Preto & Branco

Basquetebol da Bela Rosa preparada para uma possível retoma

O novo “timoneiro” da associação desportiva Bela Rosa, Jacinto José Cumbula, fala acerca de desafios da agremiação em entrevista exclusiva ao Jornal Preto&Branco.

A associação de basquetebol Bela Rosa sedeada no populoso bairro de Maxaquene, concretamente na escola secundária noroeste 1, reza a história que o mesmo surgiu numa altura em que era quase que impensável fazer basquetebol nas zonas sub-urbanas e tudo estava concentrado na cidade.

Segundo as lendas, este movimento foi formado por três jovens, amantes do basquetebol moçambicano que por coincidência viviam naquele Bairro “com paixão louca pelo basquete” que são eles: Ernesto Matlhombe, Narciso Nhacila e Kota Sansão” em 1998.

Actualmente, conta com novo elenco directivo que foi apontado no início do ano em curso, que é presidido pelo antigo atleta e treinador “coach Djasta” como é carinhosamente tratado nos meandros da bola ao cesto, onde coube-lhe falar da saúde histórica Bela Rosa, principalmente neste período de estado de emergência devido a Covid-19 e o desporto nacional é uma das vítimas.

JP&B: Consciente que o mundo está a passar por um momento turbulento, qual é a saúde da Associação?

CD: Primeiro quero agradecer por está oportunidade que é me concedida, para falar do trabalho que temos desenvolvido, bom antes desta situação de pandemia posso afirmar que a associação estava num bom caminho, isso porque conseguimos cumprir com a primeira meta, que era de tornar associação Bela Rosa uma instituição legalmente conhecida, Segundo havíamos prometido no nosso manifesto, em linhas gerais posso dizer que estamos bem de saúde, porque o nosso maior activo que são os nossos atletas estão bem.

Não nos encontramos numa situação financeira saudável, aliás isso espelha um pouco do que acontece em todo o país, a Bela Rosa não tem dinheiro que seja para fazer os movimentos, ou seja, nossa situação financeira é péssima, nem sei como estamos a resistir nesse basquetebol cada vez mais difícil de sustentar”

JP&B: O que tem feito para sustentar a associação?

CD: Como é  sabido, em finais do mês de Fevereiro manifestei interesse em continuar com as actividades da Bela Rosa, os encarregados e pais dos atletas escreveram se como sócios da Associação, algo que está a ser difícil porque não são  todos que entendem  que para  fazer se desporto neste país é necessário dinheiro, alguns pensam que se estamos a fazer é porque temos ou existe alguém que nos dá. Temos conseguido sensibilizar alguns amigos, encarregados, muito poucos diga se de passagem, alguns ex atletas da Bela Rosa que acreditam no movimento e até alguns amigos do Facebook da Bela Rosa como é o caso da senhora Sally Custódio Maceira.

Somos no total 19 sócios e desses existem pagantes e não pagantes. Os que pagam cotas mensalmente são poucos e desde já agradeço imenso pelo apoio, os que não pagam são muitos, aqueles que quando nos ouviram falar da necessidade de se ser sócios, manifestaram interesse para serem bem vistos, mas na hora da verdade nada fazem penso que infelizmente é uma situação que passou a ser normal no associativismo, mas prometo que vai ser eliminada na Bela Rosa pois o nosso estatuto prevê uma medida para este tipo de situação”

JP&B: Como tem sido o patrocínio para associação desportiva Bela Rosa?

CD: A associação não tem nenhum patrocinador, existe sim alguns amigos da Bela Rosa que quando são chamados a ajudar se prontificam, nós temos tido cautela de não saturar os poucos 3 á 4 no máximo, em não estar a pedir sempre. Deixa apenas agradecer aqui a  mana Madrinha( vem nos ajudado desde 2012 mas sempre no anonimato), ao Abreu Muhimua (ENCOM ), ao Isidro Ahmad e muitos outros que não me ocorre agora em mente mas eles é que são verdadeiramente os fazedores da Bela Rosa.

Na verdade para fazer o basquetebol nós precisamos mesmo de ter patrocinadores que nos possam ajudar desde com a imposição da ABCM ( Filiação, inscrições de jogadores e treinadores,  revalidações de cartões, pagamento de taxas para participar nas diversas competições) precisamos de patrocinadores para apoiar na compra de material desportivo, transporte para os jogos e em alguns casos transporte para os treinos de algumas atletas que vivem bem distante da escola e, patrocinadores para ajudar com a manutenção do campo de treino.

Como deve imaginar essas despesas não pode ser suprida pelas ofertas, há pessoas que se juntaram a nós por amor ao basquetebol. Eles têm ajudado no que podem e nós vamos fazendo o basquetebol a nossa maneira, treinando quase 100 crianças com apenas seis bolas.

JP&B: Sabemos que uma das maiores dificuldades de movimentos desportivos é a falta de patrocínio, principalmente agora em que muitas empresas estão fechadas. Como pretendem viabilizar a Bela Rosa?

CD: É verdade, que a pandemia da Covid-19 está a criar grandes transtornos para o mundo no seu todo e o desporto não fica de fora de tantos problemas, não vimos essa situação com bons olhos pois se os mais fortes do desporto estão a ultrapassar momentos assustadores imagina nós o que estamos a passar. A pandemia penhorou todos planos que tínhamos para a época 2020 como associação e neste momento estamos a desenhar possíveis situações para caso quem é de direito decida para retoma das actividades desportivas e antevemos muitas dificuldades, mas somos forte e a nossa paixão pelo basquete não nos faz desistir”.

“A Associação Desportiva Bela Rosa é um movimento sem fins lucrativos como deve imaginar, vive graças às contribuições que nós ( 4 amigos ) tiramos dos nossos salários e fazemos a Bela Rosa. Assim se faz o quotidiano da Associação mas há aqueles amigos que não quero aqui esquecer e aproveitar o oportunidade para lhes agradecer, que tem sido uma espécie de nossos pais no dia a dia como por exemplo Edson Saranga, que nós tem oferecido algumas bolas para que possamos treinar. Nós ainda e infelizmente não temos nada que nos faz ganhar dinheiro para pagar as despesas com ABCM, Chapa para atletas, compra de medicamentos para atletas e muito mais que um movimento desportivo normal tem. Temos vivido da fé e vontade de Deus”

JP&B: Uma das primeiras medidas tomadas pelo nosso governo foi paralisar o desporto, quais eram os vossos planos antes da paralisação por conta da Covid-19?

CD: Conforme disse anteriormente Institucionalmente antes da Pandemia tínhamos como grande objectivo a Legalização da Bela Rosa facto que nem mesmo a Covid-19 conseguiu nos parar, conseguimos legalizar com sucesso e hoje somos com muito orgulho Associação Desportiva Bela Rosa, temos personalidade jurídica ( temos muito a agradecer o apoio a todos níveis o senhor Carlos Alima. Desportivamente tínhamos planeado o retorno ao Basquetebol masculino com uma equipa de iniciado e a continuidade em todas as equipas que vínhamos tendo”

JP&B: O maior activo da Bela Rosa são os atletas são conhecidos pela veia de formação, exemplo disso são vários atletas que hoje representam a selecção nacional,  quantos atletas existem actualmente?

“Associação Desportiva Bela Rosa conta actualmente com poucos mais de 100 atletas dos quais divididas da seguinte maneira, 25 mini basquete no núcleo de Nkobe, 24 mini basquete na Bela Rosa, 20 Iniciadas, 15 juvenis e 15 juniores”

JP&B: Até então é proibido treinar principalmente colectivamente, qual é o acompanhamento que tem dando aos atletas?

CD: Para o universo de atletas que existe na Associação, comparado ao número de treinadores (3) disponíveis, tem sido muito difícil fazer o acompanhamento das actividades programadas com os atletas para a manutenção física, porque como deve imaginar a ordem é ficar em casa para que o vírus não possa circular mas na medida do possível para aqueles que tem telemóveis com WhatsApp temos tido algumas secções de treino em casa assistido por plataformas como WhatsApp mas deve imaginar que isso não abrange a todos atletas”

JP&B: Qual é o plano que a Bela Rosa tem na manga, caso o governo opta por retoma do basquetebol mesmo com os números aumentarem a cada dia?

CD: O primeiro plano para fazer frente a essa pandemia é o ataque, no mundo Desportivo diz se que a melhor defesa é sempre o ataque e nós vamos procurar transformar esses ditos desportivos numa realidade, procurando sensibilizar os nossos atletas a seguir a risca com as medidas de prevenção estabelecidas e adoptadas pelo governo que já são do domínio de todos”

Carlota Xavier Húo, uma das atletas dos juniores femininos do basquetebol Bela Rosa, falou da pouca experiência

” Sinto-me privilegiada, por ter sido formada nesta casa, posso dizer que aqui encontrei minha segunda família é um privilégio vestir as cores desta equipa, além disso é muita responsabilidade”

 

JP&B: A maioria das atletas da equipa são estudantes, como tem sido conciliar a vida estudantil com o desporto?

 

CXH: Para mim é muito fácil, na medida em que vivo, estudo e treino perto de casa, tendo em conta que somos obrigados a apresentar as notas trimestrais”

 

JP&B: Quais são as dificuldades que tens enfrentado?

 

CXH: Como outras colegas temos passado por várias dificuldades, umas delas é a falta de campo condigno para o treino e material desportivo, conforme vê, existe dois campos e disputamos os mesmos  com alunos de educação física, por vezes só treinamos poucas horas para ceder as outras modalidades” porém agradecemos pelo apoio primeiro dos nossos treinadores, que incansavelmente nos tem ajudado, esses agradecimentos estendem-se também aos nossos encarregados e ainda aos amigos da Bela Rosa.

Quero terminar está entrevista pedindo ao governo, empresários e singulares para apostarem na Bela Rosa porque já demonstramos sermos capazes de enfrentar grandes lutas, prova disso é o segundo lugar conquistado no campeonato da cidade, convidamos para que façam parte desta família que tem como slogan ” na bela rosa, não se discute ama-se” quem têm fé consegue o que quer”


 

 

 

 

 

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