Preto & Branco

As coisas materiais perdem valor perante este vírus

– Considera vocalista da banda Kakana

À pretexto de saber como uma das bandas musicais mais mediáticas e actuantes da praça cultural, se esta a desembaraçar em contexto da Covid-19, entabulamos uma breve entrevista com Yolanda Chicane Nhabete, vocalista e “cara” da banda Kakana.

Está artista, com grande afeição popular, além da veia musical, revela-se com espírito humanitário e que se solidariza com o sofrimento alheio. E, na frente de combate a este novo coronavírus, além de intervenção musical, a sua banda leva avante iniciativas de solidariedade e apoio social.

Siga o conteúdo integral da conversa, no clássico pergunta/resposta.

JP&B: Quando é  que surge o vídeo ” Corona não vê cara”?

YCN: Estamos todos sujeitos a esse vírus. Todo mundo é alvo, não há rico nem pobre, negro ou branco, esta doença não descrimina.

Existe tanto dinheiro no mundo mas o mesmo não pode acabar de um dia para o outro com essa pandemia. O corona vírus já provou que somos todos iguais, independentemente das classes sociais. E, acima de tudo, este vírus nos  ensina que individualmente somos fracos mas juntos fazemos muita diferença. Devemos ser solidários, estar unidos e  entendermos que ninguém é superior ao outro. Ainda que uma pessoa use uma máscara de marca muito cara e a outra use uma máscara simples de Capulana, estamos todos expostos ao vírus. As coisas materiais do mundo perdem valor perante este vírus.

JP&B: Estamos na terceira fase de confinamento e a Banda Kakana tem estado empenhada em várias realizações sociais, à semelhança de “Comida para zonas rurais”. De onde nasce esta entrega?

YCN: Bom, essa entrega não é de hoje, sempre senti a necessidade de ajudar a fazer algo pelo próximo. A Bíblia diz que devemos amar o próximo e isso deve ter ficado gravado na minha mente desde criança. Lembro-me que quando ainda era criança sentia-me muito triste e nem dormia direito quando visse um mendigo na rua ou uma outra situação injusta. Penso  que esta entrega vem da minha personalidade. Antes, eu achava que podia mudar o mundo quando me tornasse adulta, mas hoje vejo que o mundo e os seus problemas ficaram muito grandes para mim, contudo, isso não faz de mim uma pessoa insensível ,tento fazer o que for possível para ajudar, entendendo que o mundo muda quando  nós mudamos primeiro, e nos tornamos inspiração para outras pessoas. Na verdade, uso o dom que Deus me deu para mostrar o lado bom do mundo.

E como  parte da banda, dou graças a Deus que somos unidos pela mesma fé e  temos os mesmos ideais sendo isto uma oportunidade para usar o nosso nome e visibilidade para abraçar causas   sociais e desta forma influenciar  e sensibilizar mais pessoas a juntarem-se a essas causas.

JP&B: Estamos consciente do sofrimento duplo do artista em actuar em “Lives”. O quê tem feito para compensar a ausência de público e ou espectáculos?

YCN: Na verdade, nada preenche totalmente esse vazio, acabamos nos reinventando e aceitando o novo público virtual. Bom, essa é a nossa nova realidade e temos que aceitar porque este público veio para ficar.  Contudo, uma mensagem, um comentário positivo ou uma boa crítica que recebemos   da plateia virtual alimenta os nossos corações e nos aproxima mais, pois entendemos que esta distância nos fortifica. Aliás, uma maior interacção é a vantagem dessa nova forma de nos apresentarmos.

JP&B:  Alguma mensagem especial para seus admiradores?

YCN: Vamo-nos cuidar porque a vida é bela.  Não relaxemos nas medidas de prevenção e vamos aproveitar este tempo para reflexão:

Deus é bom todo tempo e todo tempo Deus é bom!

 

 

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