Preto & Branco

Simão Nhacule:

O “navegador” de vários instrumentos musicais

Nativo de Zavala, na emblemática província de Inhambane, a conhecida como “Terra de Boa Gente”, o artista Simão Nhacule, exímio instrumentista, toca Mbira, Marimba, Xilofone, sendo que o destaque vai para a Timbila, que a considera instrumento-mãe. Da conversa que tivemos, seguem alguns excertos para melhor se conhecer o percurso, obras e os pensamentos deste artista que sonha ter a sua própria escola de música para transmitir seu conhecimento e deixar seu legado às gerações mais novas e, quiçá, às futuras gerações.

Simão Adriano Nhacule, natural de Inhambane, distrito de Zavala, disse ä nossa reportagem que começou a tocar Timbila quando tinha apenas seis (6) anos de idade, e enfrentou vários desafios. Só para deixar a ideia disse o seguinte: “O meu pai pertencia a um grupo de Timbila Ta Ducua e ele não tinha instrumento para praticar em casa, daí sentiu-se na obrigação de fazer um esqueleto de uma timbila em casa, obedecendo o formato da timbila”. Pelo que, “nós filhos e primos sempre brincávamos de tocar algumas coisas na ausência dele, assim o bicho entrou”, explicou, acrescentando que “cresci num ambiente da música zimbabweana por influência de mineiros na minha zona”, salientou.

Depois de Zavala, o nosso entrevistado deslocou-se a Maputo, quando já tinha 22 anos de idade. “Toco vários instrumentos musicais, mas a Timbila é mãe, toco o complexo de percussão, Mbira, Marimba e um pouco de Xilofone”, destacou Nhancule.

Solicitado a explicar a distinção entre Marimba, Timbila (Mbila) e Xilofone, ao que explicou que de acordo com a localização geográfica de cada instrumento, Marimba é do Zimbabwe, Timbila é de Moçambique, província de Inhambane e Xilofone   é da Africa Ocidental.

“Nos meus temas podemos encontrar mensagens que versam o dia-a-dia da sociedade moçambicana”.Sobre ser músico em Moçambique, considerou ser “uma bênção, por que Moçambique é rico de vários ritmos e danças, para dizer que temos que valorizar a nossa cultura. O artista deve ser valorizado, o valor de ter algum conhecimento a nível artístico, temos que estar em paz, harmonia etc.”, Para assistir socialmente o músico é preciso que quem de direito dê mais atenção ao músico e aos artistas, no geral, como forma de almofada para suportar alguns momentos difíceis como agora que os artistas não podem fazer espetáculos por causa da nova coronavírus, a Covid-19 e consequentemente o Estado de Emergência”.

Em seguida Simão Nhacule disse que “é possível viver de música em Moçambique, só é preciso sermos criativos e andar atrás dos nossos sonhos e ser humilde, acima de tudo”, assinalou.

No contexto do Estado de Emergência, os artistas devem ser criativos para poderem sobreviver. “Temos que aproveitar este momento para criarmos novas composições. No âmbito da Covid-19 tenho apoiado os meus admiradores de várias formas, uma delas tem sido fazer alguns vídeos e postar nas redes sociais, como forma de interagir pela melodia para dar mais força”, destacou.

Como vários músicos, este também ainda não é membro da associação dos músicos.

Sobre seus temas preferências, disse: “Tem sido complicado e difícil dizer qual é o tema que considero marco na minha vida, porque tudo o que aconteceu na minha carreira é mais uma aprendizagem para mim”, considerou.

“O meu grande sonho é de um dia ter uma escola de música na minha povoação ou no meu bairro para poder passar o legado aos mais novos como forma de garantir a continuidade da nossa cultura. Tenho um total de três discos editados como diferentes bandas: dois discos com o meu grupo Silita (Ziva-tako e I’mtumbunuku wathu) e um disco a solo com o título I’mpatano. Também lancei duas músicas em Dezembro do ano antepassado nas redes sociais com os títulos Cicolani e Napwata I’mseketeli”, arrolou, destacando que “este ano lancei uma música com o título Moçambique Nyika Yangu Ye Tchipikirwa, este último cantei em shona”.

Diz que na sua carreira conta com apoio familiar, vincando: “a minha família é fonte da minha inspiração.”

Revelou-nos ainda que ao longo da carreira já conquistou alguns prémios, destacando que o primeiro álbum com o grupo Silita resultou do concurso que o Centro Cultural Franco Moçambicano -CCFM organizou, intitulado Franco Fonia e “ficamos em primeiro lugar e o prémio foi a gravação de um disco na França, estúdio do José da Silva”, referenciou.

Ainda no contexto de fontes de inspiração detalhou que “meu pai é a principal fonte de Inspiração, depois o meu avô (meu Xara)”, estendendo as referências para fora de casa, indicando o Mestre Venâncio Mbande, John Chibadura, Leonardo Dembo.

Nos meus tempos livres, o nosso artista faz composições e também fica com a família e fazer pequenas hortas no seu quintal.

Sobre programas na manga adiantou que “neste momento estou a trabalhar com vista a gravação do meu segundo álbum a solo e também o terceiro álbum do grupo Silita. Embora não haja disponibilidade de condições financeiras para o efeito.”

Olhando para seus fãs, disse: “vai o meu muito obrigado por estarem a acompanhar atentamente a minha carreira e farei de tudo para continuar a alegrar os vossos corações e temos que nos prevenir desta doença chamada Coronavírus, seguindo as orientações das autoridades e que bons dias virão”, encorajou.

 

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