Preto & Branco

Sobre a Circulação de Gente ‘ de Origem Desconhecida em Nhangau’

Há cinco semanas sensivelmente chamávamos a atenção para as autoridades administrativas e às Forças de Defesa e Segurança sobre movimentos estranhos que estão a registar-se na região de Nhangau adstrita ao distrito do Búzi.

Na ocasião manifestávamos a nossa preocupação por conta da impunidade e aparente apatia das autoridades, apesar das queixas que as populações locais iam manifestando. Finalmente, o articulista desta coluna ouviu, durante a emissão da RDP-África da manha de 14 de Julho, a presidente da Assembleia Provincial de Sofala, numa comunicação durante a sessão do Comité Local de Emergência, a fazer referência à existência, de grupos de gente de origem desconhecida e que não fala sequer Português. Tais grupos chegam à região de Nhangau transportada em barcos que não se sabe de onde vêm e desembarcam tomando destinos pouco claros. Tais movimentações podiam ser de meros migrantes irregulares ou se quisermos ilegais. Todavia, o actual contexto e práticas criminosas naquela região denunciam algo anómalo que urge a tomada de medidas urgentes, calculadas, assertivas à altura da segurança do Estado sob pena de estarmos a cometer, como Estado, o mesmo erro de cabo Delgado do qual nos arrependemos amargamente e com dor, lágrimas e penúria da população afectada.

Ora, como referimos na opinião a que fazemos alusão, estas movimentações e o clamor das populações locais, lembra-nos os primórdios do terrorismo que vive-se na província de Cabo Delgado. As populações locais iam observando os movimentos anómalos e, de forma reiterada, reportavam às autoridades administrativas. A acção das autoridades tardou, não foi diligente e eficiente e o resultado cumulativo é o que observamos hoje!

Esperamos que em Nhangau, através do apelo deixado pela Presidente da Assembleia Provincial de Sofala, a abordagem do problema seja mais proactiva e integrada. Os serviços de inteligência já, há muito, deviam estar em cima dos acontecimentos. A nossa inteligência não deve ser reactiva. Deve sim antecipar-se as ameaças através de ‘leituras’, e análises contextuais, conjunturais e estruturais.

Considerando a tendência global e, já também no nosso caso, onde a ocorrência e exploração de hidrocarbonetos geram tensões, convulsões sociais incluindo terrorismo, a Inteligência do Estado deve estar mais vigilante. As movimentações da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos na bacia do Búzi e esta circulação de ‘gentes anómalas’ devem preocupar-nos. Compreendemos os desafios das migrações irregulares, ilegais num contexto como o nosso. Um vastíssimo território com fronteiras terrestres e marítimas porosas. Compreendemos as limitações materiais e de recursos humanos em número e em qualificações específicas numa altura em que a evolução das ameaças globais, regionais e locais requerem um refinamento das estratégias, técnicas e abordagens. Porém, a experiência de Cabo Delgado deve servir de base para uma abordagem mais aprofundada de Nhangau. Tem que ser uma abordagem multidisciplinar que envolva todas unidades de inteligência especializada das Forças de Defesa e Segurança em egos ou procura de protagonismos entre si.

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