Preto & Branco

 Fazedores das artes em Moçambique queixam-se da falta de promoção artística

O artista plástico Leidito Penga apelidado por mestre de serraduras defende que o governo deve criar políticas que devem garantir a sustentabilidade e a consolidação das carreiras dos artistas, sobre tudo no que diz respeito a promoção dos seus trabalhos a nível interno assim como além-fronteiras. Leidito Penga também apela as autoridades governamentais e não só, para que também olhem pela cultura, pois afirma que esta classe muito carece de apoio que não é dado, facto que acaba sendo factor chave para desistência de alguns artistas.

O Jovem artista diz estar agastado com a forma em que alguns governantes e empresários tratam esta classe artística, pois para ele não faz sentido no país como Moçambique não haver fundo orçamental para puder ajudar ou alavancar os artistas que queiram fazer as suas exposições além-fronteiras.

A fonte diz que já teve vários convites para fazer exposições em países europeus e não só, mas não pôde viajar porque quando pediu patrocínio para viajar e representar o país no exterior, no entanto debateu-se com a questão de falta de fundos, por parte das instituições que deviam zelar pela promoção e divulgação das artes no país, ademais a fonte admite ser incapaz de pagar um voo para europa com o seu próprio bolso.

Diante destas dificuldades o interlocutor acredita que estes factores contribuem de sob maneira para a desistência de certos artistas, pois entende que quando da falta de apoio e patrocínio é extremamente difícil levar o barco a bom porto com fundos próprios, partindo de pressuposto que certos artistas são desempregados e chefes de família.

Mesmo assim a fonte contou a nossa equipa de reportagem que acabou por ganhar um espaço na França, onde já fez várias exposições online no entanto ele acreditava que esta fosse a única maneira que devia existir para divulgar os seus trabalhos além-fronteiras antes que não foi possível ganhar fundos para viajar a Países que fizeram convites tais como: Portugal, Alemanha, Itália, Brasil, Londres, Dubai Angola e por ai em diante.

Porém, o artista plástico louva o esforço da sociedade em alavancar a cultura e continuar a valorizar as artes em Moçambique, mas revela que poucos moçambicanos não têm capacidades de comprar estas obras, pois os seus preços são um pouco elevados facto que contribui para a não aquisição deste trabalho por parte da população.

“A sociedade ainda que pode querer comprar os nossos quadros, mais certos artistas faz a preços muito elevados” rematou o artista.

Leidito Penga conta que fez a sua primeira exposição individual em 2017 no Auditório da Mediateca de BCI, com cerca de vinte (20) painéis todos feitos na base de serradura, porém afirma que usava este material (serradura) deste os primórdios de 2011. Esta exibição denominou se Sabor da dor, pois tinha como objectivo contara trajectória do artista que passou enquanto tentava instabilizar se no mundo das artes.

A segunda exposição não tardou a chegar mas desta vez foi a semicolectiva tendo acontecido mesmo no ano passado na fundação Leito Couto com o nome de profundo do meu ser, desde então o jovem artista jamais mais parou, contudo já conta com um leque de diversas exposições desde individuais e colectivas em diversas casas que estão empenhados na promoção das artes no país como é o caso da Casa de Ferro, Núcleo da Arte entre outros locais.

Entretanto o entrevistado mostra se satisfeito e afirma que desde a sua primeira exposição no BCI, a sua carreira tem registado bons momentos, pois cada dia que passa recebe solicitações de artistas para junto exporem, assim como recebe felicitações da população em geral. Segundo ele isso é muito importante porque significa que a sociedade esta atenta no trabalho que ele faz.

Ainda na mesma senda de valorização do seu trabalho por parte dos demais que apreciam oque faz, Leidito Penga saúda e agradece há todos os artistas que o encorajaram para que prosseguisse com a sua arte, pois acrescentou que por conta destas força sem nenhum momento pensou em desistir e abandonar as artes, pois para além de se expressar através dela, também faz por gostar. Ainda apelou uma forte união entre os criadores das artes e cultura a nível nacional.

Actualmente o artistas debate se com a falta de patrocínio para expor os seus trabalhos, mas garante ter muitos trabalhos criados e que carecem de apoio para que possa leva-los ao exterior para posteriormente fazer a exibição.

Para as instituições que deviam promover as artes e cultura em Moçambique o nosso interlocutor defende que estes devem financiar a cultura sobre tudo os projectos dos iniciantes nesta área, pois entende que as artes são poderosas, seja para o lançamento e promoção de certas empresas no entanto quando patrocinados não só saia ganhar a arte e cultura mas a economia do país também.

Ainda assim o jovem artista reconhece o esforço abnegado dos seus colegas na promoção e divulgação das artes, porem acredita que se fizerem o dobro ou mesmo o tripulo do que fazem actualmente o país é que sai a ganhar e a artes gratifica.

Leidito Penga chama atenção para a utilização da serradura sobre as telas que é necessário bastante cuidado e que só se deve usar os seguintes matérias: primeiro a tela tradicional (do seu fabrico), pano-cru, cola de madeira, atinta branca, marcador, faca, colher, a serradura também, portanto este ultimo é o primário para a produção de um quadro com serraduras na tela.

Mais adiante da entrevista a fonte segredou nos que o momento mais auge da sua carreira foi registado a quando de uma das suas exposições a nível da capital do país, quando recebeu felicitações e palavras de apreços de personalidades de que nem se quer imaginava que um dia poderia manter o contacto, como por exemplo Mia Couto entre outras personalidades. A fonte acrescenta que Este gesto o deixou muito feliz e motivado para continuar com a sua carreira mesmo diante das enumeras dificuldades que estava a atravessar no mundo das artes e cultura.

Para os iniciantes destas artes o mestre das serraduras diz que não podem ter braços de ferro mas sim de aço, pois as dificuldades que irão enfrentar são várias desde a consolidação no mercado e na promoção dos seus trabalhos, para estes, ainda apelou para que possam ser mais autênticos e que façam bem o seu trabalho que irão ter resultados positivos.

Lembre-se que Leidito Penga é natural da província de Maputo, concretamente no distrito de Namaacha, no entanto os seus pais mudaram separa Inhambane onde morou por dez anos, conta ainda que foi nesta altura em que surge a paixão pela arte, embora admite que desde criança já tinha certa criatividade mas que não sabia exactamente como executaras suas ideias.

Bem antes de começar a pintar e muito menos de usara serradura como o básico para produção, Penga revelou que já apanhava alguns vestígio descartados na lixeira, conta também que já reciclou um sofá em uma pasta de costa a mesma que usou na altura para meter os seus livros, pois ainda ia a escola naquela época.

Depois deste episódio o mestre das serraduras foi continuando com a reciclagem, tendo por sua vez facturado bastante na produção de carteiras de celulares, que produziu com um pano de lenda que por sinal também apanhou na lixeira. O mestre das serraduras e afirma que na altura estes artigos foram vendidos para os moradores do bairro em que morava.

Onde é que começa a usar a serradura para a produzir as telas? A fonte conta que partiu de uma viagem pelo chapa onde portava as tintas para fazer os quadros em que um cliente encomendou, ora sucede que desceu sem as tintas, depois de uma discussão com o cobrador, posteriormente descobriu que já não tinha as tintas para pintar o seu quadro, este por sua vez recorreu a serradura que na altura era descartado na escola em que estudava, implementou este material em uma das telas que um cliente havia encomendado.

O interlocutor conta que o seu cliente gostou do seu trabalho, tanto que ele ficou motivado e de lá para ca só faz quadros com serraduras na tela, deixando para trás as telas de retratos entre outros tipos de pinturas. Importa referir que até o presente momento é único artista que usa a serradura em suas telas, uma técnica que veio dinamizar ainda mais a promoção das artes moçambicanas além-fronteiras.

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