Preto & Branco

Roubo cibernético no HCB

Autores confessam crime e enfrentam Tribunal

  • Mozabanco despoletou esquema e recuperou-se 4.8 milhões de meticais

O desvio de perto de 10 milhões de meticais no Hospital Central da Beira (HCB), depois de ter levado a detenção de seis funcionários locais, a Procuradoria da República, concluiu que somente há dois envolvidos, um interno e outro externo, que montaram o esquema informativo para o desfalque, servindo-se de dois bancos, como caixa, para os devidos levantamentos. Do valor, somente metade foi recuperado.

Depois da detenção, arbitraria, em Dezembro do ano passado de seis funcionários do Hospital central da Beira (HCB), por alegadamente estarem envolvidos no desvio de cerca de 10 milhões de meticais das contas daquela unidade sanitária, em Abril, graças ao Mozabanco foram dectetados os contornos do desfalque e dai os reais autores, com destaque para um pirata informático.

Segundo apuramos, o informático pirata que manipulou as contas internas através das respectivas senhas de acesso é funcionário público afecto à direcção provincial do Instituto Nacional de Formação Profissional e Estudos Laborais Alberto Cassimo, em conluio, com seu comparsa cujo papel era movimentar o valor através de duas contas bancarias, abertas na cidade vizinha de Manica. Sabido que as detenções destes dois indiciados ocorreu em Abril último, procuramos sabe da Procuradoria Provincial de Sofala, sobre o ponto de situação do caso e dos seus reais contornos.

O Procurador provincial da cidade da Beira, José Manuel Roia Curado, em exclusivo para o Jornal Preto & Branco revelou que o processo já foi acusado e que envolve dois indivíduos, que supostamente teriam entrado no sistema SISTAFE com senhas de usuários pertencentes ao Hospital Central da Beira, sendo que o que efectuou as transferências, faz parte do público interno e o outro que abriu as contas em dois bancos para facilitar as transferências é do público externo.

Segundo este procurador, que declinou dar detalhes, os dois arguidos, cujo processo já está em tribunal, encontrando-se em fase de instrução preparatória, são autores confessos. “Tratando-se de um processo de querela tem a fase de despacho da pronúncia e o tribunal faz também o despacho para se marcar a data de julgamento“, explicou.

Revelou-nos, no entanto, que os bancos usados para os desfalques foram o BCI e o MozaBanco. “Durante a instrução preparatória foram identificados dois bancos, BCI e MozaBanco, o valor recuperado é de quatro milhões e oitocentos mil meticais que estava na conta do MozaBanco, graças à política do banco que accionou o nível central para alguns trâmites, foi no momento em que a PGR e a SERNIC juntos conseguiram cativar o valor e revertê-lo a favor do Estado”, revelou a nossa fonte.

Todavia, devido à sensibilidade do processo e sua mediatização e tratando-se de um modus operandi não comum, de nível cibernético, o procurador não quis entrar em mais detalhes. “Há muita informação que não podemos partilhar, neste momento, por constituir segredo da justiça, mas ao longo do julgamento podemos estar bem situados”, acautelou.

Virando a página, procuramos saber do procurador José Manuel Curado acerca da detenção, em Junho último, de dois jornalistas na Beira, alegadamente por envolvimento em caso de corrupção, mas que viriam a ser libertos pelo tribunal por inexistência da prática de tal crime. Que aos olhos de muitos pareceu uma cabala montada por um empresário local, com influências políticas, que pretendia amedrontar os jornalistas que o flagraram a violar o Estado de Emergência no seu estabelecimento comercial.

“Temos um Gabinete de Combate à Corrupção, e a PGR não tem acesso, as vezes a Procuradoria recebe processos que tem a ver com a corrupção mas nós enviámos para lá, não posso avançar mais dados, porque não tive acesso a uma informação adicional”, justificou-se.

Aproveitamos a abertura do procurador em nos receber, para entendermos sobre o conflito público entre populares e o Conselho Autárquico da Beira, relativo a destruição de casas e remoção de marcos na zona de Nhangau, isto, numa altura em que a palavre de ordem é ”ficar em casa”, devido à propagação da Covid-19 que já tem causado mortes no país.

Na sua apreciação, a atitude da edilidade foi legítima. “Foi graças à denúncia popular que o município interveio para repor a legalidade dos actos, o direito de uso e aproveitamento de terra deve-se requerer às instituições competentes. Foram detidos falsos funcionários do Município que atribuíam espaços e cobravam valores monetários”, esclareceu.

Contudo, acautelou que a população não está isenta de requer ou recorrer, “temos o Tribunal Administrativo para assistir, mesmo a PGR está aberta para orientar a população, mas em caso de haver uma construção ilegal, imediatamente deve-se destruir, não tem acontecido com frequência, foram atribuídos por estranhos sem competência e, por cima, venderam a porção de terra pelo que a soma destes requisitos são ilegais consequentemente há reposição da legalidade’, vincou.

Disse ainda que a população pode recorrer a outros trâmites para ver a devolução dos seus direitos, caso tenham sido violados. ”Acho que o município agiu rápido não para prejudicar a população, mas sim para salvaguardar o direito de todos. Alguns falsos funcionários de município já estão presos por venda ilegal de terra e falsificação de documentos”, frisou, sem avançar mais dados.

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