Preto & Branco

Por omissões sobre a Kuhanha

Auditor “contesta” contas do Banco Central

A empresa de auditora PWC, que foi o auditor independente das contas do Banco de Moçambique discorda das demonstrações financeiras de 2018 publicadas, semana passada, mas o banco central considera que estão correctas.

“O Banco de Moçambique (BM) não consolidou as demonstrações financeiras da subsidiária Kuhanha – Sociedade Gestora do Fundo de Pensões” do Banco de Moçambique, como mandam as normas internacionais, refere a firma auditora PWC.

Segundo o relatório de auditoria independente, acessado através da  internet, “as demonstrações financeiras individuais e consolidadas não apresentam de forma apropriada a posição financeira do banco e das subsidiárias”.

“A consolidação da Kuhanha originaria impactos materiais em muitos dos elementos destas demonstrações financeiras”, aponta, acrescentando que “não foram determinados os efeitos desta não consolidação”.

No documento, a administração do BM considera que “não existe um sentido económico relevante que justifique a consolidação” da Kuhanha.

“No perímetro da consolidação foi considerada apenas a subsidiária Sociedade Interbancária de Moçambique (Simo), uma vez que o seu objecto de actividade [a rede de caixas automáticas do país] está enquadrado nas funções do banco central”, refere.

A Kuhanha é classificada “como uma entidade de interesse público”, “enquadrada num sector de actividade regulado pelo Instituto de Supervisão de Seguros de Moçambique e, como tal, sujeita a auditorias independentes regulares”, acrescenta.

É a segunda vez consecutiva que o regulador recebe uma opinião adversa, depois de a auditora KPMG ter assumido a mesma posição em relação às contas de 2017, quando a Kuhanha adquiriu uma posição maioritária no Moza Banco, um dos principais bancos comerciais de Moçambique, previamente intervencionado.

“As normas de contabilidade que nós aplicamos em 2017 foram as mesmas de 2016 e 2015 e estamos a fazer a mesma coisa para 2018, porque é o que manda a nossa lei orgânica”, declarara Rogério Zandamela, governador do Banco de Moçambique em Outubro de 2018, depois da divulgação do relatório da KPMG.

Nas demonstrações divulgadas, semana passada, o BM salienta que a posição do seu fundo de pensões no Moza (59,4%) não chega aos dois terços necessários para “tomar decisões estruturantes”, pelo que “prevalecem os pressupostos para não consolidar as contas da sua subsidiária”, alega.

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