Preto & Branco

Sobre a Nossa Incúria

A semana passada foi marcada pela comunicação presidencial que indicava o fim do Estado de Emergência imposto pela Covid-19. Do referido momento, podem-se tirar várias ilações. Porém, para mim destacam-se fundamentalmente duas:

1.Pouco depois da comunicação presidencial as redes sociais tornaram-se virais com mensagens de chacota que ridicularizavam o Chefe de Estado por ter vindo à terreiro falar muito e não dizer nada. Sinceramente não sei o que mais esperavam o presidente da república dissesse, senão vejamos: Filipe Nyusi tinha a obrigação constitucional de comunicar à nação o fim do Estado de Emergência. Muitos questionaram e criticaram o facto de ter prometido e não tê-lo feito na ocasião, o anúncio das medidas da ‘nova normalidade’. A questão que se coloca é: como poderia fazê-lo se ainda devia enviar o relatório da vigência dos quatro meses do Estado de Emergência à apreciação da Assembleia da República? Como poderia introduzir novas medidas num contexto em que legalmente não o pode fazer? A apreciação que a Assembleia da República fará do seu relatório e das medidas que propões para a ‘nova normalidade’ é que servirá de base para as tais esperadas medidas.

  1. Logo a seguir ao anúncio fim do Estado de Emergência, a sociedade andou a pandemónio total: barracas e tudo o resto aberto. Ajuntamentos humanos em total histeria; os chapas cheios, alvoroço e algazarra total. Mais uma vez as redes sociais estavam inundadas de mensagens e interpretações legais que indicavam a existência de ‘um vazio legal’ para qualquer actuação impeditiva das autoridades. É aqui que reside um factor intrigante: Covid-19 não dissipou-se, esfumou-se, desapareceu como fim do Estado de Emergência. Ademais, no final da tal comunicação em que se diz o chefe falou mas não disse nada, referiu que dentre outros aspectos que ‘todas as medidas do nível três mantêm-se em vigor’. Nós os moçambicanos temos que deixar de ter mentalidade de aldeia em que para agirmos ou conformarmo-nos com os ditames sociais e legais precisamos de ter sempre um ‘carrasco’ por cima! Não é Nyusi que vai andar de casa em casa a policiar as nossas atitudes individuais e colectivas perante as orientações que não são do presidente, mas da Organização Mundial da Saúde. Todos nós sabemos o que está a acontecer no mundo inteiro e no nosso país em particular. Sempre esperamos desgraça maior ou quando atinge-nos no âmago. O que assistiu-se no pretérito fim-de-semana é a expressão máxima do nosso desleixo individual e colectivo; da nossa incúria e busca de fundamentos para justificar a nossa arrogância e estupidez. É uma questão de mentalidade.

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