vista e experiências dos países representados.
Aliás, Moçambique é também membro do Conselho de Defesa e Segurança a nível da União Africana por dois anos(2020/2022), mais uma razão para capitalizar vastas experiências de fragilização de incursões terroristas.
Por outro lado, será assunto nesta cimeira de Maputo a questão das mudanças climáticas e problemas globais, como o novo coronavírus causador da fatal Covid-19.
Trata-se de assuntos que muito dizem a Moçambique que sofre de cheias e secas ciclicamente, com o agravante de estar a ser, nos últimos tempos, vítima de ciclones. E os efeitos do Idai, na zona Centro e do Kenett, na zona Norte, ainda continuam indeléveis.
E é devido à propagação, sem “complacências”, da Covid-19 que esta cimeira de Maputo se torne a primeira, na história de 40 anos desta organização, a realizar-se de forma virtual.
É de frisar que, esta Cimeira e o mandato que hoje inicia, seja uma oportunidade para que Moçambique, através da liderança de Filipe Nyusi, capitalize o ” poder” regional para alavancar as agendas nacionais e deixar o seu legado, anual, na resolução dos desafios regionais.
Aliás, na última Cimeira da SADC, que teve lugar ano passado na Tanzânia, quando Moçambique foi escolhido para anfitrião da presente Cimeira, Filipe Nyusi teria dito que concluiria o longínquo processo de transformar o Fórum parlamentar da SADC em Parlamento Regional. Promessa esta, secundada pela então presidente parlamentar moçambicana, Venónica Macamo que, inclusive, passou a liderar este Fórum. Ademais, mesmo já não sendo líder parlamentar em Moçambique, está dentro da promessa, porque o país continua a liderar o fórum e Verónica Macamo, na qualidade de actual ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, lidera, desde esta Cimeira, o Conselho de Ministros da SADC.

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