Preto & Branco

“O poeta sustenta a poesia mas a poesia dificilmente o sustentará”

– Considera o jovem declamador vernáculo, Manuel António

E, defende que “as nossas línguas não são descartáveis”

“Alguns acreditam que a língua Ronga faz parte do vasto leque das línguas Bantu, com determinadas semelhanças de sons e significados, pelo que ascende a um simples linguajar, podendo veicular o passado no presente virado para o futuro”. Quem assim o diz é Manuel António, um jovem poeta, conceituado declamador em língua vernácula (materna), vulgo xitocozelo, que representa o movimento literário Vatsundzuxi, sendo originário do distrito municipal KaTembe, do lado insular da cidade de Maputo, concretamente no bairro Xamissava.

Este poeta, que aponta que a sua primeira aparição no mundo da poesia foi em 2015, considera que “um poeta é antena da sociedade, assim sendo, nos nossos poemas falamos de toda a conjuntura que enferma a sociedade. Ser poeta em Moçambique é ser um mensageiro faminto. O poeta sustenta a poesia mas a poesia dificilmente nos sustentará”, considera, um tanto quanto filosófico.

Neste contexto da propagação no novo coronavírus, causador da doença Covid-19, ”temos apresentado um vasto leque de poesias com teor terapêutico e para confortar os admiradores, explorando diferentes redes sociais”.

Este poeta, com aparições mediáticas, pelos órgãos e redes de comunicação social, que por enquanto não faz parte da Associação dos Escritores Moçambicanos, ainda se debruando sobre a sua poesia, considera: “Para mim, todos os poemas são melhores, mas o que nos orientou o vôo é o poema com o tema kokwana. A minha saída de Maputo para Niassa no âmbito de uma actividade de poesia foi uma das melhores conquistas, tendo declamado em Ronga, Macua e Macena”, partilha.

Sobre a divulgação de seus trabalhos e do movimento do qual faz parte contam com as redes sociais. “Temos uma página no YouTube com o nome “Moz pro filme” onde qualquer um pode degustar as nossas obras. O meu maior sonho é resgatar a minha língua local (ronga) e dar entender as pessoas que as nossas línguas não são descartáveis.  Neste momento conto apenas com 25 poemas que estão a ser consumidos.  Tenho recebido muito apoio dos meus pais e amigos que me dão força. Considero os meus fãs e seguidores como uns dos melhores prêmios que já ganhei na minha carreira e, para tal, inspiro-me em todos os poetas que escrevem e declamam bem, especialmente o Tchaka.

Nos meus tempos livres gosto de ler e conversar com amigos. Esta para breve um grande trabalho que é  a gravação de todos os poemas em vídeo.  Queria aproveitar esse momento oportuno para endereçar um gordo agradecimento aos admiradores dos Vatsundzuxi e, deixar as seguintes mensagens:

“-Você não está preso em casa; você está salvo em casa.

-Vale a pena perder mais um mês na vida do que perder uma vida em um mês. Vamos ficar em casa.”

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