Preto & Branco

A partir da cidade da Beira:  Young Africa transforma vidas 

  • capacita mais de mil jovens anualmente e acima de 600 mulheres são bolsistas
  • Formação “móvel” alcança Maputo e Cabo Delgado

Young Africa, é uma organização moçambicana, sedeada na cidade da Beira, mas com projectos em várias províncias do país, vocacionada à formação de jovens, priorizando os mais carenciados, através de diversos cursos profissionais.  Desde o inicio das formações, em 2008, já transformou a vida de milhares de jovens, capacitando e integrando-os ao mercado de trabalho, após estágios profissionalizantes. Anualmente capacita mais de mil jovens, tendo mais de 600 mulheres como bolsistas. Para sabermos das acções desenvolvidas por esta organização, incluindo sobre os desafios para enfrentar os impactos do ciclone IDAI, que teve a Beira como o “centro do furacão” e da reinante pandemia do Covid-19, conversamos com a Directora da Young Africa Moçambique, Aksana Varela Faustino, nos seus escritórios-sede, na cidade da Beira.

Em jeito de pontapé de saída, disse que a primeira pedra para a construção das instalações da Young Africa, na Beira, foi lançada   em 2006, cujas obras duraram até Maio de 2008 e em Agosto, iniciava-se com as actividades formativas. “Aquando do início deste processo o centro apenas tínhamos quatro cursos que são: Canalização, Construção Civil, Corte e Costura e Culinária, em jeito de resposta das necessidades da comunidade no bairro da Manga. São cursos de duração de seis (6) a (12) meses findo este período os formandos são inseridos em programa de estágio”, explicou.

Sobre o primeiro desafio de enquadramento laboral, Aksana Varela Faustino referiu: “Depois dos primeiros formandos pela Young Africa, desenvolvemos um estudo de mercado para inserir os recém-graduados em organizações e instituições locais, tendo chegado à conclusão que devíamos aumentar mais cursos, assim

… até 2011 tínhamos vinte (20) cursos distintos, como forma para dar resposta à demanda do mercado”, vincou, acrescentando que de acordo com o departamento de Marketing, o estudo concluiu que a zona centro, por exemplo, precisava de ter mais mecânicos, isso graças a parceiros que pediram, no âmbito do inquérito, esclareceu a entrevistada. Debruçando-se sobre a natureza das formações, expôs: ” Formamos técnicos multifacetados, um canalizador que instala uma máquina ou termo acumulador, não precisa de um electrcista para mexer a parte eléctrica, percorre os tubos até a parte eléctrica.

A Young Africa tem sido a principal fonte da mão-de-obra qualificada para pequenas, médias e, às vezes, grandes empresas”, gabou-se.

Ajuntou, no mesmo contexto, que todos os formandos que terminam o curso de electrecidade têm o estágio na Electrecidade de Mocambique(EDM), “que não é uma pequena empresa, pelo que, mais de setenta por cento (70%) dos nossos formandos estão economicamente activos”, destacou.

Questionado sobre a mais-valia dos cursos ministrados pela Young Africa, Aksana Varela Faustino fez-nos saber: “no âmbito da formação temos algumas cadeiras complementares, tais como: Habilidades para a Vida, Informática, Empreendedorismo e Inglês. A adição destas cadeiras surge no circuito de inquéritos regulares com o sector privado que emprega nossos formandos”, esclareceu.

Sobre a expansão das acções formativas, principal vocação desta instituição que a nossa entrevistada, esta apontou que a nível da província de Sofala, ainda tem um Centro no distrito de Dondo, que lecciona cursos de agro-pecuário, e que, em 2019, uma proposta de expansão para  Sul e  Norte do país foi aprovada pelos parceiros. “Trata-se de uma oficina móvel, dando treinamento, actualmente, em Maputo, no distrito de Ressano Garcia, para 120 jovens e, também, estamos em Cabo Delgado, com igual número de jovens”, explicou.

No entanto, referiu que devido à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), ambas acções formativas estão paralisadas.

Questionada sobre o impacto global das formações ministradas pela Young Africa, explanou-se: ” temos capacidade para treinar, anualmente, mil (1000) jovens na Beira, seiscentos (600) em Dondo, pelo que não temos conseguido satisfazer a demanda. Desde 2019 tivemos um aumento de parceiros e apoio, com intuito para dar mais competências à comunidade.

O Município da Beira deu-nos 350 jovens para treinamento para construção de casas a nível local. Por outro lado, já treinamos jovens artesãos para reerguer as sua próprias casas em diferentes locais, tais como Mutue, Búzi, Chibabava e Maríngwè”, esta dirigente da Young Africa.

Enfrentar o Idai e agora a Covid -19 

A cerca da dupla crise, IDAI e, agora, Covid-19, a entrevistada disse que ambas situações têm um impacto enorme no âmbito das actividades. “Quando passou o IDAI, quando olhei como haviam ficado as instalações, eu disse: ‘esses danos são demais’. Coloquei muitas questões a mim mesma, mas havia uma esperança no fundo do túnel que comunicava o seguinte: ‘se parar de lamentar e procurar uma provável solução talvez com facilidade podia sair daquela situação’. Foi elaborado um plano de reconstrução e submetemos aos parceiros de cooperação. E devo afirmar que o que tocou-me no fundo foi a destruição do lar feminino, tivemos que improvisar no rés-de-chão para albergar 60 meninas, num espaço bem apertado, expostas a qualquer tipo de mal, como doenças.

A Escola teve que parar durante duas semanas, porque não havia condições para trabalhar”, relatou, ajuntando, porém, que “foram criadas condições mínimas e convidamos todos alunos para participar na limpeza do centro e, graças a Deus, houve uma entrega total por parte de todos. Devo agradecer a resposta imediata das Cáritas da Alemanha e da Áustria. Não tardou, a embaixada da Holanda financiou a reabilitação completa das instalações, pelo que para a Young Africa-Beira, o plano de reconstrução está coberto, falta Dondo, embora a GIZ [organização alemã) já mostrou-se disponível para financiar”, referiu, esperançosa.

Quando ao novo corona vírus, considerou: “a Covid-19 trouxe uma mudança radical de planos, houve a suspensão de vistorias para acreditação das qualificações pela ANEP; Redução da capacidade de pagamento das mensalidades dos alunos não bolseiros, que limita a gestão interna da instituição;  suspensão temporária de contratos de trabalho com uma parte da força laboral do centro;   O período de fim do curso e inicio do segundo semestre ficou comprometido; A falta de smartphone por parte dos estudantes   dificultado as aulas online; A inserção dos jovens nos locais de estágio foi suspendido, as empresas parceiras estão a trabalhar no sistema de rotação, o que mina a recepção de estagiários”, arrolou.

Sabido que o principal grupo alvo da Young Africa são jovens, procuramos saber dos requisitos de admissão. “O critério de selecção para estudar na Young Africa deve ter o mínimo 7ª Classe, nível de vulnerabilidade das famílias, de acordo com o preenchimento da ficha de inscrição tem permitido a deslocação da equipa do centro para aferir se realmente a comunidade confere a informação.

Temos a componente de bolsas que, anualmente, são destinadas para mulheres, devido à exclusão da mulher no processo de formação no contexto local, tem havido excepção. Temos um total de 250 bolsas para Beira, financiadas pela Embaixada da Irlanda e, a União Europeia têm financiado 330 bolsas para Dondo, temos um total 706 bolsas”, destacou.

Esta entrevistada adiantou-nos que está em marcha uma reforma no processo de formação profissional, de clássica para regular. ” Já temos alvará e acreditação. A nossa ambição é de ascender a um Instituto Profissional, onde o processo de formação dura três anos, o que efectivamente ia facilitar a continuidade no ensino superior de acordo com o curso”, perspectivou.

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